A pandemia de covid-19 ‘esvaziou’ a celebração, chegado mesmo a ameaçá-la, mas a ‘Premier League’ foi mesmo retomada e, com ‘imensas’ sete jornadas por disputar, os ‘reds’ selaram o que há muitos meses se afigurava como inevitável.

Depois de perderem sobre a ‘meta’ o campeonato de 2018/19, os comandados de Jürgen Klopp cumpriram um percurso sensacional em 2019/20, somando, por agora, escassos sete pontos perdidos – duas igualdades e uma derrota.

A ‘seca’ chegou, finalmente, ao fim, depois de três décadas em que, tirando a ‘Premier Legue’, o Liverpool venceu quase todas as provas, incluindo duas ‘Champions’, a primeira em 2004/2005 e a segunda na época passada.

Klopp, que assinou em 08 de outubro de 2015, substituindo Brendan Rodgers, é o grande obreiro deste triunfo, ao ter sabido ter a paciência necessária para construir um conjunto que, em determinadas alturas, chegou a parecer imbatível.

O trio Salah, Mané e Firmino deu ‘alma’ ofensiva à equipa, como o apoio dos laterais Alexandre-Arnold e Robertson, e, na retaguarda, o central Van Dijk comandou a defesa, ao lado de Joe Gomez e à frente do guarda-redes Alisson, outro seguro de vida.

O meio campo também foi fortíssimo, com o ‘capitão’ Henderson, Wijnaldum e Fabinho, num setor mais ‘mexido’, face às muitas opções, como Keita, Chamberlain ou Milner, mais Lallana. Adrian, Lovren, Matip, Shaqiri e Origi também tiveram o seu papel.

O conjunto da Cidade dos Beatles entrou muito forte na prova e venceu os primeiros oito encontros, incluindo um 3-1 ao Arsenal, um 2-1 no reduto do Chelsea e um 2-1 ao Leicester, para ‘cavar’, prematuramente, uma vantagem de oito pontos.

Um empate 1-1 com o United, em Manchester, à nona ronda, não afetou rigorosamente nada o ‘onze’ de Klopp, que continuou imparável e, a meio da prova, à 19.ª ronda, já seguia com mais 13 pontos do que o Leicester, mesmo tendo um jogo em atraso.

O Liverpool só parou nos 18 triunfos consecutivos – da 10.ª à 27.ª jornadas, sendo que apenas disputou o da 18.ª após a 24.ª -, quase uma volta completa, sendo que, após este ciclo, o Manchester City, segundo, estava já a 22 pontos.

Em 29 de fevereiro, data que só aparece no calendário de quatro em quatro anos, os ‘reds’ poderiam bater o recorde da ‘Premier League’ de vitórias seguidas, mas, surpreendentemente, perderam por 3-0 em Watford, deixando fugir a invencibilidade.

O ‘onze’ de Klopp teve, depois, mais dois dissabores, caindo nos ‘oitavos’ de Taça do Rei face ao Chelsea (0-2), e, na mesma fase da ‘Champions’, perante o Atlético de Madrid, ao perder em casa por 3-2, depois de chegar a 2-0 já no prolongamento.

No campeonato, e mesmo não escondendo uma grande frustração pelo adeus à Liga dos Campeões, o Liverpool regressou às vitórias antes da paragem devido ao covid-19 e, já após o reatamento, ainda empatou no reduto do Everton (0-0), mas hoje, com a ajuda do Chelsea (2-1 ao City), selou o cetro 19.

O recorde de 100 pontos do ‘onze’ de Guardiola, em 2017/18, será, até ao final, o grande objetivo dos ‘reds’, que, ausentes das restantes provas, têm tudo para o superar, pois só necessitam de 15 pontos e têm 21 à disposição. O City está a 23 pontos.

Independentemente dos números finais, certo é que ficaram para trás três décadas de frustrações: de 1990/91 a 2018/19, o Liverpool nunca baixou do oitavo posto, mas não foi melhor do que ‘vice’, nessas duas épocas e em 2001/02, 2008/09 e 2013/14.

Entre as muitas ‘estrelas’ que falharam o título, destaque para Steven Gerrard, Michael Owen, Luis Suárez, Fernando Torres, Xabi Alonso, Karl-Heinz Riedle, Robbie Fowler, Steve McManaman, Dirk Kuyt, Milan Barros, Harry Kewell, Fernando Morientes, Paul Ince, Patrik Berger, Stan Collymore ou Nicolas Anelka.

Os portugueses Abel Xavier (2002/03) e Raúl Meireles (2010/11) também passaram por Anfield Road neste período, tal com os treinadores Graeme Souness, Roy Evans, Gérard Houllier, Rafael Benitez ou Kenny Dalglish, o técnico do título de 1989/90.

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