Temos duas equipas na Liga dos Campeões – Porto e Benfica as quais apresentam resultados desiguais. Enquanto o F.C. do Porto em três jogos conheceu todos os resultados. O S.L. e Benfica, soma duas vitórias e um empate. Os azuis e brancos já jogaram dois jogos no Dragão enquanto o S.L. e Benfica realizou apenas um jogo na Luz.

As expectativas de ambos os clubes passarem à segunda fase, mantêm-se de pé. Embora neste momento a concretização desse facto pareça ser mais complicada para os campeões nacionais. A difícil deslocação a Nicósia exige mesmo que os dragões pontuem frente ao Apoel, equipa que lidera o grupo, (quem diria), caso contrário a passagem aos oitavos poderá ficar comprometida.

O S.L. e Benfica, apesar de ainda não ter garantido a presença nos oitavos de final, está mais próximo desse objectivo. Aliás tem a vantagem de receber em casa o Basileia e o Otelul, dois jogos onde tudo indicia que poderá repetir as vitórias alcançadas nos campos destes adversários.

A Liga dos Campeões é uma prova que simultaneamente proporciona aos clubes prestígio e dinheiro. As equipas finalistas de 2010/2011 - Manchester United e Barcelona - arrecadaram respectivamente 53.197.000 e 51.025.000 milhões de euros. A importância da continuidade nesta competição é fundamental para os clubes.

Os clubes são empresas e devem estar organizados de forma a venderem e rentabilizarem o seu produto – Futebol -. Três factores são preponderantes para que tal suceda: uma estrutura organizada com os departamentos inerentes liderados por especialistas, um grupo de jogadores de nível compatível para formar uma equipa ambiciosa e candidata a ganhar tudo e a escolha de um treinador, um líder competente que domine todas as vertentes do futebol.

A estrutura do F.C. do Porto assenta na experiencia, no saber e na inteligência de Pinto da Costa, goste-se ou não, mas ele é há várias décadas, o melhor presidente do futebol português. O valor dos jogadores das duas equipas é similar? Então porque é que o S. L. e Benfica pratica um futebol simples, prático, fluido e organizado, quer na eficaz evolução atacante, quer pela melhoria na recuperação defensiva, e o F.C. do Porto hoje apresenta um futebol desorganizado. Claro, que a diferença está na capacidade dos treinadores!

Vítor Pereira fez mal ao enveredar pelo ataque directo a Jorge Jesus. Pois não tem a facilidade de expressão, nem o discurso tão inteligente e acutilante como o de Villas Boas. Não havia necessidade de disparar afirmações que lhe estão a sair pela culatra.
Tais como: «Jesus é um egocêntrico, só olha para o seu umbigo, o mérito dos êxitos são só para ele em detrimento dos jogadores.

Eu nem vejo os jogos do Benfica. Treinar é uma descoberta constante. Eu não me iludo com o táctico, julgo que treinar é conduzir jogadores. Quem vai dar a dinâmica são os jogadores, são eles que promovem o modelo do jogo. É algo que vai acontecendo, são os jogadores que nos levam para um caminho de posse ou de transições. Eu não acredito em futebóis em que o treinador assume o papel fundamental»

«Acredito no talento dos jogadores e que quanto mais qualidade tivermos e se o treino estiver à altura da qualidade deles, eles próprios vão à procura do jogo em que se sentem mais confortáveis e mais acreditam. Se eles não acreditarem é o treinador que está a impor e se o treinador impõe é o jogo do treinador e não o jogo dos jogadores. Temos muitos jogadores de qualidade, o meu papel é não estragar o talento que tenho em mãos e deixá-los desfrutar do jogo e crescer como equipa, sem muitas amarras tácticas»

Como se depreende o destinatário destas palavras era Jorge Jesus. O qual como se sabe, sem desprimor das restantes componentes do futebol destaca a táctica que, para ele é a componente mais importante e decisória no desfecho dos jogos.

Jorge Jesus ao invés de Vítor Pereira sabe que a táctica não faz dos jogadores autómatos, antes pelo contrário, dá-lhes liberdade de escolha para exprimirem a técnica, a criatividade e a inteligência. O treinador é parte liderante e pedagógica. O jogador, é parte integrante, responsável, e concretizadora de planos trabalhados no treino.

Para o treinador do S.L. e Benfica a táctica tem uma relevância indiscutível é fundamental em qualquer desporto. A táctica é a organização e a planificação individual e colectiva. É um conjunto de estratégias estudadas, explicadas e ensaiadas pelo treinador nos treinos, para que os jogadores as apliquem nos jogos.

Todo o discurso que Vítor Pereira pronunciou lhe está a cair em cima. Não tem sido feliz nas escolhas, nas mudanças, nas substituições e na oratória. E agora virou-se o feitiço contra o feiticeiro. “Julgo que quem vai dar a dinâmica são os jogadores, são eles que promovem o modelo do jogo, que nos levam para um caminho de posse ou de transições, eles próprios vão à procura do jogo em que se sentem mais confortáveis e mais acreditam.”

Os jogadores vão à procura mas pelos vistos não encontram. Isso depreende-se nas opiniões exprimidas pelos jogadores do F.C. do Porto no final do jogo com o Apoel. Eles deram a entender que precisam, é de condição física e mental, de capacidade volitiva, de motivação e sobretudo de uma diversificada e flexível organização táctica.

Vítor Pereira herdou uma pesada herança que exige demasiado a esta equipa técnica. Tem urgentemente de demonstrar que está à altura para dar a volta aos acontecimentos. Precisa de recuperar rapidamente a cultura do rigor e da exigência que é um dos lemas do F.C. do Porto.

 Neste momento conturbado, Vítor Pereira tem de analisar, de reflectir, de detectar os erros para rectificá-los tacticamente e não só. Porque tudo continua em aberto quer a continuidade na Liga dos Campeões, quer o título da Liga Sagres, quer as restantes provas! Só que o futebol apresentado?

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