Nelson Oliveira parte para a Volta a França em bicicleta sem metas pessoais, mas com a responsabilidade de ser o homem sombra de Rui Costa na Lampre-Merida, um papel que passará despercebido a quase todos.

Nelson Oliveira é o homem de confiança do líder da Lampre-Merida. Isso viu-se no domingo quando trabalhou para entregar a ‘sua’ camisola de campeão nacional, viu-se nos Mundiais de Ponferrada, quando foi o mais dedicado da seleção lusa, mas vê-se, sobretudo, em cada prova em que os dois participam como equipa. Por isso, falar dos planos do jovem de Anadia para este Tour, implica, obrigatoriamente mencionar o antigo campeão do Mundo.

“A minha missão é trabalhar para o líder, para o Rui, como no ano passado. O entendimento é bom. Sempre nos entendemos bem e cada vez melhor. Os anos vão passando, já nos conhecemos um ao outro, sabemos, praticamente, tudo um do outro, depois é só seguir para a frente e pedalar. Sabemos as nossas limitações, o que cada um pode fazer. É fácil”, assumiu à agência Lusa.

Juntos há duas temporadas na Lampre-Merida, os dois compreendem-se “quase” sem falar e, como tal, é natural que o corredor de 26 anos esteja à partida da 102.ª Volta a França, em Utrecht, na Holanda.

Trabalhador incansável para o seu líder e amigo, o tímido bicampeão nacional de contrarrelógio está habituado a que o seu esforço não seja reconhecido por quem só acompanha a modalidade de relance.

“Quem está no centro da corrida, quem está mesmo a ver, vê que há um trabalho desde início, agora quem só vê na televisão aí já é outra coisa. Não tem nada a ver, porque quando a televisão chega mais de metade do trabalho está feito. E parece que estamos lá pouco tempo. Pois estamos. Já temos muitos quilómetros nas pernas a trabalhar e isso, por vezes, na televisão não passa como deveria”, assinalou.

Quem viu o seu empenho na Volta a França do ano passado, na sua estreia na prova francesa, foram os responsáveis da Lampre-Merida que, satisfeitos com o seu esforço, lhe deram nova mostra de confiança.

“Fiquei contente, claro. O Tour... sabe como é, toda a gente quer lá ir”, salientou.

Na memória do corredor de 26 anos ainda paira a estreia atribulada na prova francesa, quando a desistência de Rui Costa afundou o ânimo dos ciclistas da Lampre-Merida.

“Ele desistiu por razões próprias, porque estava doente. Não podíamos fazer nada. Compreendíamos isso. Perdemos logo dois atletas no início do Tour, depois eramos só sete. Acabámos com cinco atletas. Claro que isso vai afetando. Parece que estamos ali para nada. Estamos ali a correr e nem líder temos, é estranho”, recordou.

Este ano, entre Utrecht e Paris, onde o pelotão desfila a 26 de julho, o ciclista da Lampre-Merida espera poder ajudar o seu líder a conquistar o objetivo delineado à partida.

“[Rui Costa] está a contar com um lugar no ‘top-10’. As pessoas esquecem-se que o Tour são três semanas. Não é fácil para um atleta estar 21 dias sempre bem. Ele já demonstrou que em provas de duas semanas é muito bom, agora ele como líder ainda não teve a oportunidade de o demonstrar em três semanas. É também uma incógnita”, reconheceu, apontando a primeira semana como “a mais temível”, devido aos ‘pavés’.

Escolhendo Chris Froome (Sky), o vencedor de 2013, como grande favorito à vitória final, Oliveira não escondeu a sua desilusão pela organização se ter esquecido de especialistas como ele.

“[O Tour] Tem um ‘crono’ com 14 quilómetros, mas é no centro da cidade, não tem dificuldade nenhuma, é curva à esquerda, curva à direita, não se adapta bem às minhas características. Mas estou lá para o contrarrelógio por equipas, em que a nossa missão é tentar perder o menos tempo possível”, concluiu.

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