O capitão dos campeões do Mundo de sub-20 de 1989, Tozé, defende que a sua geração "abriu as portas" para afirmação dos jovens no futebol português, mas lamenta que, na sua altura, isso não tenha acontecido.

O ex-médio, agora com 49 anos, cumpriu 47 internacionalizações pelas seleções jovens nacionais, mas nunca chegou a cumprir o sonho de representar a equipa A, lembrando que os "tempos eram diferentes" quando ergueram o troféu em Riade, no dia 03 de março.

"Apesar de ser o único que na altura jogava na primeira divisão, ao serviço do Leixões, e, depois, no Tirsense, essa oportunidade nunca chegou. Estive num lote de 30 pré-seleccionáveis, mas não aconteceu a chamada. Eram tempos diferentes, porque se fosse hoje os campeões de Riade teriam mais oportunidades", disse o antigo jogador à agência Lusa.

Desse grupo, Tozé aponta que só quatro ou cinco tiveram um percurso mais duradouro na seleção portuguesa principal, lembrando que, nesse tempo, "era difícil os jogadores de equipas mais pequenas serem chamados à seleção A".

"No nosso grupo, muitos os jogadores alinhavam em equipas secundárias, mas pertenciam aos 'grandes', e acabaram por regressar e ter mais oportunidades. Enquanto eles evoluíram, eu estagnei e acabei por ficar um ou dois anos a mais no Leixões. Hoje, como está a indústria do futebol, seria diferente", analisou.

O ex-jogador, que representou Leixões, Tirsense, Leça, Alverca e Maia, até acabar a carreira no Custóias, apostou na sua formação académica, tirou um curso superior de Educação Física e tem desempenhado funções de treinador e diretor desportivo.

Tozé considera que o capital de experiência e de formação que vários elementos do grupo de Riade foram adquirindo ao longo dos anos poderiam, agora, ser úteis à Federação Portuguesa de Futebol (FPF).

"A FPF poderia ter feito mais por essa geração e ainda está a tempo. Tal como os clubes que têm a suas referências, a federação devia entender o que demos e ainda podemos dar àquela casa. Alguns estão lá a trabalhar, com todo mérito, mas poderia haver espaços para mais", desabafou Tozé.

"A federação não tem de ser uma Santa Casa da Misericórdia, mas, por justiça, devia haver lugar para aqueles que têm competências e experiência e que fizeram algo de marcante para a FPF e para Portugal", acrescentou.

Tozé, que teve como última experiência no futebol o cargo de diretor desportivo do Cinfães, do Campeonato Portugal, e tem agora uma hipótese de trabalho nos Emirados Árabes Unidos, transmitiu o 'gene' futebolístico aos filhos Bernardo e Nuno, para quem espera ser uma inspiração.

"Eles sabem que têm de conquistar o seu espaço no futebol pelo seu talento, e não por aquilo que o pai conseguiu. Espero que os meus feitos possam ser uma motivação, mas não serei eu o responsável pelos sucessos que possam ter", sublinhou.

Ainda assim, os vídeos em que Tozé surge na conquista do Campeonato de Mundo de Riade, na Arábia Saudita, são motivo de orgulho e alento para os filhos.

"É inevitável já termos visto esses jogos, e às vezes até lhes digo que já chega vê-los de novo [risos]. Mas eles adoram, e para mim é obviamente um motivo de orgulho", partilhou.

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