
Mais doloroso, era impossível: o Brasil sofreu quatro golos pela primeira vez na história do apuramento sul-Americano para os mundiais, na terça-feira, e o seu algoz foi a grande rival Argentina. A goleada por 4-1 coloca o técnico Dorival Júnior entre a espada e a parede.
O atacante Raphinha, do Barcelona, aqueceu os ânimos antes do clássico ao falar em dar "porrada" nos argentinos.
Mas no campo do estádio Monumental, em Buenos Aires, a Seleção brasileira teve uma apresentação decepcionante e teve que ouvir os gritos de "olé" das bancadas desde os primeiros minutos de jogo.
Julián Álvarez, Enzo Fernández, Alexis Mac Allister e Giuliano Simeone marcaram para os argentinos, enquanto Matheus Cunha descontou para o Brasil, que não contou com Neymar, mais uma vez lesionado.
"Depois dessa vergonha, é preciso mudar tudo, começando pelo Dorival. Não dá para ele continuar a ser o treinador da seleção brasileira porque não sabe mais o que fazer. Foi um massacre", escreveu esta quarta-feira o comentador Walter Casagrande.
As declarações de Raphinha animaram alguns adeptos brasileiros, mas depois da goleada em Buenos Aires, que deixou a Seleção brasileira na quarta posição no apuramento sul-americano, a dez pontos da líder Argentina, as palavras do atacante voltaram-se contra ele.
"O Raphinha entrou em campo? O 'falador' foi o pior jogador em campo no primeiro tempo. Além de se esconder do jogo, errou tudo porque claramente sentiu a pressão e não assumiu o que falou", continuou Casagrande.
- Dorival pede desculpas -
"Peço aqui até desculpas ao adepto brasileiro(...) É uma derrota marcante. Em todos os meus anos e vivência no futebol, talvez seja o momento mais delicado", admitiu Dorival, na conferência de imprensa após o jogo em Buenos Aires.
Dorival Júnior assumiu o comando da Seleção brasileira em janeiro de 2024, após a breve passagem de Fernando Diniz e uma tentativa frustrada de contratar o italiano Carlo Ancelotti, técnico do Real Madrid.
Com os rumores sobre a sua possível demissão e o nome de Ancelotti de volta aos holofotes, Dorival reiterou que "encontrará um caminho" para levantar a equipa.
Na próxima jornada dupla do apuramento, no início de junho, o Brasil visitará o Equador e receberá o Paraguai.
Embora o apuramento para o Mundial de 2026 não esteja exatamente em risco, falta pouco tempo para a Seleção brasileira voltar aos trilhos e encontrar um desempenho à altura da sua história.
Por enquanto, Dorival continua com o apoio dos seus jogadores: "Difícil falar só do Dorival, nós todos podemos fazer melhor. Dividir a culpa e daqui para frente fazer mais, melhorar", disse o capitão Marquinhos após a derrota.
"Tristeza" presidencial
A derrota da Seleção brasileira transcendeu o aspecto desportivo e repercutiu até do outro lado do mundo, no Japão, onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse estar "triste" pela goleada sofrida, durante a sua visita de Estado.
Por sua vez, a ausência do recém-reeleito presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, no Estádio Monumental repercutiu como sinal de um possível "distanciamento" entre a cúpula do futebol brasileiro e Dorival.
"Em momento nenhum ele [Ednaldo] deixou de estar presente, de nos apoiar (...) Teve naturalmente agora esse processo eleitoral", mas "em momento nenhum ele faltou em sentido geral".
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