No início do século XX nasceram dois clubes que deram início à maior rivalidade do futebol português: O duelo eterno entre Sporting Clube de Portugal / Sport Lisboa e Benfica. Essa mesma rivalidade é hoje em dia transversal a todas as modalidades, mas é no futebol que ela tem mais eco. Ainda assim, muito desconhecem de onde vem essa animosidade.

A origem da rivalidade

A rivalidade tem origem em 1907, quando oito jogadores do Benfica se transferiram para o Sporting CP, clube visto como mais abastado, em busca de melhores condições de trabalho. José da Cruz Viegas, Emílio de Carvalho, Albano dos Santos, António Couto, António Rosa Rodrigues, Cândido Rosa Rodrigues, Daniel Queirós dos Santos e Henrique Costa saíram do então denominado Sport Lisboa e rumaram ao Campo Grande. Umas das razões para a troca foi o facto dos “leões” terem já na altura um campo próprio algo que não acontecia com o rival. No confronto entre os dois clubes fica para a história a vitória dos “leões” por 2-1, naquele que ficou conhecido como o dérbi eterno. Daí para cá mais de cem anos passaram desde o início de uma rivalidade que é mais do que uma disputa desportiva, mas se tornou também uma questão de identidade. O rival da Luz sempre foi chamado de Clube do povo, e sempre teve uma ligação aos estratos sociais mais baixos. O Sporting sempre foi visto como um clube mais elitista, embora seja transversal a todas as zonas do país.

Eusébio da Silva Ferreira

Os anos 60, em plena ditadura do Estado Novo, os dois clubes ficaram marcados por outra história. A luta por um jovem moçambicano, chamado Eusébio da Silva Ferreira. O negócio ficou marcado pela polémica, uma vez que o menino de 17 anos que jogava no Sporting de Lourenço Marques tinha tudo tratado para se transferir para o Sporting Clube de Portugal. No entanto, os dirigentes do Benfica foram buscar o jogador ao Aeroporto e levaram-no para um hotel, pelo que o jogador já não assinou pelo Sporting. Eusébio acabaria por se tornar o símbolo do rival da segunda circular.

Pacheco e Paulo Sousa

Naquele que ficaria conhecido como o verão quente de 1993, Paulo Sousa e Pacheco trocaram o Benfica pelo Sporting. Sousa Cintra, que era na altura o presidente do Sporting, tinha anunciado que Futre estava de volta ao clube que o tinha formado, mas depois de uma reviravolta o jogador acabou por assinar pelo clube da Luz. Alguns meses depois, com o agravar da situação financeira do Benfica, Paulo Sousa e Pacheco, que alegaram não estar a receber o ordenado a tempo e horas, rescindiram o contrato com o Benfica e transferiram-se para o Sporting. Nesse mesmo defeso, Sousa Cintra ainda tentou ir buscar João Vieira Pinto e Rui Costa, mas os jogadores acabariam por permanecer na Luz.

Presidência de Bruno de Carvalho

Bruno de Carvalho não deu tréguas aos rivais enquanto assumiu a presidência do Sporting. O agora ex-presidente dos “leões” começou por atacar Pinto da Costa e o FC Porto mas depois virou “agulhas” para o Benfica e para Luís Filipe Vieira.

A presidência de Bruno de Carvalho no Sporting deu azo a alguma controvérsia no futebol português. Uns consideraram-no um incendiário, sobretudo os adeptos dos clubes rivais, outros um acérrimo defensor do clube e um lutador contra a bipolarização do futebol português entre Benfica e FC Porto.

Mudança de Jorge Jesus para Alvalade 

Depois de seis anos na Luz, a mudança de Jorge Jesus para Alvalade incendiou uma rivalidade que estava algo adormecida. Em final de contrato com o clube “encarnado”, e pouco depois de ter assegurado o bi-campeonato, o técnico de 61 anos acabou por assinar com o rival da segunda circular. Depois de oficializado o negócio, o Benfica acabou por retirar a éfigie de Jorge Jesus instalada no loja do clube encarnado.

Jorge Jesus abandonou entretanto o comando técnico do Sporting para rumar à Arábia Saudita, onde assumiu o controlo do Al-Hilal.

*Artigo publicado originalmente a 1 de dezembro de 2015

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