Colin Kaepernick tornou-se num dos rostos da luta contra a discriminação racial e violência policial contra negros nos Estados Unidos da América. O jogador de futebol norte-americano entrou para a ribalta quando, em 2016, decidiu não cantar o hino do país mas sim ajoelhar-se antes de cada jogo, em protesto contra a desigualdade e brutalidade racial existente. Foi o primeiro jogar a ter tal gesto.

O gesto foi fortemente apoiado por outros jogadores afro-americanos e pela comunicada negra nos EUA mas valeu-lhe também muitas críticas, com Kaepernick, considerado um dos melhores jogadores da NFL, a não encontrar equipa desde então. É um jogador livre, à procura de clube, mas a NFL refere-se a Kaepernick como ex-jogador.

Um dos que mais criticou Kaepernick pelo seu gesto foi Donald Trump, presidente dos EUA. O próprio advertiu, nas redes sociais, que nenhum clube contratasse o quarterback afro-americano: "Não querem que lhes envie um tweet duro", escreveu na sua página no Twitter, onde é muito ativo. Trump chegou mesmo a insultar Kaepernick e os jogadores que repetiram o gesto (ajoelhar-se no momento do hino dos EUA), chamando-os de 'filhos da puta'.

Uma declaração forte que levou o seu amigo, Robert Kraft, dono dos New England Patriots, a chamar-lhe a atenção, sublinhando que as suas declarações eram "horríveis" e "dividiam a sociedade" norte-americana.

Colin Kaepernick continua na sua luta contra a desigualdade e brutalidade racial existente nos EUA. Apesar do seu talento, nenhuma equipa arrisca a contrata-lo, o que é um mistério. Ou quase.

Joe Lockhart, antigo vice-presidente de Comunicações da NFL e que agora desempenha as funções de analista político na CNN, explicou porque Kaepernick continua no desemprego.

"Os proprietários pensaram que contratar Kaepernick seria mal para o negócio. Um executivo de uma das equipas que queria contrata-lo, disse-me que se o tivesse feito, projetavam perder 20 por cento dos bilhetes de época. [Contratar Kaepernick ] era um risco comercial que nenhuma equipa estava disposto a assumir, quer o dono fosse partidário de Trump ou democrata. Era um problema de imagem que nenhum proprietário estava disposto a correr, já que podia colocar o negócio em risco", detalhou Joe Lockhart, em declarações reproduzidas pelo jornal 'Marca'.

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