O treinador de futebol da Ovarense disse hoje sentir-se recuperado dos sintomas da covid-19, uma semana depois de ter contraído o vírus, e apelou para que a Taça de Aveiro seja retomada para "dar um prémio à cidade".

Em declarações à agência Lusa, Tiago Leite contou como a perda de olfato, dores no corpo e "cansaço fora do normal" o fizeram desconfiar que poderia ter contraído o novo coronavírus, diagnóstico que foi confirmado na passada terça-feira.

"Cinco dias antes, tinha sentido um pico de temperatura. Mantive-me resguardado em casa, a fazer medicação. Na terça-feira, eu e o meu irmão fomos fazer o teste e já na consulta nos foi diagnosticada a covid-19. A partir daí, entrámos em isolamento completo, fizemos a medicação e os sintomas foram diluindo", explicou o técnico de 33 anos.

Ainda antes da realização do teste, o treinador ligou para a linha de apoio para os residentes de Ovar, tendo recebido um apoio imediato e tendo sido marcada uma consulta. Após o diagnóstico, mantiveram-se atentos à possível subida da febre, algo que acabou por não acontecer.

"Repetimos o teste na sexta-feira, mas ainda não temos o resultado, mas mantemos contacto com os médicos. Uma das recomendações é ficar em casa e só ir ao hospital em caso de urgência. Como este tipo de sintomas se cura em casa, não expomos ninguém e também não nos expomos e vamos recuperando no conforto do lar", prosseguiu.

Apesar de ainda não ter a confirmação oficial do último teste, o treinador sente-se curado, à exceção da perda de olfato, que deverá recuperar num futuro próximo, garantindo que nesta altura está "completamente tranquilo".

"Tirando a perda de olfato e algum cansaço, hoje estou bem. Não me dói o corpo, nem a garganta, não tenho febre e durmo tranquilo. Não tenho qualquer complicação que me faça estar alarmado. Só quando o último exame der negativo é que tenho a certeza que não contagio mais ninguém", indicou.

O ‘timoneiro’ dos vareiros falou do "ambiente pesado" que circula no concelho que tem uma cerca sanitária estabelecida desde 18 de março, algo que "provoca alarmismo" nos habitantes, tal como o número de casos que vai aumentando a cada dia, explicado também pelo aumento de testes na população.

"O que preocupa os habitantes são as pessoas mais débeis e que têm problemas de saúde. Neste momento, vejo uma cidade preocupada mas com um ótimo sentido de missão. Os habitantes de Ovar são pessoas de raça e determinadas, o que nos caracteriza é essa determinação na forma como encaramos os problemas e adversidades", vincou.

Há cerca de três semanas sem futebol, a formação de Tiago Leite mantém-se em quarentena, jogadores e familiares não acusam qualquer tipo de sintomas e o contacto continua a ser diário graças às redes sociais, com o foco a estar no regresso à competição e, principalmente, na conquista da Taça de Aveiro para a oferecer aos adeptos.

"Subimos este ano para a divisão de elite de Aveiro e sempre que a disputamos, descemos. Este ano, além de assegurar a manutenção, estávamos em segundo lugar, um campeonato histórico, juntamente com a presença nas meias-finais da Taça de Aveiro. O desejo do grupo é que a Taça seja reatada para que possamos dar um prémio à cidade. Vencer a Taça seria algo grandioso e é essa a nossa ambição", destacou o treinador do clube que, no passado, já disputou a II Liga.

Para terminar, Tiago Leite quis deixar ainda uma mensagem e apelo pessoal para os adeptos e habitantes do concelho, para que mostrassem a "raça vareira" e a "determinação" que os caracteriza face à adversidade.

"Quero dizer às pessoas que quando estão saudáveis e não têm dificuldades a nível de saúde, isto cura-se bem. Na maioria dos casos, isto é algo que se ultrapassa, é importante ficar em casa e respeitar o que nos é solicitado pela Direção-Geral da Saúde. São dois ou três dias maus, mas depois ficamos bem. A mensagem que quero passar é mantenham-se tranquilos, com esperança e espírito positivo, porque dessa forma conseguimos ultrapassar isto", apelou.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 727 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram perto de 35 mil.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

Em Portugal, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 140 mortes e 6.408 casos de infeções confirmadas.

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