A “falta de tempo” para trabalhar com os jogadores é a maior dificuldade dos selecionadores em comparação com os treinadores dos clubes, concordaram hoje os técnicos nacionais de futebol de Venezuela e Guiné-Bissau, José Peseiro e Baciro Candé.

Os dois selecionadores fizeram parte do painel de um seminário online, promovido pela União dos Treinadores de Futebol dos Países Lusófonos (UTFPL), no qual abordaram, entre outros temas, as diferenças entre orientar uma equipa nacional ou um clube.

“Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Num clube temos condições de projetar uma ideia e prepará-la, programá-la e usar o tempo de treino para a colocar em prática, de uma forma que na seleção não conseguimos”, disse o atual selecionador da Venezuela, José Peseiro.

O antigo técnico do Sporting apontou, ainda, a dificuldade de aprofundar o conhecimento dos jogadores de uma seleção, porque só os conhece quando os “treina realmente”.

“Treinar uma seleção é mais aproximarmo-nos da realidade e, com três ou quatro dias de treino, pegar no mais sólido e consolidado que a equipa tem e agarrar ponto a ponto o que posso fazer”, descreveu José Peseiro.

Os “três ou quatro dias” mencionados por Peseiro são, no entanto, um ‘luxo’ do qual as seleções africanas nem sempre beneficiam, conforme testemunhou Baciro Candé, ao recordar uma deslocação da Guiné-Bissau para uma partida na Zâmbia.

“Não fizemos um treino. Os jogadores saíram dos países onde jogavam e encontrámo-nos todos na Zâmbia. O último jogador chegou à hora em que a equipa estava a fazer o reconhecimento do relvado”, recordou sobre uma partida que a Guiné-Bissau “perdeu por 2-1”.

O treinador, que conduziu a Guiné-Bissau pela primeira vez à fase final da Taça das Nações Africanas (CAN) em 2017, referiu ainda: “Às vezes, os jogadores chegam à concentração, tem de ser avaliado o nível em que vêm e aquele em que o jogador se encontra para perceber o que podemos fazer na competição. Portanto, essa é a maior dificuldade: ter pouco tempo para agrupar, fazer treinos e planificar, como nos clubes.”

O seminário promovido pela UTFPL foi subordinado ao tema 'Desafios do Treino de Alto Rendimento' e teve a moderação de Henrique Calisto e a participação, ainda, do brasileiro Márcio Máximo.

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