"Não há impulsos. Isso já passou. Nunca tinha feito nada. Nunca fui pessoa violenta. Saio daqui às 09:00, ao meio dia estou na Luz, vou almoçar uma bifana e estar com os amigos", garante o adepto que na época passada irrompeu pela lateral do relvado do Estádio da Luz e agrediu o árbitro assistente, José Ramalho, no pescoço, antes de ser detido por elementos da Polícia de Segurança Pública (PSP) no local.

O gesto irreflectido do benfiquista foi a tribunal e o Diabo de Gaia foi condenado a um ano de abstinência de estádios de futebol em Portugal e ainda a uma indemnização de 2500 euros à vítima.

"Dei dinheiro para o árbitro e a esposa irem de férias este ano. Gabaram-se em Vila Real de ir de férias à minha conta, com os 2500 euros que lhe dei. Paguei-lhe em quatro cheques, mas se fosse hoje pagava 20 euros por mês. Assim ainda lhe estava a pagar…", gracejou o cidadão "pacífico" que nos jogos de futebol admite alguma "transfiguração".

A multa pecuniária foi difícil de digerir, mas Carlos Santos reconhece que "custou mais estar um ano sem ir à Luz ou outro estádio", numa punição que garante ter "cumprido à risca": "a 20 de Novembro terminou a inibição, festejei com champanhe".

"Só vi o Benfica fora de Portugal, onde não estava proibido. Desde 20 de Novembro que posso voltar à Luz, mas devido a problemas familiares ainda não foi possível. Vai ser agora", congratulou-se.

O popular adepto ainda se lembra como perdeu a cabeça: "Foi simples, o Benfica estava a ser 'roubado'. Depois, em cinco ou sete minutos houve mais dois foras-de-jogo e ao terceiro deu-me um flash e lá vou eu para o árbitro, fazer uma carícia que me custou muito caro. Não há raciocínio naquele momento…".

Carlos Santos diz que não voltaria a repetir o gesto, mas, mesmo assim, só se arrepende do que fez pelas consequências dos seus actos para com terceiros: "Tinha a filha mais nova grávida e podia ter sucedido algum problema. Só me arrependo desse motivo. E dos meus amigos que levaram porrada da policia de choque sem merecer. Um deles ainda tem um problema numa perna devido a isso".

O empresário de máquinas de tabaco nascido em Trás-os-Montes garante que tem uma personalidade pacífica - "não gosto de confusões e nunca tive problemas com ninguém" - e promete um comportamento exemplar domingo, sempre com fair-play.

"Tenho grandes amigos portistas. Se não formos juntos ao jogo, festejaremos antes e no fim do jogo, ganhe quem ganhar", frisou.

As virtudes públicas acabam dentro de casa, onde a filha mais velha e os dois genros portistas estão proibidos de demonstrar o seu clubismo.

"Esses três em minha casa não podem falar do FC Porto. Está fora de questão. Em casa deles também limito-me a não falar. Democracia é primeiro eu, eu e Benfica, Benfica. Eu e Benfica. No fim, estão eles", assevera o fervoroso adepto para quem "o desporto é o Benfica" e cujas "únicas férias em 17 anos se resumem a seguir a equipa para todo o lado".

Carlos Santos transformou-se em Diabo de Gaia quando às suas longas barbas de pêra juntou um barrete com uns cornos de diabo numa brincadeira durante o aniversário de uma filha, por altura do carnaval: "A família toda achou muita piada e assim fiquei (diabo)".

O benfiquista agora só sonha que o regresso à Luz seja coroado com um triunfo sobre o rival, mantendo a fé num 3-1: "Seria fantástico. Os golos podem ser de qualquer um, mas o Cardozo é um jogador fora-de-série. E o Aimar…".

Curiosamente, o Diabo de Gaia não vai à bola com o treinador Jorge Jesus: "O Benfica este ano tem uma grande equipa de futebol, bons jogadores, mas há uma coisa que nunca gostei e não gosto, que é o treinador. Mas pode ser que ao fim da temporada torça a orelha".

"Não simpatizo com ele derivado às declarações no ano passado na Luz quando era treinador do Braga. Acho que insultou os benfiquistas com as declarações no fim do jogo e passado uma semana jogou em casa com outro clube (FC Porto), foi roubado três vezes mais e nem sequer abriu a boca. Isso não lhe vou perdoar", justificou.

Mesmo assim, admite que tem fé em chegar ao fim da época em primeiro e assim "abraçar Jorge Jesus e dar-lhe os parabéns por termos ganho o campeonato".

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