Coimbra recebeu hoje as seleções de râguebi de Portugal e do Japão com as capas negras no chão, à entrada das equipas para o relvado, a maior homenagem académica que os estudantes da cidade podem prestar.

A 'princesa do Mondego' trajou de gala para receber um dia de festa do râguebi português e “14 mil pessoas” estiveram nas bancadas do Estádio Cidade de Coimbra, “de longe, a maior assistência de sempre em Portugal”, segundo o presidente da Federação Portuguesa de Râguebi (FPR), Carlos Amado da Silva.

Mas mesmo os “quase 11 mil espetadores” anunciados pelo 'speaker' do estádio, perto do final do encontro, seriam já um número superior aos “sete ou oito mil” que, em dezembro de 2007, ainda com a campanha dos ‘lobos’ no Mundial de França bem ‘fresca’ na memória coletiva, assistiram a um Portugal-Roménia no Estádio Nacional, em Lisboa.

No momento do anúncio, Portugal perdia com o Japão por apenas seis pontos de diferença e ainda alimentava a esperança de fazer história, ao vencer uma equipa do ‘Tier 1', mas acabou por consentir mais um ensaio aos japoneses' e saiu vergado por um ‘enganador’ resultado de 38-25.

“Foi um orgulho muito grande organizar um jogo desta dimensão e com tanta gente fora de Lisboa. Estou muito contente com a resposta do público. Muitos, certamente, nunca tinham assistido a um jogo de râguebi, mas, depois disto, certamente vão querer voltar”, regozijou-se Carlos Amado da Silva, em declarações à agência Lusa.

A convicção do presidente da FPR era, certamente, reforçada por algumas reações dos adeptos durante o encontro, comuns noutras modalidades, mas erradas no ‘código de honra’ do râguebi.

Como no momento de respeitar o hino do Japão, quando o ruído de fundo nas bancadas ‘perturbava’ a melodia, ou sempre que os ‘brave blossoms’ decidiam chutar aos postes e se ouvia um coro de assobios, que os mais fervorosos adeptos da modalidade se apressavam a tentar silenciar, sem sucesso.

Mas as coisas correram ‘melhor’ nos momentos de apoio à seleção portuguesa. Cânticos de “Portugal allez”, ou simplesmente gritos de “Portugal, Portugal, Portugal”, entusiasmaram os ‘lobos’ e fizeram os jogadores acreditar que podiam surpreender o Japão, seleção de ‘elite’ que ocupa o 10.º lugar do ‘ranking’ mundial.

“É fantástico jogar com 11 mil pessoas a apoiar”, agradeceu o ‘capitão’, Tomás Appleton, antes de o presidente da FPR corrigir a informação em declarações à Lusa.

Para o jogador do CDUL e dos Lusitanos XV, foi “muito importante ter uma assistência assim, num estádio tão grande”, ele que, da mesma forma que algum do público não estaria habituado a ver jogos de râguebi, também não está acostumado a ter tanta gente a apoiar.

“Foram perfeitos. Se alguém não foi perfeito, fomos nós, pois tivemos todo o apoio que precisávamos para tentar vencer o Japão”, concluiu Appleton.

O único contratempo no ‘programa’ da festa aconteceu ao intervalo, quando estava ‘previsto’ que a seleção portuguesa de râguebi sub-20 subisse ao relvado do Estádio Cidade de Coimbra para receber o troféu de campeã da Europa, mas essa honra coube à Espanha, que venceu hoje a final, a poucos quilómetros, em Taveiro, por 15-9.

Apesar da desfeita, os espanhóis não foram assobiados e foi mesmo possível ouvir alguns aplausos nas bancadas, entretanto, um pouco mais ‘despidas’.

É que, nesse momento, muitos dos espetadores aproveitaram para de deslocar às casas de banho, por baixo das bancadas, ou aos vários bares que se encontravam abertos para comprar cerveja.

Cerveja com álcool, como manda a tradição do râguebi e se pratica em todos os grandes jogos da modalidade, com mais ou menos gente, em Portugal ou no estrangeiro.

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