A Holanda chegava a este campeonato do Mundo como uma das selecções favoritas a conquistar o ceptro mundial, tendo em conta a brilhante campanha de qualificação que fez. Saiu dessa fase 100% vitoriosa, com oito vitórias em oito jogos e principalmente com 17 golos marcados, o que dava uma ideia do seu poderio ofensivo.

Neste campeonato do Mundo, a “Laranja mecânica” não desiludiu nesse capítulo. A equipa de Bert Van Marwijk embora apresentasse uma defesa algo permeável, compensava esse facto com o belo futebol de ataque e concretizador que apresentava, tendo dois executantes que sobressaíam de forma clara: Sneijder e Arjen Robben.

As estatísticas provam isso mesmo: a Holanda foi o segundo ataque mais concretizador da prova (13 golos apontados) e contou com um dos líderes dos melhores marcadores (Sneijder com 5 golos), no entanto foi a quinta defesa mais batida da competição (6 golos sofridos).

Durante a sua caminhada até à final a Holanda só conheceu o sabor da vitória, mas a verdade é que é preciso lembrar que teve um percurso menos complicado que a sua congénere espanhola. Dos vários adversários que encontrou ao longo desta caminhada, o único que enfrentou que envergava o estatuto de favorito foi o Brasil.

Eis as equipas que a “Laranja mecânica” enfrentou até à final:

- Fase de Grupos (Japão. Camarões e Dinamarca).
- Oitavos-de-final (Eslováquia)
- Quartos-de-final (Brasil)
- Meias-finais (Uruguai)
- Final (Espanha)

Olhando para a história dos Mundiais de futebol verificamos que a Holanda já havia alcançado duas finais, precisamente em dois Mundiais consecutivos: Alemanha (1974) e Argentina (1978).

Nessa altura, Cruyff espalhava o perfume do seu futebol pelos relvados Europeus e, em particular, pela Alemanha durante esse Mundial e, volvidos quatros anos, foi Ruud Krol a capitanear a “laranja mecânica” para mais um grande campeonato do Mundo.

Nessas duas ocasiões ficou sempre a ideia de que a Holanda tinha tudo para se sagrar campeã do Mundo, mas acabou sempre por “morrer na praia” aos pés dos anfitriões das provas.

Agora em 2010, 32 anos depois, com um futebol menos vistoso mas apoiado em dois jogadores de visível talento (Sneijder e Robben), a Holanda voltou a chegar à final, mas não cumpriu o dito popular. “À terceira não foi vez” e os comandados de Van Marwijk voltam, mais uma vez, para casa sem o título.

Embora a conquista do ceptro tenho ficado a cargo da Espanha, não se pode dizer que o futebol seja apenas feito dos vencedores, o mérito também é dado aqueles que praticam bom futebol e que maravilham os adeptos. Ao longo deste Mundial ficou sempre a ideia que a Holanda podia não ser uma equipa equilibrada no plano ofensivo e defensivo, mas contribuía de sobremaneira para a espectacularidade dos jogos. O seu “futebol de ataque” contrariou as muitas selecções que a esta prova chegaram para não perder e que aborreciam os adeptos com o seu futebol demasiado calculista.

A Holanda sai sem o título Mundial, mas com a certeza de que fez com que os milhões de amantes deste desporto se apaixonassem um pouco mais por ele.

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