O presidente do Conselho de Arbitragem (CA) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Vitor Pereira, voltou hoje a manifestar-se contra o sorteio dos dos árbitros nas competições profissionais, classificando-o como uma “aberração”.

“O sorteio é uma aberração. É uma negação ao que se pretende. Não existe em lado nenhum da europa, nem UEFA, nem da FIFA. É um retrocesso. Um regresso a um passado, mas a um mau passado”, admitiu, em entrevista à SIC Noticias.

O presidente do CA justifica a oposição à decisão que prevaleceu na reunião extraordinária da Liga de Clubes, que decidiu aprovar, com 28 votos a favor e 16 contra, o regresso ao sorteio de árbitros, árbitros assistentes e observadores para a época 2015/16, que ainda terá de ser ratificada em reunião magna da federação.

Por isso, e tal como se ficou a saber ao inicio da madrugada de hoje, o CA, na pessoa do presidente, pretende alertar as pessoas para os motivos pelos quais pensa que o sorteio é um mau passo para o futebol, que prejudica quer as competições, quer as arbitragens.

“O sorteio não pode ser considerado porque não se consegue, por exemplo, treinar em equipa quando se nomeias árbitros assistentes e árbitros de associações diferentes. Nós queremos que os árbitros tenham a possibilidade de treinar, tal como as equipas, e, desta forma, isso deixa de ser possível”, disse.

Sobre os observadores, questão que tem causado polémica, sobretudo pela impossibilidade de se ter acesso aos respetivos relatórios, Vítor Pereira adianta que está na disposição de alterar os atuais procedimentos, fazendo, já a partir da próxima época, que estes passem a ser públicos e que à nota do observador se junte a de uma equipa “altamente especializada” que avaliará o desempenho do árbitro através da televisão, ficando a segunda com uma maior preponderância sobre a nota a atribuir.

“Vamos propor que os relatórios dos observadores sejam públicos, que o grau de dificuldade dos jogos seja pública e que todos os jogos sejam acompanhados via televisão por uma equipa de técnicos especializados, que, por terem mais meios à disposição, passarão a ter maior preponderância na avaliação do árbitro. A arbitragem não tem nada a esconder”, frisou.

Deixando claro que os critérios de nomeação estão escritos em ata e que todas as decisões são tomadas de forma independente pelo CA, o dirigente classifica inqualificável que se ponha em causa a “honorabilidade” dos dirigentes.

“Existiram este ano nas competições profissionais 1009 jogos. Foram 1009 nomeações. Admite-se que, entre tantas, algumas parecessem que não eram as mais logicas, mas todas foram nomeadas consoante as circunstancias. Por exemplo, nesta época, tivemos logo na fase inicial árbitros impedidos e, depois, o abandono de Pedro Proença”, disse.

O dirigente abordou ainda o caso do árbitro internacional Marco Ferreira, que ele próprio nomeou, para arbitrar a final de Taça de Portugal, mas que acabou despromovido no final da presente temporada.

Vítor Pereira deixou claro que lamenta o sucedido com o madeirense, mas deixou claro que todos os árbitros estão na mesma linha de partida e que os internacionais não devem ter nenhum posto de benefício perante os outros.

Contudo, e admitindo que ia tendo acesso às classificações dos árbitros, o dirigente garante que foi uma escolha sua, tomada em março, a nomeação de Marco Ferreira para dirigir a final da Taça, mas que se tivesse acesso à classificação do final da época a decisão teria sido outra.

"Quem nomeou o árbitro para afinal da taça fui eu. Quando planeamos esse jogo, em março, não sabia que ia ser despromovido. Se soubesse, obviamente que não escolhia, pois não fazia sentido nenhum”, concluiu.

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