Há uma década, a situação do ex-campeão ginasta Zhang Shangwu chocou a China e teve destaque internacional quando foi descoberto a mendigar em Pequim, o que levou um dos homens mais ricos do país a oferecer-lhe emprego.

Isso deveria ter sido uma reviravolta para Zhang, que tinha sido preso por roubo depois de terminar a sua carreira na ginástica.

Mas depois de outro período na prisão, Zhang está de novo a viver nas ruas, fazendo acrobacias e cantando em público ao vivo num estacionamento na sua cidade natal, Baoding.

Isto marca a segunda queda do aspirante olímpico, cuja situação colocou um holofote sobre o destino dos atletas chineses quando foi visto a mendigar e a atuar nas ruas de Pequim em 2011.

Os atletas na China, uma potência olímpica, costumam ser criados em escolas especiais desde tenra idade e podem ter dificuldades para se ajustar à vida normal quando as suas carreiras terminam.

Zhang parecia destinado aos Jogos Olímpicos depois de vencer duas medalhas de ouros nas Universiadas de 2001. Mas um ano depois, uma lesão num tendão terminou a sua carreira promissora.

Com poucas habilitações, conseguiu trabalhos como empregado de mesa e cuidados, mas as lesões afetaram a sua capacidade de trabalhar, tendo-se virado para os roubos, passando cinco anos na prisão antes de ser libertado em abril de 2011.

A sorte de Zhang mudou radicalmente em julho desse ano, quando foi reconhecido a fazer acrobacias e a mendigar na rua. Foi inundado de ofertas de trabalho e assumiu um trabalho como instrutor de fitness na empresa de Chen Guangbiao, um rico magnata da reciclagem de filantropo.

"Na China, muitos atletas passaram pela mesma situação que eu, sou um dos sortudos pelos ‘media’ e a sociedade terem descobrido a minha situação", disse Zhang, na altura com 27 anos, à Agence France-Presse nesse ano.

Mas em março do ano passado, Zhang disse nas redes sociais chinesas que tinha sido libertado de novo da prisão depois de cumprir pena por roubo.

Zhang não fala mais com a comunicação social - "isso foi noticiado várias vezes, não me voltem a perguntar", disse ele - mas recentemente fez acrobacias e conversou com uma audiência online de algumas centenas de pessoas.

Vestido com um top da seleção chinesa, saudou uma multidão inexistente.

Os espetadores virtuais enviam-lhe presentes reais ou virtuais, que podem ser convertidos em dinheiro.

Noutra ocasião, instalou um microfone e um pequeno altifalante e cantou por 40 minutos, antes de ficar sem dados no seu telemóvel.

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