Alarme na Luz: o Benfica pode ver reduzida a vantagem na liderança da Primeira Liga para apenas um ponto, caso o FC Porto triunfe em casa do Vitória de Guimarães, na 21.ª jornada da prova. Os campeões nacionais foram batidos em casa pelo SC Braga por 1-0, 65 anos depois do primeiro triunfo dos minhotos em casa dos 'encarnados' para o campeonato. O Benfica continua a evidenciar problemas defensivos, ao que soma alguma incapacidade ofensiva nos últimos jogos. É o pior momento de Lage desde que assumiu a equipa há 13 meses, a poucos dias de jogar com o Shakhtar para a Liga Europa.

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O Jogo: Soam os alarmes na Luz-Benfica no pior momento da era Bruno Lage

Três jogos consecutivos sem vencer, vantagem na Primeira Liga de sete pontos a poder cair para um (se o FC Porto vencer o Vitória de Guimarães este domingo). O Benfica de Bruno Lage atravessa o pior momento desde que o jovem técnico foi promovido da equipa B para a principal, há precisamente 13 meses. O grande responsável pela reconquista do campeonato não está a conseguir tirar rendimento dos jogadores, principalmente a nível defensivo, onde o Benfica tem sofrido e muito. Encaixou golos nos últimos quatro jogos e não foram poucos: dois frente ao Famalicão e Belenenses SAD em casa para a Liga, três no Dragão frente ao FC Porto, um em Famalicão para a Taça e voltou a ver Vlachodimos batido frente ao SC Braga.

Esta derrota frente ao Braga vem adensar ainda mais as nuvens sobre as capacidades do técnico em organizar a equipa a nível defensivo. A fortaleza que era a defesa do Benfica tem sido sistematicamente batida e a frente de ataque não está a produzir o suficiente para ajudar a esquecer os problemas defensivos.

Os adversários têm sabido explorar as fragilidades do Benfica, principalmente pelo seu corredor esquerdo, onde estão Grimaldo mas também o lado para onde cai Ferro. Nos últimos jogos, o central tem sido muito penalizado já que sempre que erra, é golo do adversário.

O Benfica já sabia que o Braga ia construir pelos três centrais, ia ter largura e profundidade pelos laterais/alas Esgaio e Sequeira e que ia ter quatro homens no meio, com Ricardo Horta e Galeno a pisarem terrenos interiores para criar superioridade máxima nessa zona do terreno. Teria de ser através da pressão aos centrais, principalmente a David Carmo e Wallace, muito nervosos, que o Benfica podia criar perigo, se ganhasse a bola. Fe-lo em duas três ocasiões no primeiro tempo, criando dúvidas na construção desde detrás dos minhotos.

A pressa de chegar à área, assim que ganhava a bola, não ajudava o Benfica. Essa verticalidade da equipa de Lage comporta riscos, e muitas vezes a bola ficava na defensiva minhota, tal era a pressa de chegar ao último reduto.

A reação parte do Benfica ao golo do Braga, marcado por Palhinha, no primeiro minuto de descontos do primeiro tempo é boa. Vinícius começa por atirar ao poste, Pizzi vê Matheus negar-lhe o golo com uma excelente defesa. Nessa altura já havia Seferovic no lugar de Cervi e um Benfica a pressionar muito nos primeiros minutos. Durou até aos 70 minutos e 'morreu' nos últimos dez, quando Lage forçou com Seferovic, Vinícius e Dyego Souza na frente, ficando sem homens para servir os avançados. Uma mexida que, tal como no Dragão (derrota 3-2), 'matou' o jogo ofensivo do Benfica.

O Braga, sempre tranquilo (às vezes até muito tranquilo), ia contra-atacando mas sem pressa, aproveitando o muito espaço que o Benfica lhe dava. Podia até ter saído com outro resultado, se tivesse mais paciência e se Vlachodimos não estivesse em grande nível.

Depois de vencer o Sporting e o FC Porto ambos por duas vezes (uma para a Liga e outra para a Taça da Liga, sendo que aos dragões ganhou-lhes um troféu), Rúben Amorim faz o 'hat-trick' e dá a segunda vitória de sempre ao Braga em casa do Benfica para o campeonato, a primeira nos últimos 65 anos. Os campeões nacionais podem ver o FC Porto encurtar a distância para a liderança para apenas um ponto. Na próxima semana há Liga Europa e pede-se outro Benfica frente ao Shakhtar, de Luís Castro, na Ucrânia.

Polémicas: Hugo Miguel com muito trabalho

O árbitro Hugo Miguel teve muito trabalho pela frente. Aos 21 minutos, David Carmo teve uma entrada muito dura sobre Rafa, a travar um contra-ataque, mas o juiz só deu amarelo. Aos 46 minutos do primeiro tempo, quando o Braga marcou, Ruben Dias empurrou ostensivamente Raul Silva para o chão, por o defesa minhoto ter pontapeado a bola para a bancada. O juiz resolveu a questão um amarelo para cada um.

No segundo tempo, numa bola dividida, Matheus saiu da baliza e pontapeou a bola contra Esgaio, que estava a menos de um metro. O esférico bateu na mão do defesa e depois foi à mão do guarda-redes, fora da área. Hugo Miguel considerou que foi tudo acidental.

No final do jogo, expulsou Raul Silva com um segundo amarelo, depois de um gesto feio do central para as bancadas do estádio da Luz.

Momento-chave: Palhinha para a história

Odysseas Vlachodimos tinha acabado de negar o golo a Fransérgio, com uma defesa enorme. Na sequência do canto, aos 46 minutos da primeira parte, Palhinha antecipou-se a Ferro e cabeceou para o 1-0. O Benfica não tinha tempo de reagir porque a primeira parte terminou de seguida.

Os Melhores: Guarda-redes a brilharem, Fransérgio a comandar, Palhinha a 'matar'

Foi uma noite onde os dois guarda-redes brilharam mais que os avançados. Odysseas Vlachodimos negou o golo ao SC Braga em duas ocasiões, com defesas fantásticas, a primeira a Fransérgio aos 45 e a segunda a Ricardo Horta aos 77. Mas não teve tanto trabalho como Matheus: travou o remate que ia com selo de golo de Pizzi aos 59, voltou a 68 minutos. Mostrou-se atento aos remates de fora da área, defendendo com segurança e saiu dos postes para afastar a pontapé quando o Benfica tentou explorar o espaço nas costas da defensiva minhota.

Fransérgio foi dos melhores do Braga, tal como Matheus e Palhinha. O brasileiro foi um monstro no meio-campo e aventurou-se na frente sempre que lhe foi possível.
Palhinha viu amarelo na primeira parte, por protestos, mas nem isso impediu que fizesse um grande jogo a meio-campo, onde travou batalhas com Taarabt e Weigl. Subiu a área para dar a vitória aos minhotos.

Os Piores: Os azares de Ferro e as escolhas de Lage

Ferro voltou a estar ligado diretamente a um golo sofrido pelo Benfica. Nos últimos jogos, sempre que erra, o Benfica é penalizado com golo. Mostrou alguma tremideira nada habitual em vários momentos, mas não pode sair da equipa neste momento porque o Benfica só tem dois centrais.
Numa altura em que o Benfica procurava chegar ao golo, depois de uma boa entrada no segundo tempo, Lage 'matou' as aspirações da equipa, ao trocar Tomás Tavares por Dyego Souza, ficando o Benfica com três avançados fixos mas sem gente para os 'alimentar'. O 'chuveirinho' dos últimos dez minutos só beneficiou o Braga, a defender as bolas sempre de frente. A substituição de Cervi por Seferovic foi muito assobiada na Luz.

Reações: Lage viu um Benfica muito sólido, Rúben Amorim fala em estrelinha para os dois lados

Bruno Lage: “Não tenho memória de fazermos um jogo tão sólido como o de hoje”

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Veja o resumo do jogo.

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