O treinador Vítor Oliveira, que orienta o Gil Vicente, da I Liga, defendeu hoje que o futebol português devia aproveitar a paragem imposta pela pandemia de COVID-19 para resolver problemas estruturais antes da retoma competitiva.

“Seria importante parar tudo e aproveitarmos esta situação desagradável para redefinir regras no futebol, pôr mais seriedade e resolver todas as situações que sabemos que estão mal. A verdade desportiva não tem qualquer influência, mas unicamente o aspeto financeiro e não vemos ninguém a querer resolvê-lo”, referiu o experiente técnico, de 66 anos, numa conversa transmitida nas redes sociais da Câmara Municipal de Matosinhos.

Priorizando uma reforma completa dos quadros competitivos e a centralização dos direitos televisivos, que “traria muito mais dinheiro para todos”, Vítor Oliveira lembrou as dificuldades financeiras evidenciadas pelos clubes desde a paragem dos campeonatos em 12 de março, devido à ausência de “critérios bem definidos nos orçamentos”.

“O futebol parou e num mês depois não havia dinheiro para pagar os ordenados. Numa indústria que movimenta tantos milhões parece algo inexplicável que o dinheiro tenha desaparecido completamente de um momento para o outro. Temos de criar condições para que os clubes se possam sustentar e ter credibilidade a todos os níveis, em prol de um futebol mais equilibrado, seguro e que dê confiança às pessoas”, observou.

O Governo autorizou hoje a retoma à porta fechada da I Liga a partir de 30 e 31 de maio, no âmbito do plano de desconfinamento da pandemia de covid-19, decisão insuficiente para convencer Vítor Oliveira, consciente de que a evolução do novo coronavírus ainda não permite olhar para a retoma do futebol profissional como “uma prioridade”.

“Os jogadores chegam de uma paragem inédita e não sabemos como vão reagir. Também não sabemos onde vamos jogar e estamos em desigualdade, porque há clubes com cinco e seis relvados e outros não sabem onde podem treinar e têm problemas infraestruturais. É uma experiência nova e seremos capazes de dar uma boa resposta”, afiançou.

Incluída nas medidas de desconfinamento aprovadas hoje em Conselho de Ministros, a retoma do campeonato ainda está sujeita à aprovação por parte da Direção-Geral da Saúde (DGS) de um plano sanitário apresentado ao Governo pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional, conforme explicou o primeiro-ministro António Costa.

“Nós ouvimos um especialista a dizer uma coisa às 21:15 a dizer uma coisa e outro a dizer outra coisa às 22:30. Não sabemos o que é que pode acontecer num jogo de contacto, onde os jogadores vão ao limite da sua capacidade física. Vamos dar início à preparação, mas não aos jogos e penso que será difícil que eles se realizem”, alertou.

O plantel do Gil Vicente vai retomar os treinos no relvado na segunda-feira, ainda que de forma condicionada e com redobradas indicações de distanciamento entre os atletas, após ter cumprido 19 dias de férias intercalados com a pandemia de covid-19 e realizado os testes de despistagem à doença na quinta-feira.

Numa época assinalada pelo regresso ao principal escalão do futebol nacional, após uma reintegração administrativa a partir do Campeonato de Portugal, na sequência do ‘caso Mateus’, o Gil Vicente ocupa a nona posição à entrada para as 10 jornadas finais da I Liga, com 30 pontos, 14 acima da zona de descida.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de COVID-19 já provocou mais de 230 mil mortos e infetou mais de 3,2 milhões de pessoas em 195 países e territórios. Cerca de 908 mil doentes foram considerados curados.

Em Portugal, morreram 989 pessoas das 25.045 confirmadas como infetadas, e há 1.519 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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