Sejamos sinceros. O Benfica pouco fez para chegar aos oitavos de final da Liga dos Campeões. E mesmo não estando matematicamente afastado da corrida - bem pode agradecer ao CSKA, que venceu em Basileia - só um milagre pode agora salvar a equipa de Rui Vitória, que sai de Old Trafford com uma derrota por 2-0, no jogo em que mais fez para que isso não acontecesse. Mile Svilar voltou a estar ligado a um golo do Manchester United, desta vez sem culpas no cartório, e Blind, de grande penalidade (a segunda da noite para os 'red devils'), fechou as contas. No meio de tudo isto, ainda houve De Gea e um poste...

À semelhança do que aconteceu há duas semanas, na Luz, Rui Vitória voltou a apostar num 4x3x3, deixando Jonas (melhor marcador da equipa e do campeonato, nunca é demais referir) e Seferovic no banco de suplentes, com Raúl Jiménez como única referência atacante. No miolo, destaque para o regresso de Pizzi à titularidade, que formou um trio com Fejsa e... Samaris.

Sim, o jogo nem sequer tinha começado e o treinador dos ‘encarnados’ já fazia a primeira alteração (forçada) na equipa titular, devido a uma lesão de Filipe Augusto durante o aquecimento. Sem Luisão, o técnico recorreu a Jardel para fazer dupla com Rúben Dias no eixo da defesa, enquanto Douglas ocupou a vaga de André Almeida, a cumprir o segundo jogo de castigo.

José Mourinho, já a pensar na visita a Stamford Bridge, surpreendeu ao lançar o jovem Scott McTominay para fazer dupla com Nemanja Matic no meio-campo do Manchester United. Lukaku, Martial, Lingard e Mata compõem o ataque dos ‘red devils’.

Logo aos 3 minutos, Smalling, pressionado por Jardel, quase fazia autogolo na sequência de um canto dos ‘encarnados’. Valeu DeGea, que estava atento, a segurar o esférico. Pouco depois, Anthony Martial, de livre direto, atirou por cima da trave da baliza defendida por Mile Svilar, e Samaris (9’) respondeu com um remate rasteiro, de fora da área, mas ao lado do poste direito.

O Benfica, que estava obrigado a vencer para não dizer, pelo menos para já, adeus à Champions, entrou bem na partida, com iniciativa, bola, e em constantes trocas de posição a confundir os homens de José Mourinho. A equipa da casa, contudo, não baixava os braços e foi numa jogada perigosa dos ingleses que Douglas, caído na área e sem argumentos para travar Martial, defendeu literalmente a bola com a mão. Grande penalidade para o Manchester United. O árbitro, contudo, falhou ao não assinalar uma falta anterior sobre Pizzi, na grande-área adversária.

Chamado a converter, Martial atirou rasteiro para a defesa de Svilar – terceiro penálti defendido esta temporada na Liga dos Campeões –, a advinhar o lado e a afastar para canto, e seis milhões de benfiquistas respiraram de alívio. O jovem guardião redimia-se do erro de há duas semanas, precisamente contra a equipa que havia beneficiado dele.

Dois minutos depois, foi a vez de De Gea mostrar serviço: grande remate de Diogo Gonçalves, , que vem da direita para o meio e atira em arco para uma excelente estirada do espanhol. Aos 24’, o público de Old Trafford volta a gritar penálti, por queda de Juan Mata após choque com Fejsa, mas o lituano Gediminas Mazeika manda seguir.

À passagem da meia-hora, o perigo voltava a a rondar a baliza de Svilar: cruzamento de Martial para a área, com Lukaku a ganhar nas alturas e a cabecear por cima da trave. Quando tudo parecia encaminhado para o nulo ao intervalo, eis que Matic (45’) remata à entrada da área, com a bola a bater no poste esquerdo e depois nas costas do guardião belga, antes de entrar na baliza. Contrariamente ao que aconteceu na Luz, a UEFA decidiu atribuir o golo ao jovem, de 18 anos, desta vez sem qualquer culpa no lance. O sérvio, de resto, não festejou o golo contra a antiga equipa.

O Manchester United ainda dispôs de uma excelente oportunidade para fazer o 2-0, na sequência de um erro de Samaris, mas Svilar, frente a frente com Lukaku, evitou o pior.

A segunda parte começou com uma mudança no lado dos ‘red devils’ – Mkhitaryan entrou para o lugar de Lingard – o que contribuiu para colocar um travão na intensidade do jogo. Aos 57’, Jiménez rematou forte à entrada da área para uma defesa segura de De Gea – convém não esquecer que o espanhol ainda só por uma vez foi batido na Champions. Pouco tempo depois, mais um grande momento de Diogo Gonçalves, a deixar Darmian pregado ao chão com uma finta, mas a não conseguir levar a melhor sobre o dono da baliza do United.

A melhor oportunidade do Benfica em todo o encontro chegou ao minuto 64, com uma bola enviada ao poste por Raúl Jiménez, após recuperação de bola na primeira fase de construção dos 'red devils'. Valeu a ação de Smalling, a pressionar o ponta de lança mexicano. Nesta altura, Rui Vitória já tinha lançado Eliseu para o lugar de um muito queixoso Grimaldo, fazendo entrar mais tarde Seferovic (74'), por troca com Jiménez.

Ao minuto 77, novo penálti para o Manchester United: Markus Rasford, acabado de entrar, ultrapassou Samaris e Rúben Dias e acabou por ser derrubado pelo grego na área. Chamado a converter, Blind atirou para o meio da baliza, com Svilar a desviar-se para o lado esquerdo. Estava feito o 2-0 e praticamente confirmado o adeus do Benfica à Champions. Na mesma altura, a mais de 1200 quilómetros do 'Teatro dos Sonhos', o CSKA colocava-se em vantagem frente ao Basileia, o que devolvia a esperança, ainda que muito ténue, aos 'encarnados'.

Rui Vitória arriscou tudo e lançou Jonas para o lugar de Pizzi, mas o melhor que o brasileiro conseguiu foi um cruzamento para Salvio (88'), que cabeceou diretamente para as mãos de De Gea. Feitas as contas do Grupo A, o Benfica continua sem pontuar na Champions, mas, por incrível que pareça, continua vivo na prova. 'Ligado às máquinas', é certo, mas vivo.

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