O Mundial de futebol de praia trouxe maior afluência de pessoas às praias de Espinho, mas tal não significa que os negócios da região vão de vento em popa. Bem pelo contrário. Segundo os proprietários dos bares e restaurantes localizados nas imediações do estádio, o torneio tem até sido prejudicial.

Os comerciantes apontam falhas à organização do evento e revelam ainda 'golpes baixos' da parte da FIFA. António Espírito Santo, proprietário do Surfjah Café, que fica a escassos metros do estádio, tem várias razões de queixa. "Nós que trabalhamos e pagamos impostos o ano todo somos proibidos de publicitar as nossas marcas. Tentam fazer-nos a vida negra de várias maneiras para venderem a marca de cerveja deles. Mesmo estando eu fora da 'zona de exclusão' da FIFA, obrigaram-me a tapar todos os símbolos da marca de cerveja que comercializamos. Na semana passada aconteceu uma coisa ainda mais grave: responsáveis da FIFA e da Câmara de Espinho pediram-me para deixar de vender cerveja. É inadmissível, porque é o meu ganha-pão", lamenta o comerciante em conversa com o SAPO Desporto.

O evento, segundo defendem os comerciantes, não dá ainda o devido destaque à cidade que o alberga. "Os flyers que eles fizeram anunciam hotéis do Porto e não de Espinho. Anunciam restaurantes do Porto e de Gaia, não de Espinho. Não percebo como é que anunciam o Campeonato do Mundo em Espinho e sugerem estabelecimentos no Porto. Para isso organizavam o evento lá, não em Espinho", atira Espírito Santo.

António Brandão, proprietário da Aquário Marisqueira de Espinho, que está virada de frente para o estádio, também critica a opção de descurar a cidade. "Lamentamos que tenha acontecido isso e lamentamos o facto de terem instalado no exterior do recinto os vendedores deles, com as marcas que patrocinam o evento, e que nos fazem concorrência. Pensávamos que ia ser um pouco diferente. Não estamos contra o evento, mas notamos isso", salienta, lamentando também: "o evento trouxe de facto muita gente, mas faltaram os turistas que geralmente ocupam os hotéis nesta altura do ano".

Também de frente para o estádio está a Gelataria Esquimó que, contra todas as expectativas, está também a sair prejudicada com o evento. "Desde que começou o projeto e me retiraram a praia, o negócio tem sido francamente mau. Quanto a praia estava livre era muito melhor. Muito sinceramente, isto para mim não teve interesse nenhum. Não foi benéfico para os comerciantes de Espinho", defende João Sá, proprietário do estabelecimento.

"Nós vivemos do pessoal que vem para a praia, não vivemos do pessoal que vai para o jogo e depois vai para todo o lado menos para aqui. Turistas? Nada, nada. Da minha esplanada só se vêem painéis e este 'mamarracho' [o estádio]. Isto não me trouxe lucro nenhum, trouxe prejuízo. O 'catering' é fornecido por empresas de fora, quem explora os bares da FIFA não é pessoal de cá. Tiraram-nos estacionamento, o pessoal já não pode estacionar aqui ao lado porque está tudo reservado. Espinho está reservado para a FIFA, não para as pessoas que vêm ver os jogos".

"Espinho não tinha estrutura para receber este evento. Não tem hotéis suficientes, não tem estacionamento suficiente. Isto foi bom para Gaia, que encheu os hotéis todos. Resumindo: para mim é um prejuízo enorme. É um evento para inglês ver", remata João Sá, que se confessa ansioso pelo encerramento do torneio, no domingo.

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