Apesar do chumbo do relatório e contas de 2010/11 e da forte contestação, Macedo da Silva não se demitiu da presidência do Vitória de Guimarães, mas viu Luís Cirilo e Pinto Brasil assumirem candidaturas à liderança do clube.

O último lugar na Liga de futebol e as contas negativas da última época (resultado líquido negativo de quase 2 milhões de euros e passivo total de 15,1 ME), eram os ingredientes para uma já esperada tensa Assembleia-Geral (AG) do Vitória de Guimarães, onde marcaram presença cerca de 1500 sócios e que se prolongou por cinco horas e meia.

O presidente Macedo da Silva, muito apupado e até insultado sempre que interveio, sofreu uma derrota que pode levar a eleições antecipadas caso na próxima votação, em AG a convocar, as contas forem novamente reprovadas.

No final, o dirigente notou que «os sócios são soberanos, mas não são por as contas estarem aldrabadas [que as chumbaram], mas pelo momento menos bom em termos desportivos».

Agora haverá lugar a nova AG «e vão ser estas contas que vão ser apresentadas novamente", esperando "com serenidade que as coisas se resolvam» com a 'ajuda' da equipa de futebol.

«Ganhando os jogos as coisas alteram-se. Neste momento, o Vitória está numa situação desagradável, espero bem que no próximo domingo comecemos a ganhar porque os sócios não estão habituados a ver o Vitória no último lugar e daí o seu descontentamento», disse.

Sobre as constantes vaias e insultos de que foi alvo, não quis comentar a hipótese de se demitir, mas também não a descartou:

«Vou ponderar, ainda estou a quente, evidentemente que foi desagradável, mas isto não é o Vitória», disse.

Luís Cirilo, que já foi dirigente do clube na presidência de Pimenta Machado e Governador Civil do Distrito de Braga, assumiu-se como candidato nos 30 minutos destinados a debater temas de interesse do clube, mas preferiu não prestar declarações à comunicação social.

O empresário Pinto Brasil, candidato nas últimas eleições, que perdeu para Macedo da Silva (Luís Cirilo fazia parte da lista de Pinto Brasil nessas eleições de 2010), acusou Macedo da Silva de «estar amarrado ao poder» e assumiu-se também como «alternativa».

«Esta direção não tem condições para continuar e eu sou obviamente candidato. Isto está completamente caótico, se estivesse no lugar do presidente, depois do que ouvi hoje, ia-me embora», disse no final, no exterior do pavilhão.

Pinto Brasil disse acreditar que «o passivo é ainda maior, cerca de 20 milhões de euros e não 15» e desafiou o vice-presidente com o pelouro financeiro, Luciano Baltar, para uma auditoria da Deloitte.

«Se for menos que 15 ME, eu pago a auditoria, se não paga ele.»

Os sobressaltos começaram cedo e levaram mesmo o presidente da mesa da AG, João Cardoso, a ameaçar terminá-la se os sócios não se comportassem.

Os jornalistas ficaram à porta do pavilhão e não puderam assistir ao que lá se passou, mas ouviram com clareza e por diversas vezes as palavras de ordem contra a direção e, principalmente, Macedo da Silva, a quem pediram a demissão.

Jorge Afonso Martins foi cooptado como novo vice-presidente para o marketing, o que foi aprovado por maioria.

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