A seleção de futebol do País de Gales, a terceira mais antiga do Mundo, está a viver o maior momento dos seus 140 anos de história com a presença nas meias-finais do Euro2016, em que vai defrontar Portugal.

Criada em 1876, seguindo o exemplo de Inglaterra e depois Escócia, a formação galesa só por uma vez chegou a uma fase final de uma grande competição, no Mundial de 1958, na Suécia, tendo na altura alcançado os quartos de final, no que era o maior feito do futebol desse país.

Durante décadas, mesmo com figuras como Mark Hughes e Ian Rush, ambos nos anos 80 e 90, e Ryan Giggs, 90 e 2000, a seleção galesa ficou sempre ausente do convívio entre as melhores seleções europeias e mundiais, somando campanhas dececionantes nas fases de qualificação.

Com mais de 30 títulos na carreira, incluindo 13 campeonatos ingleses e duas Liga dos Campeões, Giggs foi durante duas décadas a grande figura do futebol galês, mas terminou a carreira, aos 39 anos, sem nunca ter representado o seu país numa fase final. Disputou os Jogos Olímpicos, em 2012, como ‘capitão’ da Grã-Bretanha.

Giggs, que fez toda a sua carreira no Manchester United, suplantou ‘lendas' como Hughes e Rush, mas, tal como aconteceu aos dois antigos goleadores, é um questão de tempo até ser ultrapassado por outro esquerdino, Gareth Bale.

Aos 26 anos, o jogador nascido em Cardiff já leva 60 internacionalizações, menos sete do que Giggs, e já ultrapassou o número de golos do lendário número ‘11', somando 22 contra 12.

Na história do futebol desse país vai ficar para sempre também o desaparecimento de Gary Speed, o segundo mais internacional de sempre (85 jogos), que se suicidou em 2011, numa alturar em que ocupava o cargo de selecionador.

No Euro2016, o antigo médio de Leeds United e Newcastle tem sido recordado nas bancadas pelos adeptos galeses em todos os jogos em que participaram e, para os mais ‘supersticiosos', começa a ser um dos fatores que levou o País de Gales longe na competição.

Num dos episódios que mais chocou o futebol britânico nos últimos anos, Speed, com apenas 42 anos, enforcou-se na sua casa, em novembro de 2011, horas depois de ter participado como comentador num programa televisivo.

Passados dois meses, em janeiro de 2012, Chris Coleman, antigo defesa central que terminou a sua carreira com 32 anos devido a ter partido a perna num acidente de viação, assumiu o comando do País de Gales, que ocupava o 117.º lugar do ranking FIFA, e revolucionou o futebol local.

Em quatro anos, a seleção do ‘dragão vermelho' chegou a oitava da hierarquia mundial (atualmente é 26.ª) e apurou-se finalmente para uma fase final de uma grande competição, com o segundo lugar do Grupo B de qualificação para o Euro2016, atrás da Bélgica, mas à frente de Bósnia-Herzegovina e Israel.

A campanha do País de Gales em França tem sido absolutamente inesperada para a Europa de futebol, mas também para antigos jogadores, como Dean Saunders, que passou pelo Benfica entre 1998/99.

O antigo avançado, que conta 75 internacionalizações e 22 golos, foi contratado como comentador da BBC para o torneio, mas após a derrota com Inglaterra (2-1) confessou que apenas tinha viajado para Paris com uma mala de mão e deixado o carro no parque de estacionamento do aeroporto de Birmingham, porque esperava que a seleção galesa ficasse pela fase de grupos.

"Já tive que andar a lavar roupa e pelos visto vou pagar mais de 1000 euros de parque. Mas não me importo. Isto é incrível. É algo inacreditável", disse o antigo jogador, agora com 52 anos, aos microfones da BBC após o jogo com a Bélgica.

O Portugal-País de Gales está agendado para quarta-feira, às 21:00 locais (20:00 horas de Lisboa), no Estádio de Lyon, com o vencedor a rumar à final, para defrontar domingo, em Saint-Denis, a anfitriã França ou a campeã mundial Alemanha.

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