Poucas aldeias de Portugal se podem orgulhar tanto do clube da terra como as gentes da Burinhosa. A equipa de futsal conseguiu colocar a aldeia no mapa do desporto nacional, numa ascensão meteórica desde as distritais de Leiria até à elite da modalidade. Um fenómeno raro no panorama desportivo nacional que transformou a Burinhosa na Aldeia do Futsal, como passou a ser conhecida (tal como é o vizinho Turquel, a Aldeia do Hóquei). Um trabalho notável iniciado em campo pelo treinador Kitó Ferreira e que teve continuidade com Alexandre Pinto, já na Primeira Divisão.

Dois emigrantes da terra, a viverem nos Estados Unidos da América e em Angola respetivamente, têm ajudado a manter o Burinhosa na Primeira divisão, num emblema que conta ainda com os apoios da Câmara Municipal de Alcobaça e dos patrocinadores [empresas da região].

O resto é ambição, querer e vontade de uma formação aguerrida e dos 700 habitantes na aldeia que empurram a equipa para a frente nos jogos em casa. Mais do que uma equipa, o Burinhosa passou a ser um sentimento, um modo de estar no desporto português. Já são cinco anos seguidos na elite do futsal nacional, depois do título de campeão da segunda divisão, em 2013/2014.

Do ringue ao pavilhão até à Primeira Divisão

A dimensão da aldeia não limita as suas ambições. É prova disso o 3.º lugar na fase regular da divisão de elite do futsal nacional na época 2015/2016, a final perdida na Taça de Portugal frente ao Benfica em maio de 2017 e as presenças consecutivas nas fases de apuramento do campeão, mas também nas fases finais da Taça de Portugal e Taça da Liga. Desde que o Bury está entre os 'grandes', nunca falhou a presença na final a oito da Primeira Divisão, depois de se ter sagrado campeão da segunda divisão,  em 2013/2014.

O futsal do Burinhosa é um produto das limitações territoriais da própria aldeia. É a vontade de um grupo de amigos que viu na modalidade um forma de passar o tempo. O futebol, 'rei e senhor' em terras de Portugal, mas muito mais caro a nível de investimentos, ficou em segundo plano, numa aldeia com poucos recursos e com apenas 700 habitantes. Foi a construção do Pavilhão Gimnodesportivo que viria a mudar a história do Centro Cultural Recreativo e Desportivo Burinhosa, um emblema com mais de 70 anos.

"A construção do pavilhão veio maximizar os recursos na nossa zona. Posteriormente, criamos a nossa equipa de futsal, fomos buscar os melhores jogadores do nosso distrito, desde as Caldas da Rainha, Leiria, etc., e construímos uma equipa que foi subindo de divisão até acabar na primeira", conta-nos Leucádio Alexandre, responsável pelo futsal do emblema da União de Freguesias de Pataias e Martingança, concelho de Alcobaça, Leiria.

Na conversa com o SAPO Desporto, este antigo praticamente da modalidade guia-nos pela casa, mostra-nos, orgulhosamente os troféus conquistados nos vários escalões de formação, desde os petizes até à equipa sénior. Pelo caminho, vai cumprimentando os poucos funcionários do clube que tratam da logística das equipas, do pavilhão, mas também do bar, troca ideias com os vários sócios do emblema que, ao final de cada tarde, se reúnem no bar do clube para conviver, passar o tempo e comentar os resultados e jogos das equipas de futsal.

Das distritais da Associação de Futebol de Leiria até à Primeira Divisão foi um pulo. Um caminho feito de trabalho, de garra, de perseverança, de acreditar num projeto que cresceu rápido demais. Depois de um sexto e de um quarto lugares na segunda divisão, a tão desejada subida à elite do futsal português aconteceu na época 2013/2014, com a vitória nos Açores frente ao Rabo de Peixe por 5-1, e o primeiro lugar da Serie B, com os mesmos 61 pontos do Portela, mas em vantagem em golos marcados e sofridos. A decisão do título da segunda divisão acabaria por ficar na Aldeia do Futsal, com 3-3 em Gondomar frente ao Unidos Pinheirense e vitória por 4-0 em casa.

Este crescimento exponencial do futsal do Burinhosa teve o 'dedo' de Kitó Ferreira, um técnico que subiu a pulso no desporto nacional e que incutiu na equipa toda a garra e a determinação da sua própria experiência pessoal. Mas um incidente junto ao bar do clube em outubro de 2017, que envolveu troca de agressões e acusações entre dirigentes do emblema e em que o próprio Kitó Ferreira se viu envolvido, determinou a sua saída. Antes de deixar a Aldeia do futsal, o treinador conseguiu colocar o nome do Burinhosa no mapa do desporto nacional, com duas presenças consecutivas na fase de apuramento do campeão de futsal.

Com a demissão, Alexandre Pinto, até então adjunto de Kitó Ferreira, passava a ser o 'homem do leme'. Uma escolha natural, num técnico com apenas 32 anos na altura. A escolha viria a dar frutos.

Leucádio Alexandre fala-nos dos dois emigrantes que têm ajudado o futsal do Burinhosa
Leucádio Alexandre fala-nos dos dois emigrantes que têm ajudado o futsal do Burinhosa créditos: SAPO Desporto

"O Alexandre Pinto conhecia bem a casa, o Burinhosa,  o lema da equipa e ele era a solução natural: era conhecedor dos jogadores da equipa, dos da região e do panorama nacional. Foi uma boa aposta e não estamos nada arrependidos", explica-nos Leucádio. A escolha não surpreendeu o próprio Alexandre Pinto. Depois de "anos de aprendizagem, de convivência, na segunda divisão e depois na primeira", de assimilação de conhecimentos ao lado de Kitó Ferreira, o jovem natural das Caldas da Rainha preparava-se para o maior desafio da carreira.

"Nunca sabemos se estamos preparados ou não para o desafio. O que me deu força foi sentir que todo o balneário estava a apoiar-me e crente na minha competência para assumir o cargo. Foi isso que fiz e em boa hora o fiz", sublinha, ao SAPO Desporto.

Dificuldades no recrutamento

Tal como muitos jogadores da equipa sénior, Alexandre Pinto não vive em Pataias. É professor de educação física na Caldas da Rainha e faz, quase todos os dias, um trajeto entre 30 a 40 minutos entre o trabalho e o pavilhão para os treinos e jogos. A pequena dimensão da Aldeia do Futsal faz com que muitos dos jogadores tenham de fazer 100 quilómetros ou mais para irem treinar. Por isso, a equipa não consegue treinar todos os dias. O trabalho e a organização da equipa técnica terão de ser outras. Mas o Burinhosa compensa noutros fatores.

Nunca sabemos se estamos preparados ou não para o desafio. O que me deu força foi sentir que todo o balneário estava a apoiar-me e crente na minha competência para assumir o cargo

"Treinámos menos vezes que a maior parte das equipas da primeira divisão, se não mesmo, menos que todas elas, mas não é por treinarmos menos que temos de treinar pior. Adaptamo-nos a isso, fazemos as coisas de forma diferente, tentamos aproveitar o tempo ao máximo, tentamos que os jogadores se identifiquem com a aldeia, com os valores do nosso balneário, e acaba por ser isso que nos dá uma força extra ao batermos contra equipas que têm melhores condições que nós", explica-nos Alexandre Pinto.

Apesar do crescimento, o Burinhosa nunca conseguiu levar de vencida o Sporting ou o Benfica nos seniores. Recentemente a equipa perdeu com os 'leões' por 3-2  nas meias-finais da Taça de Portugal. O ponto mais alto foi a presença na final da mesma prova em 2017, perdida para o Benfica por 5-1, depois de afastar o secundário Viseu 2001 nas meias-finais por 3-1. Aos poucos, vai diminuindo em campo o que separa o Burinhosa dos ‘grandes’ emblemas.

Habituados a gerir parcos recursos, materiais e humanos, o Burinhosa tem de jogar na antecipação, chegar primeiro aos alvos de contratações. O problema depois é convencer os jogadores das grandes cidades como Porto ou Lisboa a irem jogar para uma aldeia com pouco mais de 700 habitantes.

Leucádio Alexandre e Alexandre Pinto têm de, à maneira portuguesa, 'inventar' soluções. Nos escalões de formação, é mais fácil porque os jovens da região de Leiria sonham jogar na Primeira Divisão com o escudo da Aldeia do Futsal ao peito. O nome do clube já chegou aos quatro cantos do mundo, pelo que, nas captações, o Burinhosa já chegou a ter jogadores vindos dos Açores e até do Brasil, para tentarem a sua sorte no futsal nacional. O problema cresce nas contratações para a equipa sénior.

"No panorama nacional, não temos tarefa fácil no que toca a contratações. A maior parte dos jogadores com valor para estar na Primeira Divisão pertencem às grandes metrópoles, Porto e Lisboa, e não é fácil deslocar um jogador destas metrópoles para virem jogar para a Burinhosa quando têm equipas a cinco ou 10 km de casa que os querem. Temos de fazer o trabalho de casa bem feito, temos de o fazer bem cedo, e temos de os convencer com outros argumentos, nem sempre monetários porque até aí perdemos para as outras equipas. Somos humildes e muito realistas, muito ambiciosos e é por aí que temos de os convencer, com estes valores", conta o treinador.

E foi por aí que os responsáveis do clube conseguiram convencer Tunha, internacional português e campeão europeu, a defender as cores da Aldeia do Futsal. Além de Tunha, João Marçal e João Azevedo são os outros jogadores da equipa que já representaram a seleção campeã da Europa de Futsal. Tunha, ex-Belenenses, deixou-se enamorar pela garra do Bury, pelo amor das gentes da aldeia ao clube da terra, pela forma como a equipa dava tudo em campo. Valores que seduziram o pivot a deixar o conforto da capital portuguesa, onde representava o Belenenses.

"Recebi o convite com grande orgulho porque era uma equipa que já admirava há algum tempo, de os defrontar, do espírito que eles incutiam em cada jogo. Quando vinha cá jogar contra eles, o público em si, toda a envolvência, o ambiente, era algo que me fascinava e que gosto, que faz parte de mim, e que pesou bastante na minha decisão de vir jogar para o Burinhosa", explica-nos Tunha.

"A Burinhosa não se explica, sente-se"

Apesar de todas as dificuldades, o Burinhosa tem conseguido tirar partido da aposta na formação. O clube trabalha diariamente com mais 100 jovens na formação, nos escalões sub-20, sub-19, sub-17, sub-15, infantis, benjamins, traquinas e petizes, num total de oito equipas. O crescimento é visível e esta época, pela primeira vez, o Burinhosa conseguiu levar de vencida um 'grande' em sua casa: os juniores venceram o Benfica, depois de terem conquistado a Taça Nacional neste escalão em 2018. Foi no Burinhosa que o guarda-redes Cristiano, atualmente no Benfica, começou a dar nas vistas, antes de se mudar para o clube da Luz.

"O nosso projeto, a médio/longo prazo passa pela formação. Temos quatro a cinco jovens que vão assiduamente às seleções nacionais de sub-19 e sub-17, a curto prazo pretendemos integra-los na nossa equipa sénior. Esse será o caminho a seguir, dar-lhes competitividade e qualidade aos nossos jovens", conta Leucádio.

E desde cedo os mais novos vão 'bebendo' os valores do emblema de Alcobaça, sabendo que em campo terão de dar sempre mais para poderem ombrear com os demais. O sentimento de representar o clube tem de ser maior que tudo o resto, explica Leucádio Alexandre.

"Costumamos dizer entre nós, entre jogadores, diretores, técnicos, que a Burinhosa não se explica, sente-se. É uma frase que reflete toda a nossa dedicação, empenho, garra, amor ao clube. Transmitimos isso aos nossos jovens e eles têm noção disso quando vão para o campo, que são os menos favoritos, os ‘underdogs’, e isso fá-los ombrear com equipas de renome nacional", sublinha o diretor de futsal do clube de Pataias.

Época atual feita de altos e baixos mas com os play-off no horizonte

Quando faltam duas jornadas para terminar a primeira fase do Nacional da Primeira Divisão, o Burinhosa ainda sonha com uma presença na fase de apuramento do campeão. Neste momento ocupa o 10.º posto, com os mesmos 26 pontos do 9.º o Belenenses, e com menos três pontos que o Elétrico de Kitó Ferreira, o primeiro emblema no último lugar que dá acesso à segunda fase. Se vencer o Leões Porto Salvo este sábado e repetir a proeza no fim-de-semana seguinte com o Futsal Azeméis e o Elétrico perder um dos dois jogos que têm, assim como o Belenenses, o Burinhosa marcará presença na fase final do nacional de futsal pela quinta vez consecutiva.

Mas essa não será uma tarefa fácil. A equipa viveu altos e baixos em 2018/2019, com derrotas inesperadas, e agora tem de fazer contas.

Burinhosa festea vitória sobre o Modicus na Taça de Portugal de futsal
Burinhosa festea vitória sobre o Modicus na Taça de Portugal de futsal

"A meu ver o campeonato este ano está muito mais difícil, o que é muito bom para a modalidade. Perdemos pontos onde não devíamos e esses tais pontos fariam toda a diferença", justifica Tunha.

Leucádio Alexandre aponta as lesões como um dos factores para a uma época que devia ter sido mais tranquila.

"Investimos muito esta época nalguns jogadores, nomeadamente no internacional Tunha, no internacional João Marcal, mas foi uma época atípica em que tivemos muitas lesões, o Vasco, o Russo, o Pimpolho, o Nino. Todas estas pequeninas coisas foram retirando-nos alguma capacidade de competir com as outras equipas. E as outras equipas reforçaram-se muito bem, têm bons treinadores e jogadores. E sendo equipas de cidades, tem recursos diferentes dos nossos", sublinha.

Nas anteriores quatro temporadas, registou um 7.º posto na fase regular logo no primeiro ano, em 2014/2015 (eliminado nos quartos-de-final pelo SC Braga que venceu dois dos três jogos, à melhor de três), resultado que repetiu em 2016/2017, ano em foi afastado pelo Benfica (2-0). Na época passada o Bury ficou no oitavo e último lugar da fase regular, entrou nos play-off mas foi afastado pelo Sporting nos 'quartos' (derrota por 2-0). A melhor classificação registou-se em 2015/2016, quando apenas Benfica e Sporting fizeram melhor que a Aldeia do Futsal na fase regular do principal campeonato de futsal de Portugal. Nas meias-finais, a equipa orientada por Alexandre Pinto afastou o Modicus mas viria a cair nas 'meias' frente ao Benfica por 2-0.

Burinhosa, a aldeia do futsal

É impossível separar o sucesso do Burinhosa da sua massa associativa. São apenas 700 os habitantes da aldeia, mas, em dias de jogos em casa, parecem 7 mil, tal é o ambiente criado no Pavilhão Gimnodesportivo, com capacidade para 400 espetadores. Quase sempre cheio, a atmosfera criada ajuda a equipa a superar-se e a conseguir os resultados que ambiciona. Fora de casa, são muitos os que acompanham a equipa de Norte a Sul do país.

O fervor dos adeptos viu-se em 2014/2015, aquando da subida à Primeira Divisão. No regresso a casa, após a vitória nos Açores frente ao Rabo de Peixe, uma multidão de adeptos e sócios do clube fizeram questão de se deslocarem até ao Aeroporto Humberto Delgado em Lisboa, onde a equipa foi recebida em festa. Organizaram-se caravanas, com autocarros cheios de adeptos, numa festa fantástica, com cerca de 200 adeptos.

"No avião fomos recebendo informação e pensávamos que teríamos familiares e alguns adeptos no aeroporto, mas nunca esperaríamos uma receção entre 100 a 200 pessoas, com autocarros organizados. Na chegada à Burinhosa, foi impressionante ver tanta gente de todas as idades na festa. O autocarro demorou meia hora entre a rotunda e a sede, numa distância de pouco mais de 100 metros. Foi uma receção só ao nível dos grandes clubes", contou na altura, Kitó Ferreira.

Em dias de jogos em casa, principalmente frente aos principais emblemas como Sporting e Benfica, os responsáveis do clube são obrigados a fecharem os portões do Pavilhão e deixarem muitos adeptos do lado de fora. Os 400 lugares começam a ser poucos para as ambições do Burinhosa, apesar de a aldeia ter pouco mais de 700 habitantes. São muitos os adeptos das aldeias vizinhas que não perdem a oportunidade de ver, ao vivo, os craques que estão habituados a ver pela televisão.

Futuro: apostar na formação

O futuro imediato passa por garantir um lugar nos play-off, apesar de a equipa depender de terceiros. Depois, é tempo de pensar já na próxima época. Com ainda muito por definir, ainda não se sabe se o técnico Alexandre Pinto irá continuar, ele que comanda a equipa principal há três épocas. Uma decisão só será conhecida no final da época, garante.

Costumamos dizer entre nós, entre jogadores, diretores, técnicos, que a Burinhosa não se explica, sente-se. É uma frase que reflete toda a nossa dedicação, empenho, garra, amor ao clube

Quem também não sabe da sua situação é o pivô Tunha. O internacional português gostaria de continuar a Aldeia do Futsal, sente-se identificado com os valores da casa e com as gentes da Burinhosa.

"Só Deus saberá se continuo ou não. Estou com a cabeça aqui, temos duas finais e temos de pensar muito seriamente deles e só depois falaremos do futuro. Obviamente que gosto de estar aqui, estou aberto a negociações", frisa.

Cristiano Marques, guarda-redes do Benfica que já representou o Burinhosa, abriu, juntamente com a mãe, um lar de idosos na Aldeia do Futsal
Cristiano Marques, guarda-redes do Benfica que já representou o Burinhosa, abriu, juntamente com a mãe, um lar de idosos na Aldeia do Futsal

Garantido para já está a presença na elite do futsal nacional, a Aldeia do Futsal já sabe que não irá descer de divisão. Parte do futuro passa também por aproveitar o trabalho desenvolvido pelo clube na formação. A equipa de sub-20 está em penúltimo no nacional da categoria, com seis pontos em nove jogos, depois de ter conquistado a Taça Nacional em 2017. A de sub-19 terminou no 3.º posto a fase regular do Nacional de Juniores, atrás apenas de Sporting e Benfica. A de sub-17 garantiu a presença no Nacional da categoria na próxima época, depois de ter terminado em segundo o play-off de manutenção.

Esta aposta na formação no futsal será o lema do Centro Cultural Recreativo e Desportivo Burinhosa. Passar também os valores da Aldeia do futsal tem os seus frutos. Recentemente Cristiano, guarda-redes do Benfica formado no Burinhosa, abriu, juntamente com a mãe, um lar de idosos na Burinhosa, para acolher os mais necessitados da aldeia e da freguesia de Pataias. Uma forma de retribuir o que de bom aprendeu na comunidade.

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