A leitura da sentença do julgamento de José Maria Salvado, presidente do Estrela da Amadora entre 1996 a 2002, acusado de alegada apropriação indevida de quase 1,8 milhões de euros, está programada para 16 de fevereiro.

A data foi marcada na sessão de hoje do julgamento, na 2.ª Vara do Tribunal Criminal de Lisboa, no Campus da Justiça, após as alegações finais, com o procurador da República a pedir que José Maria Salvado seja condenado a 12 anos de prisão efetiva (o mínimo é de oito).

Ana Esteves da Cunha, advogada oficiosa de José Maria Salvado, que continua no Brasil, pediu a absolvição do antigo dirigente, apontando «falhas na investigação, nomeadamente com elementos para eventual condenação que o Ministério Público não conseguiu fazer prova».

Na audiência de hoje estava prevista a inquirição da testemunha Fernando Pombo, vice-presidente do clube à altura dos factos.

Fernando Pombo, que sucedeu a José Maria Salvado na presidência do clube, em janeiro de 2003, não foi notificado e não compareceu em tribunal.

José Maria Salvado, acusado de peculato e de um crime de falsificação de documento, está no Brasil há alguns meses, em morada que facultou ao tribunal.

De acordo com a acusação, a que a agência Lusa teve acesso, o dirigente tinha uma conta-corrente, na qual foram creditados montantes por «supostos empréstimos seus aos clubes», para a contratação de jogadores.

A investigação da 9.ª Secção do DIAP (Departamento de Investigação e Ação Penal) de Lisboa concluiu que, a 31 de dezembro de 2002, «deveria estar inscrito na referida conta-corrente não um saldo de 1.257.539 euros a favor do arguido, mas sim um saldo de, pelo menos, 1.794.308,68 a favor do Estrela».

«O arguido sabia que obtinha um ganho patrimonial ilegítimo total de, pelo menos, 1.794.308,68 euros e que causava prejuízo de montante equivalente ao Estrela da Amadora, o que quis e conseguiu», refere-se na investigação, datada de 20 de janeiro de 2011.

José Maria Salvado, que sucedeu no cargo de presidente ao irmão, Jaime Salvado, é indiciado de ter forjado recibos referentes a contratações de jogadores, hipoteticamente com «terceiros».

Concluiu a investigação que José Maria Salvado sabia que «abalava a credibilidade e a fiabilidade que os documentos merecem, bem como a sua força probatória».

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