O administrador de insolvência, Paulo Sá Cardoso, considerou que será possível ultrapassar a situação de insolvência, mas alertou que, para isso, "tem de haver dos credores não trabalhadores uma benevolência relativamente aos seus créditos".

Essa benevolência incluiria o perdão de juros, um período de carência de pelo menos dois anos no pagamento e uma renegociação da dívida, com prazos de pagamento a longo prazo.

Se assim não for, a venda dos activos do Estrela da Amadora só chegará para pagar a credores privilegiados e, ainda assim, não todo o crédito, advertiu Paulo Cardoso.

A proposta de apresentação do plano de solvência foi aprovada por maioria, com um voto contra de um credor e a abstenção de três credores, um dos quais o Estado.

O representante do Estado afirmou que não votou a favor e absteve-se devido a um dos pressupostos do plano, adiantando que o Estado deverá votar contra o plano de solvência se este incluir perdão dos juros, um período de carência dos créditos e perdão de parte do capital em dívida.

Manuel Teixeira, advogado do Estrela da Amadora, chamou a atenção para que, do balancete reportado a 30 de Setembro de 2009, constam dívidas que rondam os 14 milhões de euros, mas os créditos reclamados ascendem a 51 milhões de euros.

O administrador de insolvência indicou que "contabilisticamente estava tudo bem, mas isso por si só não diz nada", e revelou que está neste momento em curso uma auditoria à contabilidade do clube, particularmente aos fluxos financeiros, que deverá estar concluída a 30 de Janeiro.

Paulo Sá Cardoso indicou que, "milagrosamente em seis meses", os créditos fiscais passaram de pouco mais de oito milhões de euros para mais de 12 milhões de euros, admitindo que essa situação possa estar relacionada com receitas penhoradas que não foram recebidas pelo Estado.

Na apresentação do relatório, o administrador de insolvência enumerou as actividades do clube, nomeadamente os desportos amadores com maior historial, e recordou que a sala de bingo registou nos últimos anos um grande decréscimo de receitas, mas é hoje praticamente a única fonte de rendimentos do Estrela da Amadora.

Observou que, com a descida da equipa de futebol para a segunda divisão, o clube perdeu receitas de cerca de 2,5 milhões de euros de transmissões televisivas, de publicidade, de patrocinadores e outras, observando que a única modalidade que hoje tem um patrocínio é o ténis de mesa.

Paulo Cardoso salientou, contudo, que a situação difícil do Estrela da Amadora "não vem de agora" com a descida de divisão, porque o "clube viveu acima das suas possibilidades, não havia uma gestão criteriosa".

Indicou que o clube perdeu um subsídio às modalidades amadoras da Câmara Municipal da Amadora, que rescindiu o contrato alegando que as verbas não eram gastas nos fins a que se destinavam, o que é verdade porque eram sucessivamente penhoradas e não chegavam ao clube.

O administrador de insolvência assinalou que os passivos causaram penhoras ao longo do tempo, situação que limitava as receitas e aumentava os incumprimentos.

Paulo Sá Cardoso defendeu que para recuperar o Estrela da Amadora é preciso repensar os activos do clube para os rentabilizar, citando a necessidade de redimensionamento e reaproveitamento da sala de jogo de Bingo, a possibilidade de alugar de espaços e a dinamização de actividades em espaços disponíveis, como zonas comerciais, ginásios, exposições e espectáculos.

Como o clube não tem disponibilidade para investir, o administrador de insolvência defendeu o desenvolvimento dessas actividades através de parcerias, opção que considerou ser melhor do que vender activos.

Apontou ainda para a reabertura da loja e do restaurante e para a angariação de mais sócios.
Paulo Cardoso assinalou que a prevista chegada do metropolitano até à zona onde o clube tem as suas instalações contribuirá para viabilizar estes projectos.

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