A Ovarense manterá a equipa masculina na próxima edição da Liga portuguesa de basquetebol, ao contrário do Illiabum, que vai descer à Proliga, em decisões comunicadas na segunda-feira à Federação Portuguesa de Basquetebol (FPB).

“Tivemos de reanalisar todo o enquadramento financeiro e desportivo. Vamos participar na elite, mas reduzimos drasticamente o orçamento e fizemos um esforço grande para reduzir os custos operacionais ou logísticos, porque as condições atuais assim o obrigam. Ponderámos as duas situações e, fazendo as contas, participar na I Liga tem um custo elevado, mas tem também retorno”, explicou à agência Lusa o presidente Rui Palavra.

O prazo para os primodivisionários comunicarem à FPB em que nível queriam competir na temporada 2020/21 terminou na segunda-feira, quando os vareiros ratificaram “com esmagadora maioria” em Assembleia-Geral a continuidade da histórica formação masculina na elite e a descida do conjunto feminino ao escalão secundário.

“Não é por estarmos lá há 42 anos que nos devemos manter, mas achamos que temos condições financeiras e desportivas para competir na Liga. Um orçamento mais baixo não é necessariamente uma equipa pior ou menos competitiva. Temos de trabalhar mais, encontrar outras soluções e pedimos aos sócios que votassem todo o plano estratégico para o próximo ano, tendo em conta as muitas alterações que estávamos a propor”, observou.

Após 22 das 26 jornadas da fase regular, a Ovarense ocupava o 10.º lugar do campeonato, com os mesmos 31 pontos de Esgueira e Lusitânia, tendo a FPB anulado todas as competições em 29 de abril, devido à pandemia de covid-19, sem títulos atribuídos e com as subidas do Imortal à Liga e do Galitos à Liga feminina.

A três pontos dos vareiros, detentores de cinco campeonatos, três Taças de Portugal, três Taças da Liga e oito Supertaças, seguiam os vizinhos do Illiabum, vencedor da prova ‘rainha’ em 2017/18, que decidiram inscrever-se no segundo escalão do basquetebol português e representam a única desistência entre os primodivisionários.

“Contribuiu obviamente a incerteza financeira do momento e a questão desportiva, porque andamos há dois anos a lutar para não descer. Não conseguimos aumentar o orçamento para inverter isso e para o ano vão descer cinco equipas. Juntando as duas coisas, entendemos que é mais útil para o clube voltar à Proliga, estruturar-se e regressar daqui a uns tempos”, justificou à agência Lusa o presidente Pedro Rosa Novo.

Campeã da II Liga em 2015/16, a equipa de Ílhavo esperou pelo prazo-limite para confirmar em Comissão Administrativa um “desfecho nada fácil”, socorrendo-se de uma medida federativa excecional devido aos efeitos da paragem motivada pelo novo coronavírus para competir num nível abaixo sem quaisquer penalizações desportivas ou disciplinares.

“Com o atual plantel somos competitivos na Proliga, mas não somos competitivos na Liga. É o que nos diz a história. É óbvio que podíamos continuar na Liga e se calhar arriscávamos a descer. É que um terço das equipas será despromovida na próxima época, o que é uma brutalidade. Entendemos que era mais útil dar um passo atrás para podermos pensar em dar dois para a frente futuramente”, afiançou.

O Illiabum interrompe um ciclo de quatro temporadas consecutivas no escalão máximo, no qual todas as desistências comunicadas a partir de hoje serão penalizadas com a descida à II Divisão, conforme estipulou a FPB em 29 de abril, num dia em que anunciou o cancelamento conjunto das provas com as federações de andebol, patinagem e voleibol.

A próxima versão da Liga portuguesa de basquetebol contará com 14 clubes, dos quais 12 transitam da última época (Sporting, Benfica, FC Porto, Oliveirense, Vitória de Guimarães, Galitos, CAB Madeira, Esgueira, Lusitânia, Ovarense, Barreirense e Maia), além do Imortal, que garantiu a subida antes da paragem e vai render o despromovido Terceira Basket.

A última vaga será determinada num ‘play-off’ a realizar em setembro, entre CD Póvoa, Ginásio Olhanense e Académica, que estavam no segundo, terceiro e quarto lugares da II Liga à data da suspensão e têm de se inscrever no torneio de pré-época até 30 de junho.

A Federação Portuguesa de Basquetebol anunciou em 04 de junho um reforço de 225 mil euros nas verbas destinadas aos clubes, fixando apoios financeiros superiores a 736 mil euros em taxas de inscrição e de participação, material desportivo e formação, como resposta à crise provocada pela covid-19.

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