Longe do PSG e do Lyon que brilham em Lisboa na 'Final 8' da Liga dos Campeões, o campeonato francês de futebol regressa na sexta-feira após um hiato de cinco meses que não removeu a ameaça da COVID-19 para os clubes.

'Da Liga dos Campeões para a Liga dos Talentos': o slogan do campeonato francês soa um pouco vazio, dias antes do primeiro jogo, pois neste fim de semana alguns dos mais talentosos jogadores da Ligue 1, do Paris Saint-Germain e do Lyon, estarão ausentes devido à sua participação na fase final da Liga dos Campeões, em Lisboa.

Até o Marselha, outro dos grandes de França que deveria começar a nova temporada na noite de sexta-feira, teve que adiar a sua estreia contra o Saint Etienne devido aos casos de COVID-19 entre os seus jogadores.

Assim, o jogo de abertura da nova temporada da competição nacional será entre Bordéus e Nantes, na sexta-feira.

A expectativa é que este nova edição sirva para apagar a decepção que foi a temporada 2019-2020, encerrada abruptamente em março, com muitas jornadas ainda por jogar, devido a pandemia de COVID-19. Um fim abrupto da prova, ao contrário do que aconteceu na maior parte dos campeonatos de futebol.

Se outros países europeus mostraram depois que era possível terminar as suas competições nacionais no início do segundo semestre, seguindo as medidas sanitárias determinadas por cada Governo, a França agora tem que mostrar às nações vizinhas como organizar a 'pós-temporada', apesar de a pandemia de COVID-19 estar novamente a alastrar-se na Europa e no Mundo.

Clubes têm medo

Antes mesmo do primeiro pontapé inicial, o futebol francês já sabe que tem um grande desafio. Mais de metade dos clubes da elite tiveram ou apresentam casos positivos do vírus nas últimas semanas, o que afetou a sua preparação e levou ao cancelamento de vários amigáveis de pré-temporada.

"Os clubes têm grandes receios. Temos medo de ficar numa situação em que, durante três meses, guardamos o carro na garagem sem poder tirá-lo e quando finalmente é possível voltar à estrada, temos o risco de problemas mecânicos a cada cem quilómetros", admite um dirigente da Ligue 1, que não quis identificar-se.

O objetivo será, portanto, limitar essas 'avarias', através de um protocolo médico e de saúde, composto por 57 páginas e que inclui máscaras, distanciamento social e várias medidas à volta de cada jogo para reduzir os riscos de contágio.

Os jogadores serão testados dois a três dias antes de cada jogo, que poderá ser adiado quando quatro casos forem detectados no mesmo clube num intervalo de oito dias, o que seria considerado "circulação ativa" do vírus. E foi isso que aconteceu com o Marselha.

"Mesmo com a melhor das vontades e o melhor sistema médico, e com o melhor controlo, temos riscos que não dependem de nós e que podem causar grandes prejuízos", avisa o presidente de um clube do sul da França, ciente da densidade do calendário.

Ainda sem público nas bancadas

O ânimo e o humor parecem distantes do espetáculo inicialmente esperado no futebol francês esta temporada para comemorar a chegada do grupo de imprensa Mediapro, a nova detentora dos direitos dos jogos da prova, que garantirá aos clubes grandes quantidades de dinheiro nos direitos de transmissão televisiva, num momento de especial 'seca' financeira.

O início da Ligue 1 de 2020/2021 será discreto por enquanto para a Téléfoot, rede do grupo espanhol com capital chinês, que lançou esta semana os seus pacotes, após as dificuldades para fechar os últimos acordos de distribuição.

A televisão será a forma de acompanhar os jogos para muitos adeptos nas próximas semanas ou meses, visto que neste momento a limitação máxima de 5 mil pessoas pessoas (jogadores, treinadores e trabalhadores do estádio incluídos), decidida pelo governo, continua em vigor no país.

Essa medida pode ser alterada, mas nenhum governo regional quer assumir esse risco.

Lens e Lorient são os recém-promovidos à elite e os favoritos são os de sempre, com PSG como grande nome, em busca do décimo título da liga, com Marselha, Rennes e Lyon tentando arriscar a sua hegemonia, assim como o Mónaco, que contratou o treinador croata Niko Kovac, ex-técnico do Bayern de Munique.

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