O Manchester United recebe ao início da noite desta quarta-feira o Ipswich Town, a partir das 19h30, em Old Trafford. Será o 23.º jogo de Ruben Amorim ao leme dos Red Devils, 3 meses e 2 dias depois do primeiro, curiosamente frente ao mesmo adversário. O saldo de vitórias não tem sido dos melhores, houve já algumas polémicas pelo meio e a contestação começa a subir de tom.

Os resultados

Tudo começou, então, com um empate 1-1 frente ao Ipswich, fora de portas, na jornada 12 da Premier League. Depois, duas vitórias, nos dois primeiros jogos em casa - uma para a Liga Europa, outra para a Premier League, com direito a goleada: 4-0 ao Everton. Tudo parecia estar a correr bem, embora se tenham seguido as duas primeiras derrotas (fora, com o Arsenal, e em casa, com o Nottingham Forest).

Até porque, logo a seguir, veio uma vitória sobre o vizinho e rival Manchester City, com uma reviravolta épica à beira do fim. Estávamos a meio de dezembro e Amorim era alvo de elogios, com adeptos e comentadores a acreditarem que o português ia recolocar o clube no rumo certo.

Só que, logo a seguir, veio uma série de quatro derrotas consecutivas e seis jogos sem vencer até ao início de 2025. O último jogo dessa série, ainda assim, deu alento: o United empatou 1-1 em Londres com o Arsenal para a Taça e levou a melhor no desempate por penaltis.

Ruben Amorim no final do seu primeiro jogo no Manchester United
Ruben Amorim no final do seu primeiro jogo no Manchester United Ruben Amorim no final do seu primeiro jogo no Manchester United créditos: X/Manchester United

Só que a inconstância de resultados desde aí tem sido grande. Até houve uma série de três vitórias - a melhor de Amorim em Old Trafford até agora - mas houve também derrotas duras e empates amargos.

Ao todo, desde que assumiu o leme do United, Ruben Amorim somou tantas vitórias como derrotas. Em 22 jogos, o saldo é de 9 vitórias, 4 empates e 9 derrotas. Até à sua chegada, em 2024/25, o United levava 7 vitórias, 7 empates e 4 derrotas.

Taça e Liga Europa como tábua de salvação

Os resultados têm sido negativos, sobretudo, na Premier League. Aí, Amorim leva apenas 4 vitórias em 15 jogos (3 empates, 8 derrotas). Quando pegou na equipa, o United estava no 12.º lugar da tabela, com 16 pontos. Neste momento é 15.º, com 30.

Pelo meio ficou também pelo caminho na Taça da Liga, eliminado pelo Tottenham nos quartos-de-final.

Mas há duas tábuas de salvação para Amorim: a Taça de Inglaterra e a Liga Europa, onde o Manchester United ainda segue e que podem valer ao United e a Amorim troféus e um lugar nas provas europeias (até na Champions).

Na Taça de Inglaterra, o United afastou, então, o City e, depois, o Leicester City. Segue-se, na próxima ronda, já neste fim-de-semana, um duelo com o Fulham, de Marco Silva.

E na Liga Europa o percurso, para já, é imaculado: 4 vitórias em 4 jogos e apuramento direto para os oitavos-de-final, onde o adversário vai ser a Real Sociedad.

As polémicas

Entre vitórias e derrotas, houve também algumas polémicas, umas por conflitos com jogadores, outras por algumas palavras em conferências de imprensa, e até um desentendimento com...Ed Sheeran.

As primeiras desavenças foram com Marcus Rashford e Alejandro Garnacho. Amorim deixou ambos de fora do jogo com o Manchester City, em dezembro. "Tentamos avaliar tudo: o desempenho nos treinos, nos jogos, o envolvimento com os colegas de equipa, o incentivo aos colegas de equipa. Tudo está em jogo quando analisamos e tentamos escolher os jogadores. A seleção é minha. Simples", explicou na altura o treinador.

Se com Garnacho houve reconciliação e o argentino voltou à equipa, sendo mesmo titular em algumas partidas desde então, com Rashford a corda partiu mesmo. O internacional inglês falou em "histórias falsas", Amorim em "linhas vermelhas que não podem ser ultrapassadas" e o jogador seguiu para o Aston Villa no mercado de Inverno.

Amorim e Garnacho
Amorim e Garnacho Amorim e Garnacho créditos: AFP or licensors

Polémicas foram também as palavras de Amorim quando disse que esta era talvez a pior equipa da história do Manchester United. Palavras que não terão caído bem junto de alguns jogadores. O treinador acabou por se retractar e admitir: "Por vezes sinto-me frustrado e não devia dizer as coisas nesses termos".

E houve ainda o episódio com cantor Ed Sheeran, logo após o jogo de estreia, onde Amorim terá desde logo percebido que ia para uma realidade diferente daquela a que estava habituado em Portugal.

A contestação

Com as séries de bons resultados a teimarem a não aparecer, Ruben Amorim - que de início foi bem acolhido por imprensa, adeptos e antigos jogadores do United, esperançados de que o português fosse a lufada de ar fresco de que o clube precisava para se reencontrar - começou a ser alvo de críticas e contestação. Ao ponto de se falar já de possíveis sucessores.

"O Manchester United e Ruben Amorim vivem tempos preocupantes. Ele é um treinador jovem e sabia que ia ter um trabalho difícil, mas é muito mais difícil do que alguma vez poderia ter imaginado" disse Gary Neville recentemente, acrescentando: "Pensei que as coisas pudessem melhorar quando o Ruben Amorim chegou, que o entusiasmo com o novo sistema pudesse entusiasmar, mas não temos visto isso. Aliás, temos visto absolutamente o contrário. Tem sido muito pior e isso é surpreendente".

Outra das vozes que se mostrou desiludida foi a de Jamie Carragher, que brilhou no rival Liverpool e é agora comentador desportivo. "Estava super positivo em relação ao Amorim. Adorei as conferências, por ser tão articulado e mostrar tanta confiança. Mas está a ser tão mau!", disse.

Uma contestação crescente e que começa a limitar a margem de manobra que terá sido dada a Amorim quando chegou a Old Trafford. O objetivo, já o reconheceu, é 'sobreviver' até ao final da temporada. Depois, logo se vê...