A três jornadas do fim, nada está decidido na I Liga de futebol no que toca às descidas ao segundo escalão. Se na frente da tabela as posições começam a ficar praticamente definidas, no que toca à luta pela permanência o equilíbrio continua a ser a nota dominante e, do 11.º lugar para baixo, ninguém respira verdadeiramente bem. Aliás, matematicamente nem as equipas que estão do 10.º ao 7.º lugar - Tondela, Beleneses SAD, Moreirense e Santa Clara estão a salvo.

Confira a classificação da Primeira Liga

Esse 11.º lugar é, neste momento, ocupado pelo Gil Vicente, com 35 pontos. A formação de Barcelos encontra-se apenas cinco pontos acima do Boavista, 16.º classificado, posição que esta temporada implica a disputa de um play-off com o 3.º da II Liga por um lugar entre os 'grandes' em 2021/22. E há ainda nove pontos em jogo, que podem mudar muita coisa. O SAPO Desporto faz o ponto de situação, olhando para a classificação e para o que ainda falta jogar.

Fuga à despromoção até ao último segundo

Há muito que não se via tantas equipas envolvidas na batalha pela permanência no escalão principal sem que nenhuma esteja verdadeiramente 'condenada'. Até o Nacional, há muito no último lugar e tendo atravessado uma série de 11 derrotas em 12 jornadas, pode ainda acabar por se salvar. Os madeirenses encontram-se a cinco pontos do 16.º lugar e desse tal acesso ao 'play-off' com o 3.º classificado da II Liga, e a seis pontos do Rio Ave e da salvação direta.

Com nove pontos em disputa até ao final, esta é a situação da luta pela permanência que promete emoção até ao último minuto.

Nacional tenta um último fôlego

A segurar a 'lanterna vermelha' segue, então, o Nacional. Os alvinegros reacenderam as esperanças no que toca à manutenção ao interromperem uma série muito negativa de 10 derrotas seguidas na 29.ª jornada, mas voltaram a perder na 30.ª, ao saírem derrotados da visita a Alvalade e na 31.ª jornada deixaram fugir perto do fim em Moreira de Cónegos uma vitória que podia ser muito importante, acabando por empatar 2-2.

Ainda assim, a formação orientada por Manuel Machado pode continuar a acreditar na manutenção, embora o tal não se adivinhe fácil. Nas três jornadas que faltam, o Nacional recebe o Benfica, visita um concorrente direto na luta pela manutenção, o Famalicão e recebe outro, o Rio Ave, na derradeira jornada.

Farense ainda abaixo da linha de água

A outra equipa em zona de descida direta neste momento é o Farense. Penúltimo classificado, com 28 pontos (mais três do que o Nacional), o emblema algarvio atravessa, contudo, uma série de quatro jogos seguidos sem perder. Tem ainda pela frente uma deslocação ao terreno do FC Porto, já na próxima jornada, mas vai receber o praticamente tranquilo Tondela no seu estádio e uma eventual subida na tabela classificativa está longe de ser uma miragem.

Na derradeira jornada os de Faro visitam outra equipa já bem mais tranquila, o Santa Clara.

Boavista em posição de 'play-off'

No 16.º lugar (com 30 pontos) está então Boavista, apesar de ter sofrido apenas duas derrotas nas últimas sete jornadas. Do calendário dos 'axadrezados' até ao final do campeonato fazem ainda parte duelos com duas equipas que, como eles, lutam pela objetivo da manutenção (Portimonense em casa, Gil Vicente fora), mas na próxima jornada há uma visita a Alvalade e ao Sporting, que pode aí conquistar o título.

A 'salvação direta' não está longe, com o Rio Ave, 15.º, apenas um ponto à frente, mas a descida direta também não: são apenas dois os pontos de vantagem sobre o Farense.

Rio Ave continua sem se encontrar

Na 15.ª posição, a primeiro que assegura a 100% a permanência, está assim o Rio Ave, com 31 pontos. No início da temporada adivinhava-se um campeonato bem mais tranquilo para os vilacondenses, mas estes continuam a desiludir. Apurados para as competições europeias na época passada, ao terminarem no 5.º lugar, não conseguiram, em 2020/21, atingir o mesmo nível. Na 31.ª Jornada o Rio Ave somou o nono jogo seguido sem vencer (seis empates, três derrotas) ao perder com o Sporting e, nos últimos 12 jogos, só ganhou um.

Com o segundo pior ataque da prova (23 golos marcados), o Rio Ave, em casa, só já vai receber o FC Porto. Fora de portas defrontará o Nacional e Santa Clara.

Marítimo recupera, mas volta a quebrar

Depois de algumas jornadas em posição muito delicada, abaixo na 'linha de água', o Marítimo vinha a dar, nos últimos jogos, passos importantes rumo à manutenção entre os 'grandes'. Na última jornada, porém, perdeu em casa com um adversário direto nesta luta pela permanência, o Gil Vicente, e viu chegar ao fim uma série de três vitórias consecutivas, caindo do 12.º para o 14.º lugar, com 33 pontos.

Os maritimistas, que fecham o campeonato com uma visita a um Sporting que, nessa altura, pode já ser campeão, irão ainda receber o Vitória de Guimarães, tendo para a próxima jornada marcada uma deslocação ao terreno do já 'europeu' Paços de Ferreira. O Marítimo, note-se, não desce do escalão principal desde 1984.

Portimonense, Famalicão e Gil Vicente respiram um pouco melhor

Um ponto à frente do Marítimo surge o Portimonense, que contabiliza 34 pontos e só perdeu duas veze nas últimas sete jornadas, depois de terem estado no último posto durante algum tempo. Ainda assim, e apesar de respirar bem melhor do que já respirou, a derrota da última jornada ante o Belenenses SAD deixa a turma algarvia ainda longe de estar tranquila.

Até ao final, o conjunto Portimão joga com mais duas uma envolvida na luta pela permanência, o Boavista, fora de casa, recebendo no seu terreno Moreirense e SC Braga, este na última jornada.

Com os mesmos 34 pontos do Portimonense surge o Famalicão, que continua em franca recuperação na tabela. Equipa sensação da temporada passada, a turma famalicense viveu um arranque de temporada desolador e até há algumas jornadas encontrava-se mesmo em posições de descida. Desde que Ivo Vieira assumiu o comando técnico da equipa, contudo, o cenário mudou, com apenas duas derrotas nos últimos nove jogos, nos quais somou quatro vitórias e três empates, um dos quais em casa do Sporting.

As perspetivas são, pois, boas para a turma de Famalicão, que até ao fim do campeonato já não terá mais nenhum confronto com os quatro da frente, defrontando dois clubes em posição mais tranquila (Vitória de Guimarães e Moreirense) e, além eles, o último classificado, Nacional.

Um ponto à frente do Famalicão está Gil Vicente, que somou o terceiro jogo sem ganhar ao não conseguir ir além do 0-0 na receção ao Farense, vai ainda defrontar outras duas equipas envolvidas na luta pela manutenção (Marítimo, fora, e Boavista, em casa) além de medir forças com Paços de Ferreira e SC Braga, que têm posições mais ou menos definidas na classificação.

Corda bem menos apertada para Tondela, Beleneses

Quantos pontos garantem, afinal, a manutenção?

Não é fácil definir um patamar pontual a partir do qual as equipas estarão a salvo, sobretudo com tantos clubes separados por tão poucos pontos. Matematicamente, e havendo ainda nove pontos em disputa, apenas até ao Vitória Guimarães, 6.º classificado com 42 pontos, as equipas estão a salvo, pelo que Santa Clara, Belenenses SAD e Moreirense, todos igualados no  7.º lugar com 37 pontos, e Tondela, 10º, com 36, não têm ainda a manutenção garantida, embora tenham a corda bem menos apertada.

Olhando para os pontos com que o 16.º classificado terminou o campeonato nas anteriores temporadas, vemos que na última época o Vitória Setúbal (que até acabaria por descer na secretaria), foi antepenúltimo com 34 pontos. Em 2018/19 o 16.º foi o Desportivo de Chaves, com 32 pontos (desceu diretamente, pois desciam os três últimos) e em 2017/18 foi o Feirense a ficar nessa posição, com 31 pontos (nessa época só os dois últimos desciam de divisão).

Na temporada de 2016/17, 32 pontos salvaram o Tondela (apesar de em igualdade pontual com o Arouca, que desceu) e em 2015/16 foram 30 pontos os pontos que chegaram ao mesmo Tondela, também aí o primeiro acima da linha de água. Na época anterior, 2014/15, o 16.º foi o Arouca, com 28 pontos.

Quer isto dizer que, desde que a I Liga voltou a ser composta por 18 equipas, nunca uma equipa com mais do que 34 pontos ficou abaixo do 15.º lugar. Pode, então, ser esse o registo a apontar. Se assim for, o Gil Vicente, 11.º com 35 pontos, também já pode dormir descansado...

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