Dezoito anos, dois meses e 14 dias depois de se ter estreado, com um empate caseiro com a Áustria (1-1, nas Antas), num jogo particular, Queiroz concretizou, finalmente, o objectivo que o levou, por duas vezes, ao comando da equipa das "quinas".

Para trás ficam três jogos rumo ao Euro92 em que já não conseguiu evitar a eliminação e mais duas fases de apuramento para Mundiais muito sofridas, uma falhada e com ponto final a 17 de Novembro de 1993, em Milão, face à Itália (0-1), onde Queiroz falou da necessidade de "varrer a porcaria" na FPF, e outra bem sucedida, concluída hoje em Zenica, na Bósnia-Herzegovina (1-0).

Há 16 anos e um dia, o "adeus" ao Mundial de 1994, disputado nos Estados Unidos, marcou igualmente a despedida de Queiroz da selecção, para voltar, década e meia depois com a mesma ilusão: a de colocar Portugal na fase final da competição número 1 de selecções.

Na sua primeira passagem, iniciada a meio da campanha rumo ao Euro92, a tarefa era bem mais complicada, até porque Portugal só havia, até à altura, marcado presença nos Mundiais de 1966 e 1986 e no Europeu de 1984, três excepções entre inúmeras desilusões.

Como outros antes, e mesmo rejuvenescendo, ao introduzir muitos dos jovens que o tinham ajudado a conquistar os títulos mundiais de juniores em 1989 e 1991, como Figo, João Vieira Pinto, Rui Costa, Paulo Sousa ou Jorge Costa, Queiroz falhou.

Já com a eliminação iminente, não conseguiu inverter a situação nos últimos três jogos e Portugal ficou fora do Europeu de 1992, ao cair no jogo decisivo, na Holanda, derrotado por 1-0. Bastou aos locais um tento de Rob Witschge, logo aos 20 minutos.

Seguiu-se a qualificação para o Mundial de 1994, que parecia bem possível, pois se Portugal não parecia ter argumentos para a Itália, pelo contrário, apresentava-se com credenciais para ser segundo colocado do Grupo 1, à frente de Suíça ou Escócia.

Mas, a equipa das "quinas" acabou por ficar no terceiro lugar, a um ponto dos helvéticos e dois dos transalpinos, com os quais perdeu os dois jogos (1-3 em casa e 0-1 fora).
Carlos Queiroz "bateu com a porta" e só voltou 15 anos depois, com o objectivo de colocar Portugal no Mundial de 2010, objectivo conseguido apenas no "play-off", que a equipa lusa esteve perto de falhar, valendo-lhe, na penúltima jornada de qualificação, um favorável 1-0 no Dinamarca-Suécia.

Se os suecos tivessem ganho esse encontro, a formação das "quinas" estaria agora, provavelmente, eliminada, após um percurso em que se limitou aos "mínimos", sem qualquer jogo "para mais tarde recordar", curiosamente com excepção para a exibição no desaire caseiro com a Dinamarca (2-3).

Ainda assim, o mais importante foi conseguido: Portugal está pela sexta vez consecutiva numa fase final de uma grande competição (Europeus de 2000, 2004 e 2008 e Mundiais de 2002, 2006 e 2010), sendo que, antes, apenas tinha estados nos Mundiais de 1966 e 1986 e nos Europeus de 1984 e 1996.

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