Rui Pedro Soares garantiu que o Moreirense irá ser relegado para a Segunda Liga no final desta época, independemente do lugar que venha a alcançar. O presidente da SAD o Belenenses foi à sala de imprensa após o jogo com os cónegos para mostrar a sua solidariedade para com a equipa de Moreira de Cónegos.

"Todos sabemos que o Moreirense foi condenado por corrupção desportiva e vai, efetivamente, descer [de divisão] administrativamente. A Federação Portuguesa de Futebol já executou a sentença do Tribunal e, portanto, quero deixar aqui uma palavra aos profissionais do Moreirense que fizeram um excelente jogo. Vão ter uma época extremamente difícil, mas fica aqui também a minha solidariedade", comentou o líder do Belenenses SAD, na sala de imprensa do Municipal de Leiria, palco do jogo com o Moreirense.

O Caso

Em dezembro, o Tribunal da Relação do Porto confirmou a condenação do Moreirense ao pagamento de uma multa de 112.500 euros, num processo de corrupção desportiva em que foram condenados outros cinco arguidos, informou a Procuradoria-Geral Distrital (PGD) do Porto.

Numa nota publicada na sua página oficial na Internet, a PGD do Porto refere que a Relação manteve "na íntegra" a condenação dos arguidos e "nos precisos termos" que havia sido decidido na primeira instância.

Na altura o clube garantiu que ia recorrer da decisão do Tribunal da Relação do Porto para o Tribunal Constitucional, após ser condenado  ao pagamento de uma multa de 112.500 euros, num processo de corrupção desportiva.

"O clube vai recorrer para o Tribunal Constitucional. O clube é alheio a qualquer ação de corrupção, que, a ter ocorrido, condena com toda a veemência", disse, à agência Lusa, o advogado Ricardo Sá Fernandes, que representa o Moreirense neste caso.

A primeira decisão sobre o caso chegou em setembro de 2018, quando o Tribunal da Feira condenou o Moreirense na pena única de 450 dias de multa à taxa diária de 250 euros, perfazendo o montante global de 112.500 euros, por quatro crimes de corrupção ativa no fenómeno desportivo.

O clube foi ainda condenado na pena acessória de suspensão de participação em competição desportiva por um ano.

Ainda no mesmo processo, também foram condenado Pedro Miguel Magalhães, filho de Vítor Magalhães, presidente do Moreirense, e um antigo vice-presidente do clube Manuel Orlando “Alhinho”, a três anos de prisão com pena suspensa, por quatro crimes de corrupção.

O coletivo de juízes condenou ainda o antigo futebolista Nuno Pereira Mendes por três crimes de corrupção e um crime de branqueamento, na pena única de três anos e meio de prisão, suspensa.

Dois outros antigos futebolistas - Sérgio Grilo Neves e José Williams - foram condenados por um crime de corrupção a um ano e três meses e a dois anos de prisão com pena suspensa, respetivamente.

A suspensão da execução das penas ficou, em qualquer dos casos, condicionada à entrega de quantias, cujos montantes variaram entre os mil e os cinco mil euros, a instituições com ação social na comunidade.

Segundo a acusação do Ministério Público (MP), o Moreirense tentou subornar seis jogadores de equipas adversárias para subir de divisão, na época 2011-2012, quando o clube se encontrava na II Liga portuguesa de futebol.

A investigação apurou que o filho de Vítor Magalhães e Orlando “Alhinho” pediram a dois ex-jogadores do Moreirense para abordarem jogadores da Naval e do Santa Clara, prometendo-lhes “avultadas quantias em dinheiro”, para terem um “mau desempenho desportivo”, nos jogos de futebol que aquelas equipas iriam disputar com o clube nortenho.

Dos futebolistas contactados apenas um jogador da Naval terá aceitado a proposta, acabando por receber cinco mil euros, por ter sido expulso no jogo que a sua equipa disputou com o Moreirense e que terminou com a vitória dos visitantes por 1-2.

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