
António Oliveira, antigo treinador do FC Porto e ex-selecionador nacional, manifestou-se publicamente em apoio a Pedro Proença, atual presidente da Liga Portugal, no contexto do recente diferendo com Fernando Gomes, presidente do Comité Olímpico Português e ex-líder da Federação Portuguesa de Futebol.
António Oliveira criticou as palavras de Fernando Gomes, considerando-as "declarações infelizes" que colocam em causa a imagem de uma das mais prestigiadas federações desportivas de Portugal. "Liderar exige não só coragem para tomar decisões difíceis, mas também a capacidade de reconhecer quando o silêncio é sinal de maturidade e sentido de Estado", afirmou.
O antigo técnico destacou que as críticas de Gomes à liderança atual da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e as insinuações sobre uma alegada descaracterização institucional são prejudiciais para o futebol português, fragilizando a sua posição interna e externa.
António Oliveira alertou ainda para os potenciais danos causados pelas declarações de Fernando Gomes, especialmente num momento em que Portugal se prepara para coorganizar o Mundial 2030 ao lado de Espanha e Marrocos. Segundo o ex-selecionador, este tipo de postura gera um "ruído desnecessário", colocando em risco a credibilidade e estabilidade do projeto.
Com esta intervenção, António Oliveira procura sublinhar a importância de uma liderança firme e unida no futebol português, considerando que as divergências públicas devem ser evitadas para preservar a imagem e o sucesso das competições nacionais e internacionais.
Comunicado na íntegra:
" Caro Presidente Pedro Proença,
Neste momento delicado para o desporto nacional, venho manifestar publicamente a minha solidariedade para consigo e para com a Federação Portuguesa de Futebol, perante as declarações infelizes proferidas pelo atual presidente do Comité Olímpico de Portugal. Entendo que a responsabilidade de liderar implica não apenas tomar decisões com coragem, mas também saber quando o silêncio é sinal de maturidade, visão e sentido de Estado.
É precisamente nesse espírito que partilho a seguinte reflexão: Num momento em que o desporto português enfrenta desafios e oportunidades históricas, era esperado que a recente eleição do novo presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP), Fernando Gomes, fosse marcada por uma atitude de união, elevação institucional e visão estratégica.
No entanto, as declarações proferidas pelo recém-eleito presidente, em tom crítico e acusatório relativamente à Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e ao seu atual presidente, Pedro Proença, deixaram perplexos muitos dos que acreditam que o desporto deve ser um território de convergência e não de confronto.
Não se trata aqui de uma mera divergência de opiniões ou de estilos de liderança. Trata-se de compreender o impacto profundo que palavras públicas, proferidas por figuras com responsabilidade nacional e internacional, podem ter nas instituições, no setor que representam e, em última instância, no próprio país. As declarações de Fernando Gomes, além de desnecessárias, foram prejudiciais.
Ao questionar a atual liderança da FPF e insinuar uma alegada descaracterização institucional, não só coloca em causa a imagem de uma das federações mais prestigiadas de Portugal, como também fragiliza o futebol português num momento especialmente sensível. Não está em causa a legitimidade de ter opiniões. Está em causa a forma e o momento em que essas opiniões são expressas - e sobretudo o seu impacto estratégico.
Portugal prepara-se para acolher, em parceria com Espanha e Marrocos, o Mundial de Futebol de 2030 - um projeto de enorme relevância não apenas para o desporto, mas para a diplomacia, o turismo, a economia e a projeção global do país. Este projeto depende de estabilidade, de articulação entre instituições, de confiança interna e externa, e de uma narrativa de coesão que transmita à FIFA e ao mundo a imagem de um país organizado, responsável e unido.
As críticas vindas do novo presidente do COP minam precisamente essa confiança. Quando um representante de topo do sistema desportivo nacional opta por emitir declarações que abrem brechas públicas, que insinuam conflitos institucionais e que colocam em dúvida a atual governação da FPF, está, voluntária ou involuntariamente, a criar um ruído que pode ter consequências diplomáticas e operacionais. Num contexto internacional tão competitivo e atento, não basta fazer. É preciso também comunicar bem, proteger a imagem nacional e evitar qualquer sinal de instabilidade.
A FPF, sob a presidência de Pedro Proença, tem procurado consolidar o legado deixado por Fernando Gomes, mas também imprimir uma nova dinâmica, mais moderna, mais participativa, mais aberta aos desafios contemporâneos do futebol. Essa mudança não pode ser confundida com rutura irresponsável.
É natural - e até saudável - que novos líderes tragam novas ideias. É assim em qualquer democracia, é assim em qualquer organização viva. O que não é admissível é que antigos líderes, agora noutras funções de responsabilidade, tentem influenciar ou condicionar esse caminho através de críticas públicas que, em vez de construir, desestabilizam.
A liderança do COP exige muito mais do que passado. Exige visão de futuro. Exige capacidade de diálogo entre federações, instituições públicas, clubes e atletas. Exige uma postura serena, estratégica, madura e absolutamente comprometida com o bem comum. O movimento olímpico português merece um líder que compreenda que as suas palavras têm peso - e que esse peso não pode ser usado para alimentar divisões nem para reescrever histórias. Muito menos para colocar em risco projetos que envolvem todo um país.
Ninguém espera unanimismos no desporto - nem em lado nenhum. Mas todos esperam responsabilidade, sentido de missão e, sobretudo, sentido de Estado. Porque quando se ocupa uma função como a de presidente do COP, fala-se em nome do desporto nacional. E nesse nome, não pode haver lugar para disputas pessoais nem para vaidades institucionais.
É tempo de recentrar o debate. De focar no essencial. De garantir que Portugal chega a 2030 com o Mundial de Futebol como símbolo de união, competência e visão de futuro - e não como vítima de querelas internas que nada acrescentam. O futebol português não é propriedade de ninguém. É um bem comum. E como tal deve ser protegido, valorizado e promovido por todos - sem exceção.
É isso que se espera de um presidente. Sobretudo, de um presidente olímpico.
António Oliveira"
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