O selecionador da equipa campeã mundial de futsal disse hoje que a saúde mental é fundamental para “chegar ao cume da montanha” e que a integração de um psicólogo na equipa técnica faz os jogadores “sentirem-se bem”.

“A questão mental, a forma como temos objetivos mas depois trabalhamos para os alcançar… Estes aspetos são muito importantes e decisivos para, muitas vezes, chegar ao cume da montanha”, destacou Jorge Braz.

O selecionador de futsal de Portugal falava durante um seminário ‘online’ sobre saúde mental no desporto, iniciativa organizada pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF), pelo Ministério da Saúde e pelo Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol.

Portugal, que recentemente conquistou o título de campeão mundial, tem integrado na equipa técnica o psicólogo Jorge Silvério.

“Não me perguntem como ele faz, ou porque o faz. Existe uma independência e confiança que faz com que não queira saber. As pessoas mais importantes são os atletas e estes sentem-se bem, gostam de ter esse apoio e [o Jorge Silvério] tem ajudado quer nos treinos, na comunicação ou no feedback”, sublinhou Jorge Braz.

Para o selecionador de futsal, há uma tendência para falar de “falta de mentalidade” quando há insucesso, mas depois “não se faz nada para mudar”.

“No futsal falava-se disso nos últimos anos. O Jorge Silvério tem estado connosco, embora já houvesse uma ligação informal antes, pois estava muitas vezes sentado atrás do nosso banco. Houve sempre alguma preocupação da nossa parte em ter essa ligação e de o incluir, quer no planeamento do processo de treino, quer na atividade de todas as seleções”, referiu.

Ainda sobre o título conquistado recentemente na Lituânia, que permitiu a Portugal conquistar o primeiro campeonato do mundo de futsal, Jorge Braz considera que não consegue ver negativismo na pressão e que reconhecer as fraquezas permite transformá-las em forças.

O ‘webinar’, moderado pela jornalista Rita Ferro Rodrigues, teve também a participação de atletas de alta competição, como o canoísta Fernando Pimenta, a judoca Joana Ramos ou a velocista Lorene Bazolo.

E ainda do diretor do Programa Nacional de Saúde Mental, Miguel Xavier, que alertou que os problemas mentais em atletas de alta competição não são raros.

“Estamos programados para pensar que um atleta de alta competição é um super-homem e as coisas não são assim. A saúde mental teve uma aceleração no último ano e meio, mas até há pouco tempo esteve escondida e não é um problema só português”, disse.

Para Miguel Xavier, é necessário sensibilizar as pessoas para a existência deste problema e os atletas de alta competição podem “dar uma ajuda” enquanto figuras de referência.

“Antes da formação há a informação. Temos uma sociedade que forma miúdos na escola ensinando como funciona coração ou os rins e não dá o mínimo de competências emocionais”, alertou.

Já a psicóloga do Comité Olímpico de Portugal (COP), Ana Ramires, considerou o “estigma” associado à saúde mental um termo “provinciano” no século XXI.

“Se não tenho vergonha de ter covid-19 ou estar constipada, porque achamos mal ter ansiedade. A única forma que temos de dar a volta a isto é começar a capacitar as pessoas que trabalham com os atletas, a capacitar professores, com a noção do que é isto e a aprender a discriminar precocemente sinais de alerta”, defendeu, apelando ainda a uma maior visibilidade na comunicação social para histórias de superação de atletas com este tipo de problemas.

Pedro Teques, que participou em representação do Sindicato dos Jogadores, salientou que aquele organismo foi pioneiro e desenvolve desde 2017 um programa de saúde mental para os futebolistas e destacou a necessidade de prevenir.

“É na prevenção que devemos atuar. Esta parte da prevenção tem a ver com o treino de competências psicológicas, o acompanhamento do que é o treino físico ou tático juntamente com as competências psicológicas”, frisou.

A partir do dia 10 de outubro, domingo, altura em que se assinala o Dia Internacional da Saúde Mental, vai ser lançada uma campanha nacional e durante o ano vão ser realizadas ações nesta área com a participação de atletas com o propósito de tornar estes como “desbloqueadores de conversa para a saúde mental”.

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