O advogado Tiago Rodrigues Bastos, que representa a sociedade PMLJ, assistente no processo de Rui Pinto, recusou hoje considerar o criador do Football Leaks como um ‘whistleblower’, em declarações aos jornalistas antes da primeira sessão do julgamento.

“É difícil encontrar uma [justificação] para ver aqui um whistleblower. Não há nenhuma justificação para isso. Vamos ater-nos ao que está em causa neste julgamento, que é uma tentativa de extorsão, a intromissão ilícita em vários sistemas informáticos e caixas de correio das pessoas, com uma tentativa de justificação para essa conduta que, de facto, nos parece irrisória”, afirmou, à entrada para o Tribunal Central Criminal de Lisboa, no Campus da Justiça.

O representante de uma das entidades que foi alvo de intromissão nos seus sistemas informáticos defendeu que os factos que constam na acusação, que imputa 90 crimes a Rui Pinto, são “muito claros, muito evidentes e absolutamente incontornáveis” e alertou para os riscos para a própria advocacia.

“O sigilo profissional é a ‘alma mater’ da advocacia e quando isso é colocado em causa ou quando se pretende justificar essa violação com determinados interesses, então estamos perdidos. É bom que tenhamos em vista que o que está aqui é muito grave do ponto de vista do funcionamento da própria democracia. Está em discussão também um assalto que põe em causa uma profissão”, frisou.

Por outro lado, Tiago Rodrigues Bastos desvalorizou o facto de o arguido ter aguardado nas últimas semanas o julgamento em liberdade e manifestou a expectativa de não ver emergir deste processo uma delação premiada.

“Só lhe posso dar a minha opinião pessoal: espero que não. Isso seria uma verdadeira perversão deste processo”, notou, relativizando ainda a colaboração do arguido com as entidades, reconhecida pelo diretor da Polícia Judiciária, Luís Neves, que faz parte das testemunhas arroladas pelo criador do Football Leaks: “A justiça faz-se com juízes, não se faz com diretores da PJ”.

Rui Pinto, de 31 anos, vai responder por um total de 90 crimes: 68 de acesso indevido, por 14 de violação de correspondência e por seis de acesso ilegítimo, visando entidades como o Sporting, a Doyen, a sociedade de advogados PLMJ, a Federação Portuguesa de Futebol e a Procuradoria-Geral da República, e ainda por sabotagem informática à SAD do Sporting e por extorsão, na forma tentada. Este último crime diz respeito à Doyen e levou também à pronúncia do advogado Aníbal Pinto, então representante de Rui Pinto.

O criador do Football Leaks encontra-se em liberdade desde 07 de agosto, “devido à sua colaboração” com a Polícia Judiciária (PJ) e o seu “sentido crítico”, mas está, por questões de segurança, inserido no programa de proteção de testemunhas em local não revelado e sob proteção policial.

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