A empresária envolvida no caso que levou à prisão do ex-futebolista internacional brasileiro Ronaldinho Gaúcho no Paraguai viu hoje ser-lhe negado o pedido para poder litigar livremente o caso no qual é acusada de falsificar documentos públicos.

Dalia López viu o juiz penal recusar-lhe essa prerrogativa constitucional, o habeas corpus, uma medida judicial que visa a proteção da liberdade física do indivíduo, quando esta se encontra ameaçada ou restringida de forma direta ou indireta.

A decisão do tribunal destaca que a empresária, que anda fugida à justiça, possui todas as garantias e “recursos processuais” no âmbito da declaração de mandado de detenção emitido em 18 de março, neste caso pela Interpol, depois do mandado de 07 de março feito pela justiça paraguaia.

A suspeita é presidente da Fundação Fraternidade Angelical, pela qual convidou e financiou a viagem de Ronaldinho ao Paraguai para um programa de assistência social infantil na instituição, contudo, é considerada a chefe de uma suposta quadrilha que falsificou o passaporte do brasileiro e do seu irmão.

O advogado de Dália revelou que esta recorreu a uma empresa privada para a emissão dos passaportes, desconhecendo que os mesmos eram falsificados.

Os representantes dos brasileiros argumentaram, por sua vez, que pensavam abrir negócios no Paraguai e que interpretaram a oferta dos passaportes como uma espécie de presente.

Se declarar a favor de Ronaldinho e do seu irmão, desde 07 de abril em reclusão domiciliária em hotel da capital paraguaia, depois de um mês na prisão, a empresária poderá ajudar à sua libertação, caso contrário, os brasileiros podem permanecer outros cinco meses em prisão preventiva: se forem condenados, podem ter de cumprir até cinco anos de prisão.

Ronaldinho e o seu irmão Roberto tiveram de pagar uma fiança de cerca de 1,48 milhões de euros para alterar a medida de coação.

Quando entraram no Paraguai, não apresentaram o passaporte brasileiro, nem o documento de identidade brasileiro, documentos aceites em toda a América do Sul.

Identificaram-se com passaportes paraguaios, que, depois, alegaram na justiça nunca terem solicitado. Foram detidos horas depois no hotel, onde a Polícia encontrou os passaportes e documentos de identidade paraguaios, também falsos.

A dupla brasileira está em vigilância policial permanente para evitar que possa deixar ilegalmente o país, depois de um mês de prisão num quartel policial de 14 hectares, o Agrupamento Especializado, condicionado como prisão de máxima segurança para receber presos especiais, acusados de corrupção, tráfico de drogas e assassínios.

Durante o primeiro mês de prisão, o ex-jogador foi o centro das atenções no quartel. Participou de torneios de futebol e pôde usar telemóvel próprio livremente para conversar com amigos e parentes.

No dia 21 de março, quando completou 40 anos, recebeu um churrasco feito pelos demais 30 presos como presente de aniversário. Ronaldinho também recebeu a visita de ex-jogadores famosos do Paraguai, até as mesmas serem proibidas, devido à pandemia do novo coronavírus.

A investigação já envolve 16 indiciados e a Procuradoria ampliou a causa, em 08 de março, a uma possível ligação com uma organização criminosa, acusada de lavar 400 milhões de dólares. Além de Ronaldinho, empresários e funcionários públicos paraguaios são investigados.

No Brasil, o ex-jogador estrela é Embaixador do Turismo do governo de Jair Bolsonaro, cargo que mantém apesar da acusação no Paraguai.

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