A ambição por uma medalha nos Jogos Olímpicos marcou hoje a chegada da seleção portuguesa de andebol a Lisboa, após alcançar o feito inédito de se qualificar para Tóquio2020, no torneio pré-olímpico em Montpellier, França.

“Para fazermos alguma coisa interessante, temos de confiar e fazer com que o potencial que temos seja uma garantia de podermos estabelecer um objetivo ambicioso. O respeito por esse potencial é que fez com que sempre ambicionássemos objetivos difíceis de alcançar. Nos Jogos Olímpicos, vamos ter de ter uma medalha. É uma coisa louca? É, mas vamos continuar a ser malucos, porque somos mais felizes assim”, afirmou o selecionador Paulo Pereira.

Entrevista exclusiva - E agora, seleção de Andebol? "Se respeitarmos o nosso potencial, temos de jogar por uma medalha"
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No aeroporto de Lisboa, onde a comitiva lusa foi recebida por alguns familiares e amigos, Paulo Pereira mostrou-se convicto da contribuição do malogrado guarda-redes Alfredo Quintana, que morreu em 26 de fevereiro na sequência de uma paragem cardiorrespiratória, no feito alcançado.

“Estou seguríssimo de que este ‘plus’ [aumento] de energia que tivemos para fazer esta competição foi vindo dele. Nós, sozinhos, provavelmente não conseguiríamos. Tenho orgulho deste ‘staff’ e destes enormes jogadores, com este caráter fantástico, para podermos lograr este objetivo muito difícil”, expressou.

O triunfo diante da anfitriã França, por 29-28, foi obtido nos segundos finais, por intermédio do capitão Rui Silva, que sublinhou ser “uma sensação incrível” ter marcado o golo da vitória, embora realce que o tento foi de todos, incluindo Quintana, tatuado no braço direito, com o qual atirou a bola para o fundo das redes.

Rui Silva e a homenagem a Quintana marcada no seu braço: "Temos de continuar e leva-lo sempre connosco"
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“É algo histórico na nossa modalidade e no nosso país. Só tenho de me sentir muito orgulhoso, mas, ao mesmo tempo, sinto que todos marcámos o golo. Somos um grupo incrível, ainda para mais com aquela ‘estrelinha’”, apontou, acrescentando que têm de ir a Tóquio “com a mesma ambição que tem caracterizado esta seleção nos últimos três anos”, partindo “à procura de mais um sonho”.

O central do FC Porto considera que “houve uma evolução muito grande no andebol, tanto a nível de clubes como de seleção”, o que permite uma mudança de mentalidade entre os atletas, que se sentem “muito mais capazes” e acreditam que podem “ganhar a qualquer um”.

O ponta António Areia, que também representa os ‘dragões’, reforçou a crença em ir aos Jogos “com as melhores expectativas”, após almejar algo “muito especial” no torneio pré-olímpico, com a ajuda “mágica” de Alfredo Quintana, lamentando a ausência do guarda-redes para justificar as lágrimas depois do apito final no encontro.

“As lágrimas saíram-me porque havia uma pessoa que merecia tanto quanto nós estar ali a festejar este feito e ir a Tóquio. Foi um misto de uma alegria enorme e de uma tristeza muito grande por não conseguir estar presente neste momento, pelo menos fisicamente, porque sabemos que teve a mãozinha dele”, frisou, emocionado.

O presidente da Federação de Andebol de Portugal (FAP), Miguel Laranjeiro, congratulou o feito “não só excecional para o andebol, mas para todo o desporto em Portugal”, pedindo para que se olhe para o mesmo “de forma diferente”, com a ideia de que, “com organização, trabalho, apoio e ambição, é possível chegar mais longe nas modalidades coletivas”, partilhando da ambição dada pelo selecionador e jogadores.

“Toda a ambição que tem sido colocada, nestes últimos anos, na seleção tem dado resultado. Quando vamos hoje para uma competição deste nível, vamos com essa ambição de chegar mais longe e ser os melhores. Estamos no lote de 12 seleções de todo o mundo e lá estaremos para lutar pelas medalhas, em nome do país, dos portugueses e do andebol”, referiu.

O andebol masculino vai ser a quarta competição coletiva com representação lusa em Jogos Olímpicos, depois das presenças também masculinas em futebol, em 1928, 1996, 2004 e 2016, no polo aquático, em 1952, e no hóquei em patins, em 1992, este último num torneio de exibição.

No Japão, Portugal vai ter como rivais a seleção anfitriã, a Dinamarca, campeã do mundo em 2019, e os vencedores das competições continentais, casos da Espanha, no Europeu de 2020, a Argentina, na prova pan-americana, o Egito, em África, e o Bahrain, na Ásia.

Os também colossos da modalidade Brasil, Noruega, França, Alemanha e Suécia asseguraram as vagas da mesma forma que a seleção lusa, através dos torneios europeus de qualificação olímpica, concluídos no domingo.

As equipas presentes vão ser integradas em dois grupos de seis, estando Portugal no terceiro pote do sorteio, com jogos entre 24 de julho e 01 de agosto, avançando os quatro primeiros para os quartos de final, seguindo-se meias-finais e final, em 07 de agosto.

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