O vice-presidente e administrador da SAD do Sporting Francisco Salgado Zenha realçou hoje que o resultado líquido da sociedade desportiva seria positivo caso fossem excluídas as imparidades com os futebolistas considerados excedentários.

“A Sporting SAD fechou o exercício com resultado líquido negativo de 7,9 milhões de euros (ME), no entanto tem imparidades com atletas que nós considerámos excedentários em 8,6 ME. O que significa que, se excluirmos estas imparidades, nós iríamos ter um resultado líquido positivo de 0,7 ME”, afirmou Salgado Zenha, em entrevista à agência Lusa.

Este cálculo decorre do Relatório e Contas anual da época 2018/19, no qual são calculadas em 8,577 ME as imparidades com os jogadores Alan Ruiz, Castaignos, Misic, André Pinto, Fredy Montero e Bruno Gaspar, que deixaram o clube, sem que se confirmassem os valores pelos quais estavam avaliados.

“Este ano, sendo um ano de transição, até porque este conselho de administração entrou já com o ano fiscal a decorrer, foi um ano em que fizemos os ajustamentos que achámos necessários do ponto de vista do equilíbrio financeiro”, assegurou o vice-presidente ‘leonino’.

Salgado Zenha apontou a recuperação de um “défice operacional de 35 milhões de euros, com um fluxo de pagamentos estimado para este ano de 225 milhões de euros, que acabou por se concretizar”, tendo procedido, para fazer a estas “necessidades prementes que, inclusivamente, colocariam em risco o cumprimento do ‘fair-play’ financeiro”, a um empréstimo obrigacionista [25,922 ME] e operação de titularização de créditos do contrato da NOS em março de 2019 [65 ME].

“Esta administração não vai entrar em loucuras, mas também não vai fazer apertos de cinto sem estratégia. Não andamos a cortar a eito, precisamos de equilíbrio porque não podemos viver acima das nossas possibilidades e vamos ter de arranjar uma maneira de ajustar sem pôr em causa a competitividade e o rendimento desportivo”, frisou.

Questionado sobre a importância da presença na Liga dos Campeões, que, este ano atribui 43 ME ao Benfica, o único representante português na fase de grupos, Salgado Zenha reiterou a necessidade de se proceder a um equilíbrio, para essa eventual receita melhorar as contas.

“Este défice operacional não dá um sinal de equilíbrio financeiro, temos de ir mais longe, e a prova disso é que no ano anterior [2017/18], com ‘Champions’, não conseguimos ter resultados líquidos positivos – é óbvio que os eventos do verão não ajudaram –, mas foi um ano de recorde de fluxo de pagamentos na altura – este ano acabou por ser mais alto – com 215 milhões de euros. De tal maneira que a antiga administração se viu aflita e chegou a falhar um pagamento de impostos, numa altura em que não estava aberto o mercado de transferências. Isso prova que, já naquela altura, a situação financeira do clube estava desequilibrada”, recordou.

Tendo em vista esse equilíbrio, o 'vice' do Sporting apontou o esforço no equilíbrio financeiro, na organização, no investimento na academia, sem que nenhuma destas ações esteja no ponto ideal, assim como a conclusão da reestruturação financeira, cuja negociação com os bancos surge agora calendarizada até ao final do ano, e a internacionalização da marca Sporting.

Salgado Zenha não excluiu ainda a negociação do 'naming' do Estádio José Alvalade, do Pavilhão João Rocha e da Academia Sporting, reconhecendo como difícil a centralização dos direitos de transmissão, dados os contratos existentes.

“Se há coisa que não somos é populares, estamos aqui para fazer o nosso melhor e construir. E dou-lhe a minha palavra de que quem entrar depois de nós vai estar melhor do que estava", rematou.

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