O adiamento de três jogos das divisões distritais da Associação de Futebol do Porto (AF Porto) é medida de "prevenção" e de "defesa da saúde pública" face ao surto de Covid-19, realçou, na sexta-feira, o presidente da entidade.

"Nós adiámos esses encontros, e adiamos todos os que sejam necessários, quando tivermos conhecimento que, de algum modo, um interveniente teve contacto direto ou indireto com alguém que esteve em zonas afetadas", disse à agência Lusa Lourenço Pinto, líder da AF Porto.

Os jogos Barrosas-Freamunde (Divisão de Elite), Raimonda-Roriz e Ferreira-Citânia de Sanfins (1.ª Divisão), da AF Porto, foram adiados devido ao surto do novo coronavírus (Covid-19), e se, no que toca à primeira partida, está em causa a confirmação de um caso de infeção por coronavírus na localidade de Santo Estevão de Barrosas (um funcionário de uma fábrica de calçado em Lousada que esteve recentemente em Milão), nos dois encontros adiados da 1.ª Divisão, o alerta surgiu após um contacto entre um jogador e um treinador com uma outra pessoa infetada.

"No caso vertente, houve, de facto, um atleta e um treinador que tinham estado antes em contacto com uma pessoa, que, posteriormente, veio a dar positivo, infelizmente, nesse vírus", confirmou o dirigente, sem querer entrar em detalhes para a preservação do direito à privacidade dos envolvidos.

Nas vésperas de um jogo entre o Citânia de Sanfins e o Raimonda, disputado em 01 de março, um jogador e um treinador de uma das equipas jantaram com duas pessoas que tinham regressado recentemente de Itália, da Feira de Calçado de Milão (MICAM), e com uma quinta pessoa. No dia seguinte à realização da partida, em que participaram o treinador e o atleta, um dos integrantes do grupo, um dos dois que tinha estado em Itália, foi dado como portador do Covid-19.

"À cautela, como prevenção, e na defesa da saúde pública e, sobretudo, dos desportistas e daqueles que gostam de desporto, tivemos o cuidado de adiar esses jogos. Não só os [jogos] das duas equipas que tiveram intervenção na semana finda, como aquelas que agora iam jogar com elas", destacou Lourenço Pinto.

E acrescentou: "Por outro lado, não podemos esquecer de modo algum que as pessoas que intervêem num jogo não são só os atletas. Há os árbitros, os treinadores, os delegados aos jogos, os massagistas, e tudo isso temos que levar em conta, de forma a que, para os próximos jogos, não sejam nomeados nem esses árbitros, nem esses intervenientes no jogo. Foi o que fizemos. É a cautela devida numa situação que merece os cuidados necessários, sem, contudo, se criar alarmismo."

O presidente da AF Porto revelou à Lusa que os árbitros e restantes intervenientes envolvidos na partida entre o Citânia de Sanfins e o Raimonda também não estão nomeados para os jogos deste fim de semana, e que o organismo entrou em contacto com diversas entidades para dar conta de toda a situação.

"Trocámos contactos com as autarquias, informámos os delegados de saúde, falâmos também com a Linha de Saúde 24, e ainda com as pessoas ligadas aos atletas, para que haja cuidado. E todo o cuidado é pouco", assinalou.

O surto de Covid-19, detetado em dezembro, na China, e que pode causar infeções respiratórias como pneumonia, provocou 3.456 mortos e infetou mais de 100 mil pessoas em 92 países e territórios.

Das pessoas infetadas, mais de 55 mil recuperaram.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) confirmou 13 casos de infeção.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou o surto de Covid-19 como uma emergência de saúde pública internacional e aumentou o risco para “muito elevado”.

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