A Liga italiana de futebol promete que irá procurar identificar nas bancadas os adeptos que protagonizem cânticos racistas e comportamentos discriminatórios para os banir dos estádios.

“Vamos estádio a estádio, setor a setor, para identificar essas pessoas e pô-las longe dos recintos de futebol. Fizemos muito pouco até agora para erradicar o racismo do futebol no país, mas chegou a altura de enfrentar o problema. Precisamos de tempo para o resolver, mas há que dar início a esse combate”, disse o diretor executivo da Serie A, Luigi De Siervo.

Esta época tem sido marcada por constantes episódios de cânticos racistas e comportamento discriminatórios nos estádios de futebol e De Siervo garante que o organismo que gere o campeonato italiano está a “trabalhar em dezenas de iniciativas” para combater o fenómeno.

Recentemente, jogadores que atuam na Serie A, como Romelu Lukaku, Franck Kessie, Dalbert Henrique, Miralem Pjanic, Ronaldo Vieira, Kalidou Koulibaly ou Mario Balotelli, têm sido visados com cânticos racistas, sendo que, desde lote, apenas Pjanic, que é bósnio, não é negro.

“Estamos a trabalhar com o que temos. O objetivo é apanhá-los um a um e bani-los dos estádios, mas garantir que 10, 20 ou 30 pessoas não possam arruinar a imagem de uma cidade, de um país”, explicou o diretor executivo da I Liga italiana.

De Siervo fala em “iniciativas concretas” em curso, sobre as quais não pode revelar detalhes, nomeadamente a nível da “alteração dos regulamentos”, mas considera que é preciso pressionar o Governo e criar instrumentos para combater este problema, como, por exemplo, “através de campanhas nas escolas e nos órgãos de comunicação social”.

A única coisa que De Siervo não quer ver é a suspensão dos jogos por incidentes racistas: “Pessoalmente, sou contra a interrupção de um jogo porque isso danifica todo um sistema. Eu compreendo os jogadores que são alvo dessa discriminação, mas defendo que se passe a intervir imediatamente após a partida com sanções severas”.

A conferência de imprensa foi convocada à pressa, depois de a imprensa italiana ter publicado uma gravação em áudio de Luigi De Siervo, na qual este surge a dizer que tinha dado o aval para desligar os microfones apontados para aos adeptos nos estádios para evitar que os telespetadores ouvissem cânticos racistas.

O áudio foi gravado por um telemóvel numa reunião da Direção do organismo, em 23 de setembro último, e enviado para o jornal italiano La Repubblica.

De Siervo procurou defender-se, alegando que procurava evitar transformar certas pessoas em heróis e impedir o risco de imitação, mas tal não evitou que a Federação italiana de futebol abrisse uma investigação acerca dos seus comentários no citado áudio.

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