Os dedos de uma mão são suficientes para contar os anos de Bruno Carvalho na presidência do Sporting, cinco, mas não chegam para enumerar todas as polémicas de um mandato que revolucionou o clube.

Foi em 2011 que a grande maioria dos sócios começou por ouvir pela primeira vez o nome do empresário. Com um passado discreto ligado ao hóquei em patins do clube e passagens pelas claques, Bruno de Carvalho tinha como principal cartão de visita a presidência da Fundação Aragão Pinto. No entanto, a irreverência e a vontade de rutura com o passado recente cativaram muitos adeptos.

Apresentou-se como candidato à presidência do Sporting em 2011 e acabou por sair derrotado por cerca de 300 votos por Godinho Lopes, numas eleições marcadas pela controvérsia, por anúncios de vitória que não se confirmariam e recontagens que mudariam o rumo eleitoral já a madrugada ia longa. Mas não foi longa a espera para concretizar o sonho da sua vida.

A derrota dessa noite colocou-o também como favorito num futuro que se revelou bastante próximo. Em 23 de março de 2013, Bruno de Carvalho venceu José Couceiro e Carlos Severino e tornou-se o 42.º presidente do clube, e pouco ficaria na mesma no Sporting, com a mudança a verificar-se em quase todas as áreas.

O estilo algo truculento e polarizador, impregnado da paixão de adepto, foi uma das primeiras marcas. No entanto, com o clube mergulhado numa profunda crise desportiva e financeira, o jovem presidente - eleito com 41 anos - avançou com uma reestruturação financeira. Reduziu o passivo, renegociou a dívida, apertou o cinto nos gastos e devolveu um rumo aos ‘leões’.

No futebol, o grande motor do clube, viu o clube terminar no sétimo lugar - a sua pior classificação de sempre -, mas deu passos sólidos para o reerguer. Primeiro, foi Leonardo Jardim, que devolveu a equipa aos lugares da ‘Champions’ em 2013/14; depois, chegou Marco Silva e a conquista da Taça de Portugal de 2014/15; por fim, a aposta total em Jorge Jesus.

Pelo caminho abriu guerras contra quase tudo e quase todos: o Benfica, o FC Porto, a Federação Portuguesa de Futebol, a Liga de clubes, fundos de investimentos, empresários, antigos presidentes do Sporting, adeptos do próprio clube e a comunicação social. Os alvos foram variando ao longo do tempo, mas todos foram objeto de palavras duras, muitas vezes através do Facebook, um traço distintivo em relação aos outros presidentes de clubes.

No meio de todos os combates, declarou sempre a defesa intransigente dos interesses do Sporting e foi também em nome do seu crescimento que se envolveu noutras batalhas fora do relvado, como a construção do Pavilhão João Rocha. Do sonho adiado à realidade foram precisos pouco mais de quatro anos na presidência, culminados com a inauguração em junho de 2017.

A nova casa das modalidades ‘leoninas’ é a face mais visível da aposta reforçada no ecletismo do clube e que já se traduziu em vários títulos no atletismo, hóquei em patins e andebol, tendo também decretado o regresso do voleibol sénior ao clube mais de 20 anos após a sua extinção. A competitividade e a ambição das equipas foram as imposições de Bruno de Carvalho.

Ainda antes, em março de 2017, foi reeleito para um novo mandato com uma vitória arrasadora nas eleições frente a Pedro Madeira Rodrigues, recolhendo mais de 86% dos votos. Uma demonstração de confiança que o presidente exigiu ser renovada apenas um ano depois em Assembleia Geral (AG).

No início deste ano, a alteração de estatutos e a mudança no regulamento disciplinar do clube, conferindo mais poder à direção por si liderada, foram criticadas por opositores numa AG que ficou a ‘meio’. Num momento em que a equipa de futebol ainda festejava a vitória inédita na Taça da Liga, Bruno de Carvalho chamou a si todas as atenções e colocou a sua continuidade nas mãos dos sócios.

Em 17 de março, em nova AG, os sócios aprovaram os pontos da discórdia e disseram ‘sim’ por larga maioria à sua continuidade, contra as vozes que o acusam de querer ter controlo absoluto do clube e desejar eternizar-se no cargo. Bruno de Carvalho saiu assim com poderes ‘reforçados’ à beira de completar cinco anos de presidência que mudaram a história recente do Sporting.