Gerard Piqué, jogador do Barcelona, compreende a decisão do clube em juntar-se à Superliga, se se colocar no papel de presidente do mesmo, mas não concorda com a criação da competição.

Em entrevista ao programa Universo Valdano, do canal espanhol Movistar +, o central dos catalães considerou que a situação económica vivida pelo clube terá motivado a decisão de se juntar à organização da polémica prova.

"Se me colocar no papel de presidente do Barça, que é o que tem de fazer Laporta, que herdou uma situação económica muito má... Ele vai tomar a melhor decisão para o clube. Neste momento, o Barça é fundador da Superliga. Creio que esta decisão tem um motivo muito forte com a situação económica do clube", disse, citado pelo jornal 'Marca'.

Contudo, como jogador, Piqué considera que uma Superliga não seria benéfica para o futebol, afirmando que a mesma acabaria por 'secar' as competições à volta.

"Mas se olhar do ponto de vista do jogador, uma visão global, não acho que seja positivo para o mundo do futebol as grandes marcas juntarem-se para competir, ainda que existam cinco clubes convidados. Eles dizem que vão continuar nas Ligas e a competir. Quando a Champions dá 3,5 mil milhões e eles dizem que a Superliga dá o triplo. As contas não batem certo. Se falar com os especialistas em direitos, dizem-te que o mercado não chega", começa por explicar.

"No início dizem que as Ligas mantêm-se, mas depois os anos passam e por detrás disto existem fundos de investimento, sociedades bancárias. Quando chegarem os momentos das perdas, decidirão colocar os jogos ao fim de semana", acrescenta.

Piqué afirma que um modelo destes levaria ao fim de alguns clubes históricos do futebol europeu e que há que ter a noção disso.

"Queremos isso para o futebol? Que o Sevilha, Valência, Everton, Leicester, Nápoles desapareçam? É para lá que caminhamos. Se quisermos que seja assim, sigam em frente, mas é o que vai acontecer. O modelo americano tem estas coisas e as suas coisas boas", disse.

Apesar de não concordar com o modelo da Superliga, o jogador do Barcelona afirma que o modelo atual de competição tem de mudar.

"O que está claro é que o modelo tem de mudar. Tem de se encontrar um equilíbrio no qual os grandes possam coexistir com os não tão grandes. (...) O que se está a passar é reflexo da sociedade. É capitalismo puro e duro. Não há um modelo perfeito, tem de se encontrar o mais equilibrado", notou.

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