É já neste sábado que o Flamengo de Jorge Jesus irá lutar disputar a final da Libertadores, frente ao River Plate, vencedor da edição passada da prova. O 'mengão' não chegava a esta fase há 38 anos, ou seja, desde 1981, tendo na altura levantado a taça após bater o Cobreloa, do Chile.

Em Lima, capital do Peru, a equipa carioca coloca assim fim a uma campanha marcada por alguns altos e baixos, que arrancou a 5 de março. O Flamengo, então orientado por Abel Braga - Jorge Jesus só entrou em cena a partir dos oitavos de final - integrou o grupo D juntamente com o LDU Quito (Equador), o Peñarol (Uruguai) e o San José (Bolívia).

O conjunto brasileiro venceu os dois primeiros confrontos, no terreno do San José (1-0) e na receção ao LDU Quito (3-1), mas 'tropeçou' na terceira jornada ao perder no Maracanã com o Peñarol, por 0-1. O 'Fla' viria a redimir-se na jornada seguinte ao golear (6-1) o San José. O resultado volumoso deu novo alento à equipa de Abel Braga, mas a verdade é que o Flamengo voltou a 'cair' na quinta ronda, no Equador - vitória do LDU Quito por 2-1. O resultado deixava os cariocas em apuros no grupo, com o apuramento a chegar apenas na última jornada, após o nulo frente ao Peñarol.

O Flamengo garantiu a passagem aos oitavos de final na liderança do grupo D, com 10 pontos, os mesmos do LDU Quito (também se apurou) e Peñarol, mas melhor diferença entre golos marcados e sofridos.

Nos 'oitavos', já sob o comando de Jorge Jesus, o 'Fla' voltava a encontrar outra equipa do Equador, neste caso o Emelec. Os brasileiros tiveram de sofrer para seguir em frente, tendo perdido o jogo da primeira mão (2-0), naquele que foi o primeiro 'desaire' de Jesus em cinco jogos no 'mengão'. Para piorar, o técnico português ainda perdeu Diego por lesão e foi alvo de grande contestação por parte da massa adepta.

Depois da tempestade, veio a bonança. Gabigol bisou (10' e 19') na primeira metade e igualou a eliminatória, que acabou por ser decidida nas grandes penalidades. Aí, o guardião do Flamengo parou um dos remates e viu Queiroz atirar ao ferro para delírio dos adeptos presentes no Maracanã - vitória por 4-2 nos penáltis.

Os quartos de final colocaram o Internacional de Porto Alegre no trajeto da equipa de Jorge Jesus. A primeira mão sorriu ao conjunto rubro-negro, que venceu por 2-0 em casa com um 'bis' de Bruno Henrique. A vantagem trazida do Maracanã era confortável, mas o Flamengo não se escondeu na segunda mão em Porto Alegre e desde cedo procurou 'matar' a eliminatória.

Ainda assim, foi o Internacional a chegar primeiro ao golo, já na segunda metade, por intermédio de Rodrigo Lindoso (62'). Antes do apito final, Gabigol (85') voltou a dar provas do grande momento que atravessa e selou o 1-1 final, colocando o Flamengo na fase seguinte da prova.

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Nas meias-finais, Jorge Jesus voltava a encontrar um adversário brasileiro, o Grémio, também de Porto Alegre. A eliminatória começou ainda antes de as equipas pisarem o relvado, com Renato Gaúcho a questionar o currículo de Jesus.

"Concordo que o Flamengo está a jogar o melhor futebol do Brasil em conjunto com o Grémio, mas o Jorge Jesus só ganhou dois ou três títulos em Portugal. Saiu de Portugal e foi para a Arábia Saudita. Ele nunca treinou fora de Portugal um grande clube na Europa. Nunca conquistou nada e está com 65 anos", defendeu, então, o técnico do Grémio em entrevista ao jornal Zero Hora.

Poucos dias depois, Renato Gaúcho voltou a provocar o português: "Nunca vou menosprezar uma pessoa por causa da idade. Eu só fico curioso pelo trabalho maravilhoso que ele vem fazendo no Flamengo por eu nunca ter ouvido o nome dele e por ele nunca ter treinado uma grande equipa da Europa, e nunca ter saído de Portugal."

A primeira mão terminou com um empate entre as duas equipas, num grande espectáculo de futebol. Na primeira parte só deu Flamengo, com dois golos anulados pelo VAR: no primeiro, Gabriel Barbosa cometeu falta sobre Kannemann e no segundo foi apanhado em suposto fora de jogo, apesar de ser por milímetros.

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Na segunda metade, o 'mengão' chegou à vantagem por intermédio de Bruno Henrique, ainda antes do terceiro golo anulado aos cariocas, por novo fora de jogo de Gabigol. O golo do empate chegou já a dois minutos dos 90', com Pepê a concluir uma jogada de Everton, pela esquerda, levando assim todas as decisões para o Maracanã.

O que se passou no Rio de Janeiro, contudo, nada teve a ver com a primeira mão, com o Grémio a ser alvo de um autêntico 'massacre'. Foram cinco golos sem resposta e uma lição de futebol que terminou com cânticos dedicados a Jesus. Gabigol (melhor marcador da prova) voltou a estar em destaque com um 'bis', enquanto Bruno Henrique, Pablo Marí e Rodrigo Caio completaram a goleada, que colocava o Flamengo na final da Libertadores 38 anos depois.

Segue-se o River Plate.

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