Gilberto Madail, que testemunhou na terceira audiência por indicação do Ministério Público, sublinhou que apenas foi confrontado com o processo Apito Dourado em 2004 e que a FPF alertava a Polícia Judiciaria (PJ) "sempre que havia uma denúncia".

"Nunca me apercebi de qualquer situação e fui surpreendido em 2004, quando ia para o congresso da FIFA e soube que a PJ estava na sede da FPF", afirmou o dirigente federativo, acrescentando que foram instaurados processos disciplinares aos visados após recepção das escutas telefónicas realizadas na investigação do Apito Dourado.

Madail acentuou no julgamento no Campus da Justiça, em que 16 arguidos estão indiciados dos crimes de falsificação de documentos para a promoção e despromoção de categoria de árbitros nas épocas de 2002/03 e 2003/04, que "falava-se naquela altura que havia certas situações", que não especificou e a que fez referencia em Fevereiro de 2007, "perante a equipa especial criada para investigar" o Apito Dourado.

Questionado sobre a relação com Pinto de Sousa, um dos 16 arguidos neste processo, Gilberto Madail vincou a inexistência de "qualquer relação de amizade" com o presidente do Conselho de Arbitragem (CA) da FPF de 1983 a 1989 e de 1998 a 2004.

O presidente da FPF esclareceu que limitou-se "a reconduzir Pinto de Sousa" no cargo de presidente do CA, em 1983, e notou que o antigo responsável pela arbitragem "tem a porta aberta se se provar que é inocente", apesar de considerar que após o Apito Dourado "é complicado".

Na sessão da manha de hoje também depôs João Leal, responsável pelo departamento jurídico da FPF, que, num curto depoimento, apenas assegurou que "é regulamentar as avaliações dos árbitros".

João Jorge Pombo, que exerceu funções no CA da FPF na altura dos factos, salientou que fez "duas grelhas com factores técnicos de avaliação" e que estes instrumentos "deixaram de ser aplicados em 2003/04", com Carlos Esteves a presidir ao órgão federativo.

Depois de explicar a aplicação dos factores de correcção e do sistema de avaliação de árbitros e observadores, Jorge Pombo fez "uma avaliação positiva" dos mandatos de Pinto de Sousa.

"Até ali, a arbitragem era o parente pobre no futebol. Pinto de Sousa deu dignidade à arbitragem, tornando os árbitros mais elevados socialmente e mesmo com pagamentos mais consentâneos com a realidade do futebol", disse, frisando que Pinto de Sousa "sempre teve preocupação com a verdade desportiva".
Pinto de Sousa esta acusado da pratica de 144 crimes de falsificação de documentos.

António Henriques, António Azevedo Duarte, Luís Nunes e Francisco Costa, conselheiros do órgão da FPF presidido por Pinto de Sousa de 1998 a 2004, Paulo Torrão Gonçalves, responsável pela informática da FPF na altura dos factos, os observadores João Penicho, Paulo Pita da Silva, José Marques Mendonça, António Fernandes Resende e João Henriques e os árbitros Manuel Nabais, Manuel da Cunha, Joaquim Soares, Marco de Castro Santos e António Fernandes também são arguidos.

Este processo foi originado pela certidão número 51, extraída do Apito Dourado, um processo judicial sobre eventual corrupção na arbitragem e no futebol profissional e outros crimes associados, uma investigação da equipa da procuradora adjunta Maria José Morgado.

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