“Não sabia quem eram as autores, mas sabia qual era a estratégia montada”, diz o ex-treinador leonino, sem receios, acrescentando que esse “cenário” o visava a ele, Pedro Barbosa e Miguel Ribeiro Telles, mas que “acabou por atingir todo o grupo de trabalho e numa fase precoce da época”.

Apesar de ter consciência de que “todos devem estar preparados para a pressão, é muito mais difícil para um grupo que não tem grande maturidade, combater determinadas situações”. Paulo Bento frisa que “não é normal a recepção após a vitória frente aos holandeses do Twente”.

“Não é normal a recepção que tivemos. E não interessa que tenham sido duas ou três pessoas, uma vez que quem o fez pensou bem no que queria fazer, foi concertado, não foi espontâneo. Não é normal que depois da primeira jornada do campeonato, empatando fora de casa, se tenha repetido. O episódio repetiu-se depois do jogo de Florença”, relembra.

Paulo Bento não tem dúvidas que o “cenário foi montado, em primeiro lugar, para as três pessoas que saíram agora. E fizeram-no de duas maneiras: uma, atingindo o Pedro Barbosa, para ver se chegavam ao treinador, e outra pelo treinador para ver se chegavam às outras duas pessoas”, reforçando que isso lhe parece “evidente”.

O ex-treinador lamenta que lhe tenha “faltado capacidade para tirar os jogadores deste ambiente e turbulência e colocá-los a jogar de maneira diferente”.

Apesar do esquema montado, Paulo Bento vinca que não foi esse o motivo para colocar o lugar à disposição.
“Eu sai pelos resultados e por a equipa não ter capacidade para jogar melhor. Gosto mais de ser do que parecer. Se quisesse sair pelo ambiente que estava criado, poderia ter saído quando viemos da Madeira (Nacional) em 2007/08, quando invadiram a garagem na oitava jornada de 2008/09 (Leixões), quando parei à porta da Academia depois do encontro com o Bayern – e tudo isso com a minha família por perto a assistir. Por isso, não era por 200 ou 300 indivíduos quererem invadir Alvalade que iria pedir para sair”, sublinha.

No entanto, Paulo Bento diz ter “respeito por todos”, mas “há um respeito maior pelo 6 mil que pagam a gamebox e têm direito a algumas coisas, do que os 600 que ainda recebem algo em toca e têm o dever de apoiar”.

“Esses doutores que gostam de estar na comunicação social de forma permanente, alguns deles com responsabilidades no clube, não tiveram comportamentos próprios dentro de acordo com certos valores e não foram solidários, especialmente nestes quatro meses”, reforça.

Um dos visados foi Rogério Alves, presidente da Assembleia-Geral do Sporting que, apesar de ter elogiado Paulo Bento na saída, não mereceu comentários tão abonatórios do ex-técnico.

“O Dr Rogério Alves teve intervenções em que misturava amizade com o trabalho, antes do jogo em Florença. Nessa altura, tive o cuidado de dizer que estivesse dentro [do Titanic] não se pusesse fora. Essa mesma pessoa, que é uma figura do clube pelo cargo que ocupa e não tanto pelo que fez pelo Sporting, pelo menos que eu conheça, teve, na minha opinião, comportamentos que não foram nem correctos nem éticos. Concretamente, algumas declarações na fase final do meu trajecto. Com a responsabilidade que tem, no clube e socialmente, o que disse sobre a tentativa de invasão das instalações do Sporting não me parece minimamente solidário nem correcto. A nobreza que ele diz que eu tive na minha saída não foi a mesma que manifestou nestes últimos tempos”, afirma.

"Espero que Bettencourt não perca a coragem"


E por isso, Paulo Bento elogia José Eduardo Bettencourt que, após a sua saída a 6 de Novembro e no dia seguinte, deu “o primeiro passo para denunciar os arautos da verdade que nunca fizeram nada pelo Sporting”.

“Vejo o presidente do Sporting como uma pessoa corajosa, tenho-o como uma pessoa credível, séria e demonstrou solidariedade enorme, e espero que não perca a coragem. Sei que o sonho do Bettencourt era ser presidente, mas não o será a qualquer preço”, diz, acrescentando que “faça o que fizer, quem lhe quer mal não vai desistir de tentar fazê-lo”.

Para o ex-treinador leonino, é claro que o Sporting vive em “dois pólos opostos”, entre a SAD e o clube.

“Em pouco tempo [após a chegada a Alvalade] foi fácil perceber essa diferença: o que era a administração – e a intenção que tinha de blindar o grupo de trabalho – e o que era o clube – onde muita gente procura protagonismo, falando sistematicamente de fora para dentro, sendo muitos deles, se calhar, responsáveis pela situação que o Sporting atravessa. São pessoas que estiveram cá em devido tempo sem conquistar algo que tivesse sido relevante. O que me preocupava era que a SAD tivesse confiança naquilo que eu fazia de forma competente, série e solidária e sempre num quadro de exigência mútuo”, sublinha

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