O presidente da Promovalor, Luís Filipe Vieira, disse hoje que quem assinou o contrato de venda do Novo Banco, que prevê chamadas de capital ao Fundo de Resolução, "devia ser enforcado".

"Quem assinou esse contrato, deve estar pendurado. Não sei quem foi, pendurem-no", disse o também presidente do Benfica hoje na sua audição de quase cinco horas na Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar às perdas registadas pelo Novo Banco e imputadas ao Fundo de Resolução, onde esteve a ser ouvido como grande devedor.

A deputada Filipa Roseta (PSD), que questionava Luís Filipe Vieira, referiu-se a Mário Centeno, dizendo que "está agora no Banco de Portugal" como governador, tendo sido ministro das Finanças quando foi assinado o contrato de venda.

"Isto vale a pena dizer, devia ser enforcado, uma pessoa que fez uma coisa destas. Assinar um contrato desta natureza não se pode fazer", prosseguiu o responsável da Promovalor, empresa devedora do Novo Banco.

Luís Filipe Vieira e Filipa Roseta estavam a discutir as desvalorizações de imóveis e terrenos cujas perdas são imputadas ao Fundo de Resolução, entidade na esfera pública que tem recorrido a empréstimos do Tesouro para se financiar.

"Acredite: estas imparidades, essas desvalorizações, não existem. Existem contabilisticamente", referiu o também presidente benfiquista, argumentando que se os projetos forem desenvolvidos recuperam o valor.

Anteriormente, Luís Filipe Vieira já tinha descartado responsabilidades nas perdas imputadas aos contribuintes, dizendo que "é cómodo" que se crie essa imagem.

Em 2017, aquando da venda de 75% do banco à Lone Star, foi criado um mecanismo de capitalização contingente, pelo qual o Fundo de Resolução se comprometeu a, até 2026, cobrir perdas com ativos 'tóxicos' com que o Novo Banco ficou do BES, até 3.890 milhões de euros.

O Novo Banco já consumiu 2.976 milhões de euros de dinheiro público e, pelo contrato, pode ir buscar mais 914 milhões de euros.

O Novo Banco teve prejuízos de 1.329,3 milhões de euros em 2020, um agravamento face aos 1.058,8 milhões registados em 2019. Já quanto ao valor a pedir ao Fundo de Resolução, o Novo Banco indicou que serão 598,3 milhões de euros.

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