José Mourinho abdicou de recorrer para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS) da decisão do Comité de Recursos da UEFA, que em julho diminuiu parcialmente o seu castigo pela expulsão na primeira mão das meias-finais da última Liga dos Campeões.

Após a expulsão no primeiro jogo com o FC Barcelona, no estádio Santiago Bernabéu, o treinador do Real Madrid foi punido com cinco jogos de suspensão, um deles com pena suspensa por três anos, e 50.000 euros de multa.

Depois de o Comité de Recursos da UEFA ter reduzido o número de jogos de suspensão efetiva para três, mantendo a multa e aumentando para dois os encontros com pena suspensa, o técnico anunciou a intenção de apelar para o TAS.

Em entrevista à agência Lusa, assumiu agora que o processo fica por aqui: «Não recorro. Já tive uma vitória que não esperava, já tive uma vitória que significa muito, muito, muito para mim».

José Mourinho voltou a lançar críticas ao modo como foi julgado: «É um tribunal que não é um tribunal na verdadeira aceção da palavra, não é um tribunal democrático, não é um tribunal onde tu te possas defender de um modo livre, equilibrado, em igualdade de circunstâncias com quem te acusa».

A redução parcial da pena tem para si «um significado tremendo», pois teve «a satisfação pessoal de ver reduzido um castigo que já era proposto aumentar», sendo «uma vitória grande, que não podia ser maior porque a UEFA nunca permitiria que fosse uma vitória maior, em termos da redução total do número de jogos».

«Por isso ficamos por aqui», adiantou, recordando que fica com «o prazer de dizer aquilo que lá disse», bem como de mostrar na UEFA «imagens, vídeos e recolhas» que foi fazendo ao longo dos tempos.

Na sequência dos incidentes em que se envolveu após a segunda mão da Supertaça espanhola, em agosto em Barcelona, que lhe valeu ser alvo de um processo de inquérito da federação espanhola (RFEF), afirmou que era vítima de uma campanha em Espanha.

Sobre que razões estariam por detrás da campanha, referiu: «Basta tentar ser sucinto e dizer uma máxima que todos nós conhecemos que é ‘a união faz a força’. Se nós estivermos juntos somos mais fortes. Nós juntos, ele só, nós mais fortes, ele mais fraco. A união faz a força e ficamos por aqui».

Em comentário ao processo da RFEF, limitou-se a dizer que «para um é falta grave, para outro é falta não grave», enquanto relativamente à UEFA queixa-se de que «existe um regulamento para um e existe um regulamento para os outros».

«A UEFA não aceita o meu recurso de modo a que eu possa ir para o banco numa meia-final da ‘Champions’ e aceita o recurso de outro treinador, castigando-o dois dias depois do jogo que era fundamental para a qualificação da sua equipa. E pronto, tenho que viver assim, sem dramatismos, umas vezes rindo, outras vezes protestando e continuamos», lamentou.

Segundo Mourinho, as imagens de televisão que levaram a RFEF a abrir um processo após o jogo de Camp Nou «mostram aquilo que mostram», mas «não mostram aquilo que se foi acumulando e que foi contribuindo» para o caso.

«Como eu dizia anteriormente, há gente que vive bem na escuridão, há gente que trabalha bem nos locais onde se pode esconder, onde se pode falar com a mão a esconder a boca, onde se pode falar na escuridão dos túneis, onde se pode fazer muita coisa sem ser visto. Há outros que, quando o fazem, fazem-no sem esconder e fazem-no de modo a que toda a gente veja», afirmou.

No entanto, sublinha que não quer ficar absorvido por esta questão: «Quero estar o mais disponível possível para fazer o meu trabalho e o meu trabalho é treinar, o meu trabalho é jogar, é aquilo que me apaixona, é aquilo que eu gosto de fazer e sem o qual não estou nunca contente. Por isso, treinemos e joguemos e tentemos melhorar as coisas».

Lamenta, no entanto, que a imprensa tivesse dado destaque de primeira página às críticas que lhe são feitas por «um treinador que ninguém conhece» e que «na semana passada teve o privilégio de ser despedido duas vezes em quatro meses», enquanto dava menor importância aos elogios que lhe foram feitos por Alex Ferguson.

«O treinador mais histórico do futebol mundial, na minha opinião, que é o Ferguson, diz ‘Mourinho um tipo sério, Mourinho um tipo honesto, Mourinho um bom amigo, Mourinho um tipo com humor, Mourinho um tipo que se ri, que se diverte comigo e que se ri de si próprio e que se ri de mim e com quem falamos e com quem comunicamos e com quem temos uma relação incrível’, um dos meus melhores amigos no mundo do futebol, há países em que nem na primeira página, nem na última», disse.

Segundo Mourinho, a campanha contra si existe e «está bem organizada», mas dá-lhe «um gozo grande» e é «uma motivação» para si, porque na sua carreira tem de «ir à procura de novas motivações».

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