Inacreditável!!! O Rio Ave esteve à beira de afastar o poderoso AC Milan e entrar na fase de grupos da Liga Europa pela segunda vez, mas os Deuses do futebol nada quiseram com a equipa vila-condense, no jogo mais importante dos seus 81 anos de história.

Os rioavistas começaram a perder mas do banco saltaram os ex-Sporting Francisco Geraldes e Gelson Dala para fazer a reviravolta, até que, aos 120 minutos, Borevkovic  fez um penalti infantil e atirou o jogo  para as grandes penalidades. Aí, após 24 pontapés, os italianos foram mais competentes e converteram nove contra oito dos lusos. O Rio Ave teve três oportunidades para seguir em frente mas falhou. Restam apenas Benfica e SC Braga na fase de grupos, cujo sorteio se realiza esta sexta-feira.

Futebol sem balizas na 1.ª parte

O resumo da primeira parte é fácil: sem golos, sem oportunidades, pouco futebol. Mário Silva entrou numa espécie de 3-5-2, com Bruno Moreira sozinho na frente, apoiado de perto por Piazón (sempre longe da baliza) e um meio-campo que ganhava velocidade e imprevisibilidade por Mané na esquerda e profundidade e largura por Ivo Pinto no lado contrário, em processo ofensivo. Diego Lopes, Filipe Augusto e Tarantini no meio tinham a missão de condicionar o jogo do AC Milan nessa zona, obrigando os italianos a tentarem sair pelas alas.

Sem Ibrahimovic e Rebic, lesionados, Stefano Pioli colocou no jovem Daniel Maldini, (filho de Paolo Maldini, neto de Cesare Maldini, lendas no AC Milan) a missão de liderar o ataque, ajudado por Saelemaekers e Castillejo, com Çalhanoglu por perto. Mas os lances de perigo só chegavam em lances de bola parada batidas pelo turco, um especialista, mas sempre fora do alvo.

O Rio Ave tinha dificuldades em ter bola, como gosta, em sair com a bola com toques curtos paraa chegar-se mais a frente porque o AC Milan pressionava muito. E quando os de Mário Silva conseguiam queimar linhas, iam sempre com poucos elementos.

Reviravolta guardada no banco por dois ex-Sporting

No segundo tempo, Stefano Pioli trocou o apagado Castillejo pelo explosivo Brahim Díaz, que, recuado, tentava pegar no jogo e acelerar. Aos 50 arrancou desde o meio-campo, tabelou com Çalhanoglu mas viu o seu remate ser bloqueado. Na sequência do canto, a bola chegou ao jovem belga Saelemaekers que rematou rasteiro, fazendo o 1-0. Primeira oportunidade, primeiro golo.

Cresceu o AC Milan no jogo, a ter mais tranquilidade em chegar a área. Já o Rio Ave só criou um lance de verdadeiro perigo aos 57 minutos, num cabeceamento de Tarantini para fora, após canto.

Mário Silva precisava de ter mais bola e trocou Diego Lopes por Francisco Geraldes aos 66 minutos, na mesma altura em que Pioli trocou Maldini pelo português Rafael Leão. Uma mexida acertada pelo técnico campeão europeu de sub-19 pelo FC Porto já que o ex-Sporting faria o empate aos 72 minutos. Mané desceu pela esquerda, combinou com Piazón que deixou para um remate fortíssimo de Francisco Geraldes para o 1-1.

Nessa altura o Milan já dava sinais de falta de frescura física. Aproveitou Mário Silva, treinador do Rio Ave, para trocar Tarantini por Jambor, um homem mais fresco na zona central. O Rio Ave estava melhor, o Milan, conservador, ia vendo o que o jogo dava, sem conseguir sair para a frente. Mesmo assim Çalhanoglu fez tremer Vila do Conde com um remate potente aos 85 minutos que passou muito perto do poste.

Para os minutos finais, Mário Silva lançou Gelson Dala para a frente, no posto do desgastado Bruno Moreira, numa altura em que já se pensava em tempo extra. Aí era essencial explorar a velocidade e criatividade do angolano.

Logo no primeiro minuto do prolongamento os vila-condenses deram a volta ao marcador. Gelson Dala ganhou um ressalto, entrou na área e disparou forte, de pé esquerdo, batendo Donnarumma pela segunda vez.

Borevkovic dá uma 'mão', Milan sobrevive após 24 penaltis

Stefan Pioli também refrescou na frente, apostando no jovem Colombo e depois em Tonali para o meio-campo. Mário Silva trocou Mané por Gabrielzinho para explorar a velocidade do brasileiro e tentar matar o jogo. Antes destes mexidas, o Milan esteve muito perto do empate, aos 106 minutos, num livre de Benacer que Kieszek afastou com a ponta dos dedos.

Na segunda parte do prolongamento foi aguentar as investidas do AC Milan. Kieszek defendeu uma bomba de The Hernández e no último minuto do prolongamento, quando a vitória parecia estar assegurada, Toni Borevkovic fez um penalti difícil de explicar, ao colocar mão na bola, na área, sem necessidade. Çalhanoglu, um especialista, empatou aos 121 e atirou o jogo para as grandes penalidades.

Aqui viveu-se mesmo uma grande maratona, numa noite que se fez longa. Podia ter sido histórica já que o Rio Ave teve três oportunidades para marcar e ganhar o jogo mas falhou. As duas equipas converteram os primeiros sete pontapés, mas depois falharam Nelson Monte, Kieszek e Francisco Geraldes, em três situações onde podiam ter dado a vitória. Aderlan falhou o derradeiro remate, dando assim a vitória aos italianos por 9-8 nos penaltis.

Depois de 24 grandes penalidades, é o AC Milan quem entra na fase de grupos da Liga Europa, cujo sorteio se realiza esta sexta-feira. Benfica e SC Braga são os representantes portugueses na prova.

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