“Quanto escrevi o livro foi para relatar factos. Não tinha consciência de que poderia dar origem a um processo destes”, explicou Carolina Salgado depois de confrontada com a leitura da acusação e pronúncia segundo as quais está acusada de difamação agravada ao advogado Lourenço Pinto.

Na obra, a arguida terá feito “referências a Lourenço Pinto [advogado de Pinto da Costa] que não correspondem à verdade, sendo totalmente falsas”, leu o juiz-presidente do processo Rafael Azevedo.

Entre outras informações, terá escrito que “foi Lourenço Pinto quem avisou Valentim Loureiro e Pinto da Costa que iam ser visitados pela Polícia Judiciária”, no âmbito do processo Apito Dourado; uma informação que Carolina diz “ser verdadeira, não obstante Lourenço Pinto ter dito que é tudo mentira”.

Sobre alguns dados contraditórios, entre o livro e uma entrevista publicada por um semanário, a arguida considera que “a jornalista deturpou” o que foi dito.

Durante a sessão de hoje, na qual Carolina Salgado voltou a comparecer depois de ter estado ausente na última sessão de julgamento alegando motivo de doença, a antiga companheira do líder do FC Porto foi ainda confrontada com o processo em que está acusada de falso testemunho, relacionado com declarações sobre o chamado ‘Caso da Fruta’ do Apito Dourado.

Segundo a acusação hoje lida, Carolina terá referido no Tribunal de Instrução Criminal do Porto que ouviu uma conversa telefónica entre Pinto da Costa e António Araújo em que “estavam a escolher prostitutas” para árbitros usando “nomes de código” como “fruta” e “café com leite”.

Contudo, alega o Ministério Público que a arguida não poderia ter ouvido a conversa em causa (alvo de escuta) porque à hora em que decorreu, antes do jogo FC Porto-Estrela da Amadora (Janeiro 2004), Carolina não se encontrava junto de Pinto da Costa.

A arguida explicou ter de facto ouvido uma conversa, mas não “aquela que consta dos autos”, já que Pinto da Costa tinha mais do que um número de telefone pois “sabia ter um telefone sob escuta”.

“Para conversas que não queria que fossem ouvidas [Pinto da Costa] usava outro telefone”, clarificou a arguida.

O julgamento prossegue quinta-feira, pelas 14:00, no Tribunal de São João Novo, prevendo-se que Carolina Salgado continue a prestar declarações. Estão ainda convocadas as testemunhas Paulo Lemos, Rui Paceira e a irmã Ana Salgado que deverá participar por vídeo-conferência.

Neste julgamento Carolina responde ainda pela ofensa à integridade física qualificada, na forma tentada, ao médico Fernando Póvoas e por alegadamente ter, em 2006, mandado incendiar os escritórios de Pinto da Costa e do seu advogado Lourenço Pinto.

O presidente portista é arguido apenas num dos seis processos, estando acusado de dar duas bofetadas à ex-companheira, em Março de 2006.

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