O presidente do Belenenses SAD, Rui Pedro Soares, levantou hoje problemas numa eventual redução de clubes na I Liga portuguesa de futebol, mas frisou a necessidade de apoiar as equipas que participem nas competições europeias.

A possibilidade de redução da I Liga para 16 clubes a partir da temporada 2022/23 encabeça uma série de propostas de alteração aos regulamentos da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), anunciou na quarta-feira o organismo.

Em videoconferência de imprensa, o dirigente referiu que a redução “tem como objetivo reduzir o número de jogos para os clubes que participam nas competições europeias”, no qual entende que “ninguém é contra”, mas elencou dúvidas em relação a vários aspetos, entre os quais os contratos em vigor com as operadoras de transmissão dos jogos.

“Se reduzirmos o número de clubes de 18 para 16, o número de jogos baixa de 306 para 240, isto é, a I Liga diminui em 66 jogos (21,5%). No nosso caso [Belenenses SAD], vendemos, até 2026, 17 jogos em casa [por época]. Não gostamos de vender lebre e depois servir gato. Se reduzirmos para 15, a operadora está de acordo? Já se falou com os operadores? Com certeza não vamos votar favoravelmente se o operador que nos comprou este produto não concorda. Não podemos tomar uma decisão desta natureza sem atender os interesses do operador”, alertou.

Focando nos encontros disputados pelos denominados três ‘grandes’ (FC Porto, Benfica e Sporting), que habitualmente geram mais receitas, Rui Pedro Soares lembrou também que seriam menos 12 jogos a envolver pelo menos uma dessas equipas.

Se, por um lado, os clubes mais bem posicionados “devem ser defendidos”, por outro, há outros 12 clubes “que não precisam de reduzir jogos e que até gostavam de jogar mais”, o que obriga à necessidade de um diálogo entre todas as partes interessadas, de forma a “arranjar um modelo e um consenso” que beneficie todas as equipas, considerou Rui Pedro Soares.

O número de jogadores, treinadores, ‘staff’ e árbitros seria igualmente reduzido, num segundo problema enumerado por Rui Pedro Soares, em alusão ao desemprego: “Há toda uma economia à volta do futebol cujo efeito desta resolução teria consequências em muitas pessoas”.

A preocupação em manter o ‘ranking’ da UEFA, no qual Portugal ocupa a sexta posição, também foi manifestada pelo presidente dos lisboetas, que apontou os Países Baixos como a principal ameaça nesta classificação, tendo em conta que, a partir da próxima época, as equipas lusas dividirão os seus pontos por seis, enquanto os holandeses dividem por cinco, e a diferença pontual cifra-se em nove pontos, dos quais sete são de apenas uma temporada, a excluir daqui a duas épocas desportivas.

“Proteger as equipas na Europa é uma total prioridade para o futebol português. As receitas são relevantíssimas e também beneficiamos do prestígio. Se tiverem mais dinheiro, nós também temos mais dinheiro. É uma prioridade de todos”, afirmou, acrescentando que é “importante apoiar já na próxima época” esses clubes, ao invés de apenas em 2022/23.

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