Vinte e dois anos depois, Scolari prepara-se para vencer o campeonato brasileiro pela segunda vez. Felipão, como é conhecido no Brasil, pegou num Palmeiras sem esperanças, a meio da tabela, para guiar a equipa rumo a um título que está a uma vitória de distância. Esta terça-feira goleou o América-MG por 4-0 e ficou a uma vitória do título no Brasileirão. Desde que o 'Sargentão' comandas as 'tropas', o 'Verdão' nunca perdeu no campeonato.

A primeira vez que Scolari ergueu o título, ainda não havia redes sociais, nem Youtube, Facebook ou Instagram. Na altura, com 48 anos, Felipão conseguia o seu primeiro grande título, ao guiar o Grêmio à vitória no campeonato brasileiro. De lá para cá, conquistou vários títulos individuais e coletivos, com clubes e seleções, sendo o Mundial de 2002 o mais sonante.

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Depois de se sagrar tricampeão chinês com o Guangzhou Evergrande em três épocas (venceu ainda uma Taça da China e duas Supertaças), Scolari deixou a Ásia e regressou ao Brasil, para estar mais perto da família. O Palmeiras acabou por seduzi-lo. No 'Verdão', Scolari encontrou um plantel enorme, com muitos jogadores em baixo animicamente como Deyverson (ex-Belenenses) ou Dudu. Pegou na equipa à 17.ª jornada e, de lá para cá, não perdeu qualquer encontro: somou 14 vitórias e seis empates, fez 48 pontos e subiu ao primeiro lugar, além de ter guiado a equipa até às meias-finais da Taça Libertadores, perdido para o Boca Juniors, depois de uma exibição assombrosa de Dario Benedetto, avançado dos argentinos (marcou três dos quatro golos do Boca nas duas mãos: 2-0 na Argentina e 2-2 no Brasil).

Apesar de ter pegado no Palmeiras quase a meio do campeonato, Felipão conseguiu mais pontos que 11 das 20 equipas do Brasileirão, entre eles Corinthians, o Fluminense e o Vasco da Gama (que corre risco de descer). Neste momento o 'Verdão' lidera o Brasileirão com 74 pontos em 36 jogos, tem o melhor ataque (60 golos) e a melhor defesa (24 golos), mais cinco pontos que o Flamengo, quando faltam disputar apenas duas jornadas. Basta vencer fora o Vasco este domingo para fazer a festa ou, fazer o mesmo resultado do 'Mengão', segundo colocado.

Luiz Felipe Scolari é um autêntico ídolo no Palmeiras. Foi ele que guiou a equipa ao seu único título na Taça Libertadores da América, em 1999, na primeira das suas três passagem pelo clube (ficou até 2000). Voltou ao Palmeiras, entre 2010 e 2012, onde só venceu a Taça do Brasil, antes de ser afastado (foi um dos responsáveis pela descida de divisão do clube). Agora, nesta terceira aventura, prepara-se para dar o sexto título brasileiro ao Palmeiras.

A carreira de Scolari tem mostrado que de burro, o brasileiro não tem nada. Esta referência data de 22 de novembro de 2007, quando Portugal empatou em casa com a Finlândia e conseguiu o apuramento para o Euro 2008. O empate no Dragão foi visto pelos jornalistas como sendo um mau resultado, algo que irritou Scolari, na altura selecionador de Portugal. O homem que dirigiu a seleção das quinas entre 2002 e 2008 (foi vice-campeão europeu, perdendo a final do Euro2004 em casa e foi 4.º no Mundial2006 com Portugal) não percebia o porquê de tantas críticas a uma seleção que esteve 11 jogos sem perder na qualificacão. Detém o registo de mais vitórias por Portugal (25 em 43 jogos), recorde igualado por Fernando Santos em apenas 36 partidas.

"Portugal consegue a qualificação e o burro sou eu? O ruim sou eu? E Portugal qualificou-se onde? Na baía das almas? Ou vocês estão mal acostumados ou então não sei. Pronto, acho que fomos maus. Se querem, fomos maus. [...] Não percebo como vocês dizem que a Finlândia é ruim, a Sérvia é ruim, a Polónia é ruim ou a Bélgica é ruim. Peço desculpa, mas não preciso de estar aqui. [...] Pelo amor de Deus, vou-me sentir desiludido por me qualificar? Eu estou é muito feliz. Será que vocês não conseguem ver nada de bom naquilo que nós fazemos? Será que só tem porcaria e ruindade no nosso trabalho?", questionou.

Veja o vídeo com as declarações

Mesmo não deslumbrando nalgumas das suas equipas, títulos não tem faltado a Scolari por onde passa. O técnico brasileiro de 70 anos, nascido na cidade de Passo Fundo,  no Estado do Rio Grande do Sul, tem um currículo que fala por si. Venceu entre outros, com duas ligas do Uzbequistão ao serviço do Bunyodkor, três ligas chinesas pelo Guangzhou Evergrande, uma liga japonesa com o Júbilo Iwata, uma liga do Koweit pelo Qadsia SC e um campeonato brasileiro. Conta ainda com uma Taça do Usbequistão, uma FA Cup em Inglaterra, duas Supertaças e uma Taça da China e cinco Taças do Brasil. Nas seleções, tem um Mundial de futebol pelo Brasil e uma Taça das Confederações.

Este domingo, poderá provar mais uma vez que o burro não era ele.

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