Bárbara Pereira é cega desde 2017 e, pela vontade de ajudar na formação de cães-guia em Portugal, vai pedalar “às escuras” numa bicicleta ‘tandem’ entre quarta-feira e sábado do Porto a Santiago de Compostela, na Galiza.

Acompanhada do marido Ricardo Ribeiro, que seguirá como guia na dianteira da bicicleta, Bárbara espera angariar 6.500 euros e a partida será às 07:00, na Sé Catedral do Porto.

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Bárbara Pereira transformou o facto de ter ficado cega em 2017 e de estar desde 2018 à espera que lhe seja entregue um cão-guia no projeto “Pedalar com sentido”, uma ideia, explicou à Lusa, com duas vertentes: superação pessoal, a de cumprir 240 quilómetros numa bicicleta ‘tandem’ na companhia do marido Ricardo Ribeiro, e de angariação de fundos.

“O projeto visa angariar os 6.500 euros necessários à escola em Mortágua [única no país] para cobrir um ano de manutenção do programa de reprodução de cães-guia para cegos”, disse a promotora do projeto, enfatizando que “a formação de um cão-guia ronda os 18 mil euros e que este é entregue gratuitamente à pessoa cega”.

Explicando que o orçamento desta escola que “fornece para todo o país e ilhas” vem de “donativos e de campanhas”, Bárbara resolveu “como futura utilizadora de um cão-guia e em forma de agradecimento”, criar a sua “própria campanha e tentar, assim, ajudar”.

O projeto começou com uma ajuda vinda da Federação Portuguesa de Ciclismo, que cedeu uma bicicleta ‘tandem’ para ela “perceber se conseguia pedalar às escuras”, situação que confirmou ser capaz, assumindo então que se “devia desafiar e ao marido para tentar o objetivo”.

Ricardo Ribeiro testemunhou e acrescentou: “Vamos até Santiago de Compostela para angariar fundos na fé e na coragem”.

“A ideia que eu tenho é que me vou superar e vou pedir às pessoas que se juntem a nós porque a causa dos cães-guia não é só das pessoas cegas, acho que é uma causa social porque nunca sabemos o dia de amanhã e a nossa vida muda em segundos”, assinalou a esposa no retomar da palavra.

Ricardo Ribeiro descreveu o programa da viagem com início agendado para as 07:00, na Sé Catedral do Porto, e que no primeiro dia levará o casal até Viana do Castelo, no segundo até Valença, no terceiro até Pontevedra, já em Espanha, antes da chegada, sábado, a Santiago de Compostela, cumprindo médias diárias de 60 quilómetros.

Os treinos nos últimos dias têm sido “desafiantes” para Bárbara a todos os níveis, tendo, durante a entrevista à Lusa, repetido várias vezes o receio de assentar direito os pés nos pedais, depois de terem adquirido a bicicleta onde farão a peregrinação e que, relativamente à cedida pela federação para treinos, “é mais leve 19 quilogramas”, assinalou, outra vez a sorrir.

Outra parte importante é a coordenação de movimentos, tendo sido constantes as instruções de Ricardo no comando do velocípede, sempre num tom baixo e sempre a motivar a companheira de viagem.

“O que acho que vai ser mais desafiante é o cansaço de estarmos tantos dias a fazer muitos quilómetros, mas estamos minimamente preparados”, reforçou o marido.

Bárbara perdeu a visão de forma progressiva motivada pelo descolamento da retina em ambos os olhos, primeiro em 2004 e depois em 2017, mas hoje em dia o que a faz mover é poder ajudar quem está na sua situação a receber mais depressa um cão.

“Esta ajuda permitirá à escola ter mais verba e, com isso, formar mais cães-guia”, insistiu antes de voltar para a bicicleta e completar o último treino antes da aventura pelo caminho da costa da peregrinação até terras da Galiza.

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