O presidente do Marítimo, Carlos Pereira, afirmou hoje que o clube madeirense "nunca teve sociedades", em resposta às acusações de fraude fiscal, e garantiu que irá colaborar para a verdade ser apurada.

“Face ao tempo em que mediou aquilo que é o processo judicial, com aquilo que hoje veio a público, que não corresponde minimamente à verdade, porque o Marítimo nunca foi detentor de nenhuma sociedade”, sublinhou o líder do clube madeirense, em declarações à agência Lusa.

A Sociedade Anónima Desportiva (SAD) do Marítimo, e mais cinco dirigentes do clube, incluindo o presidente Carlos Pereira, vão a julgamento, em 19 de janeiro de 2021, no Juízo Central Criminal do Funchal, pelos crimes de fraude fiscal contra a Segurança Social, onde o Estado exige o pagamento de 2,2 milhões de euros, revelou hoje o Diário de Notícias da Madeira.

A acusação recai sobre o alegado esquema de pagamentos a treinadores e jogadores, de 2001 a 2005, a partir de paraísos fiscais, que permitiam escapar aos impostos e contribuições sociais. O inquérito foi iniciado há 14 anos, inserido na 'Operação Furacão', a maior investigação conduzida pelo DCIAP (Departamento Central de Investigação e Ação Penal) a esquemas de fugas de impostos.

“Quando a própria Administração Tributária e o Tribunal Administrativo fazem a suspensão de uma ação é porque alguma coisa não estava de acordo com a outra e, se ao Marítimo tem sido dada a razão em muitos dos processos em que esteve envolvido, sem nenhuma razão aparente dos seus dirigentes e da própria instituição, não esteve envolvida em nenhum ato em que nós consideramos ilegal e, por isso, é que há essa suspensão. Não consigo perceber como é que o próprio Tribunal Administrativo não está em sintonia com o Tribunal Judicial”, criticou o presidente maritimista.

Carlos Pereira alertou que o Marítimo tem sido “ressarcido daquilo que pagou” e, por isso, colocou dúvidas sobre o assunto.

“Se o Tribunal Administrativo tem dado a razão ao Marítimo, que tem sido ressarcido daquilo que pagou e que, hoje, não deve à Administração Tributária, penso que isto não faz muito sentido”, acrescentou.

O líder do clube madeirense salientou que só poderia abordar este tema de forma “honesta, séria e transparente”, enaltecendo a disponibilidade que a instituição e os seus dirigentes têm para “colaborar com a justiça no apuramento da verdade”.

“Quer os seus dirigentes, quer a instituição não têm nenhum problema em estarem disponíveis para o apuramento da verdade e contribuírem para que a justiça se faça no acompanhamento do que está a acontecer”, salientou.

O Nacional, rival do Marítimo, passou por um processo semelhante, do qual foi absolvido, em dezembro de 2013, em que várias pessoas ligadas ao clube ‘alvinegro’, incluindo o seu presidente, Rui Alves, foram acusados de pagar parte dos rendimentos dos jogadores através de sociedades 'offshore', de modo a evitar o pagamento de montantes de IRS e contribuições à Segurança Social.

“Não tenho qualquer dúvida que terá o mesmo fim do que teve o nosso rival, porque os factos são os mesmos e que foram provados que não havia nenhuma irregularidade naquilo que tinha sido nos serviços e no 'modus operandi' daquilo que é o conteúdo da verdade dos contratos e, por isso, o Marítimo nunca teve, não tem e, se calhar, não terá e, por isso, está disponível para qualquer situação”, finalizou.

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